Nosso primeiro Portrait começa com um artista muito simpático. Ele é ator, diretor, professor e está em cartaz com a peça Guerra Doce. Mineiro, da cidade de Miradouro, ator desde os 11 anos, ele já tem mais de 100 peças e 20 novelas no currículo. E, hoje ele está aqui para nos contar um pouco sobre a sua vida profissional e também pessoal. William Vita, abra o livro e, prepare-se, pois vamos fazer um Portrait com você!

Aimée: Andei pesquisando, descobrindo um pouco mais sobre a sua vida. Você começou no teatro bem cedo. Soube que você era tímido e gago. O ator internacional Bruce Willis também sofria desse mesmo problema, o que foi um dos motivos que o levou para a vida artística. Como ele, essa também foi a sua intenção?

William: Na verdade entrei nessa vida por um grande acaso! Ia de bicicleta pra escola, Colégio Raja Gabáglia, em Campo Grande, Rio de Janeiro. Um amigo me pediu uma carona depois da aula, já que tinha apenas 20 minutos pra terminar um teste pra um negócio de teatro! (rs) Fui levá-lo. Não havia quem fizesse o teste com ele e fui “intimado” pelo cara que estava encabeçando o teste a, pelo menos, ler o texto. Séculos depois eu topei! Não queria porque era gago e só ia atrapalhar meu amigo (kkkkkkkk) Resumo da ópera: eu passei e ele, não! (kkkkk)

Aimée: Vendo você atuar e conversando com você, nota-se que não é mais gago. Enfim, o teatro, então, te ajudou nisso?

William: Claro! Tem toda e qualquer “culpa” nesse processo. Entendem o porquê de fazer teatro é a maior terapia do mundo?

Aimée: Você já fez várias peças, novelas e filmes. Dentre todos os trabalhos feitos, qual você considera inesquecível?

William: Cara, é complicado você escolher entre vários filhos qual é o melhor ou inesquecível. Pontuo grandes sucessos, como quando fiz o Aranha, em Tropa de Elite 2 e o Ramón de Avenida Brasil. No teatro, sou apaixonado em fazer O Auto da Compadecida. Já foram 8 montagens! (rs) Mas, estou completamente apaixonado pelo processo e produto final de Guerra Doce.

Aimée: Agora, aquela perguntinha tradicional. Qual é a sua paixão? Tv, teatro ou cinema? Por quê?

William: Minha paixão é atuar! É estar respirando a arte de interpretar. Sempre digo: precisamos fazer teatro, temos de fazer televisão e merecemos fazer cinema. O primeiro por ser a base de tudo. TV para promover, vender, o seu talento pro mundo. E o último pelo prazer em unir as duas últimas artes em uma só; um processo delicado e com mais tempo na criação, colocando “à venda” sua imagem pra sempre!

Aimée: Você tem uma escola de atores chamada Academia Vita de Atores. Como surgiu a ideia?

William: Sou professor formado em Letras (Português/Inglês/Literatura) e Mestrado em Educação com ênfase no Meio Ambiente. Dei aula desde os 18 anos. Sempre amei estar diante de um quadro e educando, tendo o teatro como pano de fundo. Há 8 anos, no mês de maio, não me pergunte o porquê, pedi demissão de tudo!! (kkkkk) Sei lá! Fui em todas as escolas e “pedi pra sair”. (rs) Me vi em plena segunda, deitado no meu apê em Copa, olhando pro teto. Não consigo ficar parado. Fui atrás de uma sala e acabei achando uma perto do meu prédio, na Nossa Senhora de Copacabana, onde estou até hoje e é a sede da Academia. Nem sabia o que fazer, mas comecei com 5 alunos e nada no bolso (já que “emprestei” todo o dinheiro da rescisão de contratos e perdi tudo! (kkkkkk) Tomei!!) Só queria fazer o que sempre amei. Hoje são três unidades no Rio (Copacabana, Jacarepaguá e Campo Grande) e sucursais em Campinas e São Paulo. Só falta ficar rico! (kkkkkk)

Aimée: O que você sempre fala para seus alunos, que eles nunca devem esquecer durante a carreira? Existe algum ensinamento especial do William Vita? (Risos)

William: Parafraseando Stanislavisk: “Ame a arte em você, e não você na arte!” Outra: “O único lugar em que o ‘sucesso’ vem antes do ‘trabalho’ é no dicionário.” Mais: “Pense, que a câmera capta.” E, por último: DIVIRTA-SE!

