Crítica: O vendedor de sonhos

Que os dias atuais estão difíceis todo mundo sabe! Mas se os próximos que virão serão melhores, nós apenas podemos ter a esperança de ser. A questão é: como lidamos com nossas dificuldades, obstáculos e principalmente as falhas da vida? Será que a melhor solução é acabar com tudo de uma vez, se jogar de um prédio bem alto e detonar a angústia, a culpa e o sofrimento juntos? Isso seria de um egoísmo tremendo, não?! Não existiria uma forma de consertar ou mudar a situação? Sim, sempre há! A verdade é que no fim só precisamos enxergar a vida de um novo ângulo, valorizar o que, de fato, é mais importante.

“O Vendedor de Sonhos” conta a história de Júlio César, interpretado por Dan Stulbach, um psicólogo com problemas familiares e decepcionado com a vida, que resolve tentar cometer suicídio. No meio do processo surge um mendigo (conhecido como Mestre), representado por César Troncoso, que o impede de realizar esse ato. Uma amizade cheia de mistérios começa a surgir e a dupla, acompanhada de mais dois “súditos”, inicia uma jornada com a finalidade de mostrar novos caminhos na tentativa de provar que todo e qualquer infortúnio da vida possui uma solução.

O filme é uma adaptação do best-seller homônimo do psicoterapeuta e escritor Augusto Cury que já publicou mais de 20 livros e ultrapassou a marca de 20 milhões de obras vendidas no Brasil.

Um drama muito bem produzido, com locações lindíssimas espalhadas pelo Rio e São Paulo, e uma fotografia clean, devidamente trabalhada por Nonato Estrela (“Até que a sorte nos separe 3” e “Em nome da Lei”), responsável por passar uma precisa mensagem de positividade.

A direção de Jayme Monjardim é até surpreendente para quem vai assistir o filme achando que verá mais uma novela no cinema, principalmente para quem lembra dos enquadramentos que o diretor escolheu para o drama “Olga”. Embora Monjardim ainda opte por planos familiares de suas produções televisivas, aqui ele ainda arrisca em ângulos diferenciados que criam um aspecto mais voltado para telona.

O figurino é interessante, porém não condiz com nossa realidade brasileira, talvez por querer dar um toque europeu ou americanizado. A maquiagem também foge bastante da verossimilhança, pelo menos em relação aos moradores de rua, nos entregando uma caracterização muito mais “leve” do que vemos no dia a dia.

O elenco principal conta com Dan Stulbach e César Trancoso, que desenvolvem uma química muito interessante e funcional durante o filme. Mas o verdadeiro “astro” é César, propositalmente pela personagem, a qual consegue compreender e exercer uma construção quase perfeita, roubando todas as cenas em que aparece. Thiago Mendonça vem para agregar essa dupla, porém o elenco de apoio e os “vilões” da trama não chegam aos pés de Trancoso o que, às vezes, pode incomodar o espectador por ter uma discrepância nas concepções das personagens.

“O Vendedor de Sonhos” é um filme que vem para abrir novos caminhos para o cinema nacional, provando que não é só de comédia que precisamos para ocupar as salas. E então, será que somos capazes de produzir gêneros diferentes e vermos filmes bons? Creio que sim, basta olharmos o cinema brasileiro com novas perspectivas.

Crítica: O vendedor de sonhos
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