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CríticaFilmes

Crítica: Pai em dose dupla

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
22 de janeiro de 2016 3 Mins Read
Crianças adultas

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Todos os anos centenas de filmes classificados como comédia assolam o mercado do cinema mundial. Algumas dessas comédias, extremamente exageradas, conquistam um boa fatia do público que curte o tipo de filme. Em outros casos, em quantidade bem menor, aparecem produtos com roteiros mais inteligentes, narrativa estruturada e uma direção segura. E, também, existe o caso de filmes como “Pai em dose dupla”, que fica no meio termo entre esses dois estilos.

O filme, estrelado por Will Ferrell e Mark Wahlberg, traz a disputa entre um pai biológico e o adotivo pela atenção da mesma família. Enquanto Brad, trabalha como executivo de uma rádio e faz de tudo por sua esposa Sarah e pelos filhos adotivos, tentando criá-los de forma justa, Dusty reaparece como uma espécie de super-pai, focando em fazer da diversão uma garantia para os filhos. Com isso, Brad acaba precisando aprender a fazer a diferença em uma briga praticamente injusta.

Produzido por Will Ferrell, Adam McKay (que está concorrendo o Oscar como melhor diretor esse ano por “A Grande Aposta”), entre outros, o filme tende a ser um grande sucesso familiar, principalmente dentro dos Estados Unidos e aqui no Brasil (uma vez que nosso país faz crescer cada vez mais oportunidades para filmes cômicos e o publico apoia lotando os cinemas).

O roteiro, escrito por Brian Burns, Sean Anders e John Morris, embora cumpra o seu objetivo com diálogos engraçados conectados a uma sequência de acontecimentos hilários e surreais, possui diferentes falhas estruturais no centro de sua narrativa, deixando a história consideravelmente fraca até um final bonitinho.

Com uma direção ágil e bem definida, trabalhada por Sean Anders, o filme até consegue se manter esperto durante diversas cenas. Contudo, sofre um engasgo crucial no mesmo patamar do roteiro, no meio da história, impedindo o desenvolvimento do mesmo com facilidade. Nesse ponto, a química existente entre o elenco preenche alguns erros e fornece energia suficiente para a produção se transformar completamente e seguir até o final.

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Will Ferrell, ao interpretar o carismático Brad, nos faz lembrar de seus melhores personagens desde que começou, com olhares específicos e trejeitos particulares, é difícil não enxergar determinadas realidades em sua atuação. Já Wahlberg, coloca em Dusty a vestimenta do típico machão – algo que sempre esteve acostumado a viver. Entretanto disputa com facilidade as cenas com os outros atores. Todavia, é importante chamar a atenção para o coadjuvante Hannibal Buress, na pele do ajudante Giff, que consegue com poucas falas tornar suas cenas mais interessantes que muitas outras.

Fotografia, direção de arte e figurino, coincidem com clareza em um trabalho simples e aceitável. Um certo charme pode ser visto através de um recorte entre um estilo mais retrógrado, um teor vintage, e um conceito mais moderno, criando uma barreira de épocas entre as personagens.

Com ingredientes perfeitos para agradar diferentes pessoas, efeitos bem trabalhados e muita diversão, independente da falha no roteiro, “Pai em dose dupla” consegue garantir muitas risadas e, por assim dizer, a sua ida ao cinema. E isso sem exagerar no contexto comédia.

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Tags:

CinemaComédiaMark WahlbergParamount Pictures

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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