Crítica: Oito Mulheres e um Segredo

No ano de 2001 estreava “Onze Homens e Um Segredo”, um filme que não se limitava a juntar famosos astros de Hollywood em tela, e pode-se dizer que usou de vários clichês já existentes para segmentar uma trilogia. Há muito tempo sem que fossem lançadas produções relacionadas, “Oito Mulheres e Um Segredo” chega então em 2018, a continuação dos já existentes, mas que propõe fundamental diferença para a série. Agora, o protagonismo é feminino e nada mais adequado dado o momento em que vivemos. Pois, temos Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway e até mesmo Rihanna no elenco.

Novamente, temos um enredo que gira em torno de um roubo e de um grupo de personagens que será recrutado para planejá-lo e executá-lo. Nada de muito novo por aqui, e existem até algumas reviravoltas no último ato, mas que não chegam a ser surpreendentes.

O que a trama mais tem de qualidades não se dá pelo seus acontecimentos, mas pelas protagonistas e pela diversão provocada por elas. Quase todas as piadas são bem sacadas e funcionam, o que aponta um bom-senso de humor do longa. Isso sem falar que cada uma das mulheres apresenta uma personalidade completamente diferente uma da outra, e ainda que não as conheçamos todas com profundidade, é possível diferenciá-las de forma clara. Mérito esse também é da maquiagem e do figurino, aliás, que cria identidade para elas em termos estéticos, bastante visuais. Mesmo não exibindo praticamente nenhum tipo de originalidade, “Oito Mulheres e Um Segredo” se torna eficaz por usar convenções de gênero muito bem e por contar com um elenco talentoso.

Ademais, as sequências de ação são muito bem dirigidas e conseguem situar o expectador perfeitamente nas sequências em que a movimentação em cena é mais complexa. Movimentos de câmera sem que haja cortes são bastante utilizados e dão fluidez para a obra, de forma que cada ato esteja muito bem explícito pelos realizadores. Não seria exagero dizer que esse tipo de recurso também permite com que conheçamos a forma de atuação de cada uma das personagens principais, que vão sendo apresentadas aos poucos, na medida do possível.

Outro aspecto bem posto aqui é o som. A trilha sonora remete a clássicos de filmes de ação, espionagem e de grandes roubos. Não é como se houvesse um grande tema memorável, mas é o suficiente para que a atmosfera  de ação, adrenalina e suspense seja criada. Isso, é claro, sem mencionar os sons diegéticos que são colocados de forma inteligente para a composição das cenas. Assim, há um bom equilíbrio entre uma coisa e outra.

Dessa forma, “Oito Mulheres e Um Segredo” consegue manter e renovar o espírito da série da qual faz parte. Não é absolutamente genial ou revolucionário no que faz, mas nem o pretende, e aqui está o segredo dele. Diverte o público sem ser apelativo e sem subestimar sua capacidade. É mais um filme de assalto que prova que clichês podem ser bem-vindos se forem utilizados com sabedoria e bom gosto.

Crítica: Oito Mulheres e um Segredo
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