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CríticaFilmes

Crítica: Os Guardiões

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
1 de setembro de 2017 3 Mins Read

Ao final da sessão de “Os Guardiões” nos perguntamos o motivo da sua existência. A versão russa de “Os Vingadores” poderia funcionar como uma sátira ao famoso supergrupo; com a formação de heróis europeus em contrapartida à massiva presença dos americanos. Mas, infelizmente, o filme se leva a sério e tenta criar uma franquia cinematográfica para, na cabeça de seus idealizadores, competir com seus primos ricos da américa. A Rússia se destaca mundialmente pelo seu cinema de arte, que faz sucesso em festivais importantes, sendo em “Os Guardiões” uma das poucas vezes que algo mais pop é produzido no país.

Quando os filmes da Marvel começaram a pipocar nas telas, o gênero super-heróis se tornou a grande pedida de Hollywood para gerar lucros. Já foram produzidos tantos exemplares que fica difícil algum deles fugir dos clichês intermináveis e das tramas genéricas. Então, já que não há mais o que ser contado, o melhor é investir pesado nos efeitos visuais. Histórias vazias em capas extremamente bonitas e bem-feitas. Mesmo personagens icônicos dos quadrinhos não estão conseguindo transportar para o cinema suas auras inovadoras de décadas passadas. Mesmo neste cenário, alguém teve a “grande” ideia de fazer mais um filme de super-heróis, ainda por cima, falado em russo e com atores que possuem nomes impronunciáveis (pelo menos para quem não mora naquela parte do globo).

Já nos desculpando com os roteiristas que podem ler esse texto, usaremos a palavra “trama” apenas como fator ilustrativo. Ela (a trama) gira em torno de quatro pessoas que são submetidas a experiências genéticas durante a guerra fria e ganham habilidade especiais como resultado. Um deles pode manipular concreto, outra fica invisível, há o do tele transporte e o metade homem – metade urso. Além dos quatro, há o cientista que também é afetado pelos experimentos e se torna o grande vilão da história. Os heróis são reunidos de forma rápida por uma espécie de Nick Fury feminina, porque o cientista louco perdeu o controle e quer dominar o mundo. Quando dissemos que eles são reunidos de forma rápida, foi na forma literal mesmo, já que o filme possui uma hora e vinte e oito minutos de duração, o que evidentemente retira qualquer possibilidade de aprofundamento dos personagens.

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Se Hollywood passou a investir em efeitos visuais para suprir a falta de ideias, o mesmo não pode ser dito dos responsáveis por “Os Guardiões”. Em uma sequência ou outra eles são até satisfatórios, mas na maior parte da projeção são tão vergonhosos que fazem corar qualquer cineasta de filmes B da década de noventa – provavelmente o orçamento foi se esgotando e os efeitos foram junto.

A direção de Sarik Andreasyan não ajuda para atenuar a escassez de qualidade técnica, já que é quase amadora. Então, quando um personagem tem que dizer algo que soe heroico, ele vira a cabeça para fora do enquadramento enquanto a música se torna estridente. Andreasyan não consegue gerar nenhum tipo de estrutura para seus personagens, tornando-os apenas arquétipos mal feitos que desfilam na tela. A direção em algumas cenas de luta não é desastrosa – como a que apresenta o personagem que se tele transporta – pois traz um certo grau de originalidade em sua coreografia, o que não salva todo o resto do pastiche. A condução de atores é inexistente, com atuações dignas das piores telenovelas. Não resta muito mais o que dizer sobre “Os Guardiões” além de enumerar as enormes falhas em sua concepção, o que tornaria esse texto extremamente cansativo. Se alguém quer ir ao cinema para dar boas risadas com uma produção ao estilo Ed Wood, aqui encontrará uma boa pedida.

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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