Crítica: Obsessão Secreta

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“Obsessão Secreta”, o novo filme de suspense da Netflix, conta a história de Jennifer (Brenda Song) que acorda com amnésia após um ataque traumático, desde então é o seu marido, Russel Williams (Mike Vogel), que cuida dela. Mas logo ela percebe que o perigo ainda não terminou. 

Apesar de ser um original da Netflix, o filme não possui um pingo de originalidade. O diretor Peter Sullivan, que infelizmente também é o roteirista, não teve vergonha em reciclar enredos batidos de psicopatas e os piorar ao ponto de beirar o ridículo de tão óbvio. Desde o primeiro ato ele deixa claro quem era o assassino, e isso fica evidente pela atuação forçada de Mike Vogel. Mike necessitava entregar um psicopata inteligente e calculista com expressões suaves, mas apenas deixa transparecer um nervosismo duvidoso e uma preocupação exagerada, permitindo ao espectador a chance de desconfiar dele desde o princípio.

Porém o ator não leva toda a culpa, já que o roteiro não o ajuda nem um pouco ao descartar matando o único suspeito, além de Russel, no segundo ato. Sendo assim, o espectador, fica mais da metade do filme aguardando o momento que a protagonista descobrirá a verdade e de qual modo irão deter o assassino – pois todos já sabem de quem se trata.

A tensão que já era quase nula, se torna inexistente com a sua quebra para cenas desnecessárias que poderiam ter sido encaixadas em momentos mais pertinentes, até mesmo, ou então nem estarem no filme, por não acrescentaram nada ( já que serviram apenas de reforço para uma ideia apresentada anteriormente). E isso se torna mais evidente com a personagem interpretada por Brenda Song, que  fuge tantas vezes, a ponto de cansar quem está assistindo, criando uma antipatia por ela. 

Imagem: Divulgação/Netflix

Como o roteiro e direção foram realizados pela mesma pessoa, os diversos close-ups desnecessários combinaram como as frases de efeito repetitivas e fora de hora. Além da introdução de soluções que não faziriam sentido na vida real, como a fita isolante que não tem o poder de imobilizar um tornozelo em caso de torções (mas para Sullivan pareceu ser uma excelente ideia).

Também vale ressaltar a inserção de um suposto drama no arco do policial Frank Page (Dennis Haysbert), mas esse não é explorado, sendo descartado em seguida. Deixando de fora algo que poderia dar maior profundidade para a trama, e que apenas serve de motor para que Frank se esforce ao máximo no novo caso, mesmo que não exista nenhuma ligação entre esse e o anterior. O Furo revela mais uma vez a fragilidade do roteiro, totalmente sem imaginação e que deixa a desejar durante todo trajeto do filme.

Em meio a tantas falhas a atuação de Dennis Haysbert é uma luz no fim do túnel. Seu personagem é o que mantém o espectador em frente da tela até o fim do filme – torcendo para que o vilão seja desmascarado. O mesmo não podemos dizer sobre Brenda Song, esta apenas entrega o que se pede sem nenhuma paixão adicional. Atuação correspondente a cinematografia mediana, que não corre o riscos de errar por invencionices descabidas, mas também não acertar, pois não ousar. 

E esse medo de ousar, que poderia mascarar os erros do roteiro ou pelo menos dar equilibrio ao filme, porém, como Sullivan preferiu se manter no confortável, tornou evidente o que tinha de pior – quase tudo – e fez do longa uma verdadeira perda de tempo para a equipe de produção e para todos que o assistiram.


Por Ynara Bispo


Imagens e Vídeo: Divulgação/Netflix

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