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Crítica

Crítica: Paterson

“Às vezes uma página em branco é o suficiente para novas possibilidades.”

O que dizer do filme “Paterson”? Uma fantástica obra cinematográfica feita para quem escreve, lê, gosta e irá gostar de poesia, enfim, um filme que é pura poesia!

Dirigido e escrito por Jim Jarmusch (“Flores Partidas”, 2005 e “Amantes Eternos”, 2013), narra a simples e monótona história de um motorista de ônibus (coincidentemente protagonizado por Adam Driver) chamado Paterson, que vive na cidade de Nova Jersey que traz o mesmo nome.

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Casado, ele mora com uma jovem e sonhadora artista plástica, Laura, interpretada por Golshifteh Farahanie e seu cachorro Marvin. A história toda se desenrola em sete dias de uma semana comum, mostrando a rotina de um motorista apaixonado por poesias e que arrisca escrever alguns versos em seu “caderno secreto”.

O mais interessante é perceber que, apesar de mostrar detalhadamente todas as repetições da vida comum do casal, consegue demonstrar a beleza do amor que os dois tem um pelo outro através de gestos pequenos, mimos e concessões do dia a dia.

Com uma bela fotografia, tenta reproduzir a vida na cidade de Paterson e tem como pano de fundo o trajeto percorrido pelo ônibus, a casa decorada exclusivamente pela mulher, o bar frequentado por Paterson e as belíssimas cascatas de Passaic River, que também serve como inspiração para o personagem. É possível perceber a delicadeza do filme em mostrar o gosto de Laura pelas cores branca e preta, e a forma como brinca com elas em suas produções, que por sinal, também são inspiradoras.

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A trilha sonora não deixa de ser simples e ao mesmo tempo bela, já que traduz o sentimento dos personagens, com um tom de jazz ao fundo quando o cenário é o bar, nada de extraordinário, mas que dá um toque de requinte à obra.

Chama atenção a forma como o filme exalta a cidade, mostrando não só a sua rotina, mas seus pontos turísticos, artistas e personalidades que saíram ou passaram por ali, de forma que desperta o interesse por conhecer pessoalmente o local. É quase uma propaganda camuflada de Paterson.

A coincidência é algo que predomina, mostrando que muitas coisas que se repetem na nossa rotina nem sempre são à toa e há sempre uma explicação, num misto de comédia, drama e romance.

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Mas, o que mais impressiona no filme é a forma que Jarmusch consegue transmitir ao expectador o desejo por ler e escrever poesia de forma tão simples, mostrando que para esta arte não se faz necessário grandes feitos, que a poesia não obrigatoriamente precisa ser rimada, simétrica e inspirada em eventos raros. O segredo é saber olhar o mundo e sua simplicidade com outros olhos. Cabe, aqui, ressaltar que os poemas que aparecem são de autoria de Ron Padgett.

É um filme que inspira e encanta! Para quem acha poesia uma chatice, talvez pense o mesmo ao assisti-lo, mas para quem a ama, é impossível não sair desejoso de escrever e poetizar depois de apreciá-lo. Super recomendado.

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Reader Rating1 Vote
10
9.5
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Ela é jornalista, mãe, esposa e muito feliz, ama ler, escrever e aprender cada vez mais, além de ser apaixonada pela Língua Portuguesa. Já fez e faz de tudo um pouco nesta vida, por isso mesmo, ela diz: "tamuaí" pra tudo!

2 Comments

2 Comments

  1. Lorena Freitas

    16 de abril de 2017 at 23:17

    Realmente saí dá sala querendo escrever poesias… Um filme lindo e gentil! ❤

    • Fabiana Moura

      17 de abril de 2017 at 16:46

      Que bom que tenha gostado Lorena, e que não fique só na vontade, ponha toda a poesia para fora!!

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