Crítica: Operação Overlord

J. J. Abrams usa a história como base para o terror

A Segunda Guerra mundial foi um marco de horror na história da humanidade. Entre as vários acontecimentos desse período está o uso de cobaias humanas em experimentos nazistas que resultaram na morte de milhares de pessoas. Esses experimentos buscavam alternativas que levassem a vitória ou trouxessem vantagens na guerra, fosse desenvolvendo novas armas ou ajudando na recuperação de militares feridos. Anos se passaram  e esse fato histórico caiu em certo esquecimento e apesar de perverso foi um lado não tão escancarado da Segunda Guerra Mundial.

Se utilizando desse fato, J. J. Abrams nos entrega um sagaz ideia que une terror e suspense a um filme de Guerra com zumbis. O longa se passa no dia D na Normandia, quando ocorreu o desembarque de tropas em 6 de julho de 1944, na operação que da nome ao filme: “Operação Overlord”.

Na história, um grupo de soldados tem uma missão essencial para exito no desembarque dos militares, eles precisam derrubar a torre de uma  igreja que funciona de base nazista para interferência em  sinais de rádio. Mas durante a investida o local se revela um campo de pesquisas que usa cobaias humanas para criar um exercito geneticamente modificado a parti de um elemento retirado do solo local.

De imediato somos inseridos na dinâmica da guerra. O longa tem uma rápida introdução que adentra em uma cena alucinante de combate aéreo, este comina na chegada dos soldados ao vilarejo onde se passa todo o restante do a história. Para um desavisado que acreditava que assistiria um filme de terror convencional, o inicio confunde quando entrega mais de ação e táticas de guerras e nada de que remeta propriamente ao suspense ou terror com zumbis.

O clima de suspense é inserido de forma sorrateira, e quando nos damos conta já não estamos mais apenas em um filme exclusivamente de guerra, e até uma criança que aparece de repente, vinda de fora do quadro consegue nos assustar. Os contornos da trama começam a ficar definidos, assim como a personalidade de cada personagem nela.Entretanto este não é um terror essencialmente de susto, a direção e o roteiro buscam criar  mais momentos tensos, do que se utilizar de jump scare.  Em poucas cenas a famosa câmera subjetiva é utilizada e grande parte das cenas tensas do filme resultam em momentos de ação após a criação da expectativa.

O cenário de uma vilarejo dentro da guerra é bem criado, temos estruturas que retratam com fidelidade a época e região em que o filme se passa. O bizarro laboratório que revela os experimentos nazistas salta aos olhos e e resultam em sensação de repulsa e horror. A maquiagem não deixa a desejar ao criar zumbis tenebrosos.

O maior clichê  se encontra no protagonista, Boyce (Jovan Adepo), o típico mocinho fraco de bom coração. Inserido em um cenário de guerra e horror ele se choca mas não foge dos  seus valores. E pra ficar mais óbvio, ele se apaixona pela mocinha, mesmo que os sentimentos não fiquem claros. Podemos chamar de um clichê funcional e notamos isso nos demais personagens, sendo eles no geral rasos e comuns, mas se vendem com as boas atuações. Destacam-se Wyatt Russel como Ford, John Magaro com Tibbet e Mathilde Ollivier como Chloé.

A direção de  Julius Avery  é segura e consegue misturar estilos de filmagem de  guerra e do suspense, equilibrado-os durante o filme. Enquanto o roteiro se destaca por prender muito bem os pontos mesmo usando facilidades para que a história flua,a típica  boa dose de sorte para os mocinhos.

No geral o filme se destaca não por ser uma obra prima, mas por sua premissa sair do senso comum, além de não cometer deslizes técnicos. É criado sob um cenário de guerra uma ficção tenebrosa, mas que possui base na  realidade. Os Zumbis emOperação Overlord são apenas detalhes imersos no retrato de algo que um dia já foi cometido durante o horror real da guerra.

Crítica: Operação Overlord
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