Aimée: Você fez a novela Os Dez Mandamentos há pouco tempo! Ela foi considerada uma das melhores novelas que a Record produziu. Como foi participar de uma superprodução tão esperada e tão falada?

William: Ainda estou fazendo! (rs) Acabei de chegar de mais um dia de gravação e vi seu email! (kkkk) Faço o Jambres, um dos magos chamado pelo Hamsés para provar que Moisés não passa de uma farsa. Está sendo um grande prazer. Produção muito bem cuidada, profissionais da mais alta categoria, clima das gravações sempre alegres e pessoas se divertindo no trabalho. Tudo certinho! Só podia dar nisso: um grande sucesso! E um furo de reportagem pra você: hoje fiquei sabendo que a novela, que terminaria em setembro ou meados de outubro, terá vida longa! Pelo menos mais dois meses! Eeeeee!! (rs)

Aimée: Vamos falar de Guerra Doce! O que o fez levar essa peça aos palcos do Rio? E qual é a mensagem que ela nos passa?

William: Fui levado! (kkkkk) Tem um grande cara chamado Edu Porto (uma das pessoas mais bacanas, mais honestas, mais alto astral, mais lindas que já encontrei em toda a minha vida!), que entrou em meu curso e, depois de algum tempo, veio com essa ideia de escrever uma peça sobre o tema da AIDS. Estou falando de 7, 8 anos. Achei “legal”. Ponto! Anos depois ele sempre me convidava pra ler as primeiras linhas, pra ver o que eu achava. Depois, Edu tentou produzir e mostrar seu trabalho. Não vingou! Foi então que começou meu drama! (rs) No início deste ano, ele me “obrigou” a fazer a peça com ele. Ordem de amigo, depois de várias tentativas, não tem como recusar! (rs) Foram quase quatro meses de madrugadas dando suporte na reorganização da ideia, na trilha sonora, nas gravações dos videos, edição, sonorização, criação de logo, fotos, contra-regragem, iluminação e, por último, a minha entrada no palco pra dar vida ao Gustavo (um grande presente). Que trabalho MARAVILHOSO esse cara, chamado Edu Porto, tá me proporcionando. Há muito que não me envolvia de corpo e alma em um trabalho tão digno e bonito. E como sempre tem de ter a tal cereja do bolo, ganhamos a companhia de uma grande profissional: Kel Braga, que também caiu na asneira de aceitar o convite e se juntou a todo esse processo de “encontro de almas” (e que também foi minha aluna de interpretação. Tô ficando velho! kkkkkk).
Acho que a mensagem que Dudu pensou, eu dirigi e nós três demos vida, é a que eu tenho tatuado em mim, uma frase minha: NUNCA PEÇA “LICENÇA” PARA VIVER.

Aimée: Aproveitando o embalo, como é dirigir e atuar ao mesmo tempo?

William: Não vejo dificuldade desde que você tenha uma equipe em que acredita, que seja profissional! É como você preparar seu almoço pra você comer. Tem de ser aquilo que lhe agrada, que lhe dê prazer. Mas é sempre bom ter alguém de fora (assistente de direção e amigos de palco) pra te dizer se aquela comida que você preparou pode te fazer mal ou não! (kkkkkk)

Aimée: E para finalizar, quem é o William Vita fora dos palcos e das telinhas?

William: Cara, não sei fazer nada a não ser trabalhar! Faço isso todos os dias, inclusive aos domingos (que tem aulas na unidade de Jacarepaguá) e feriados (viajo pra dar Workshop de TV e Cinema pelo País). Não sei o que são férias há quase 20 anos. Pra ser muito sincero, quando entro em meu apê, hoje moro no Recreio, descubro coisas novas em casa. Nem eu lembro direito como minha casa é! (kkkkkk)

E para finalizar, o nosso Portrait do William! 🙂

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Aimée Borges

Aimée Borges gosta de dançar ao vento, beber água gelada e sorrir para Lua. Apaixonada por contos e fadas, deixa-se levar por sua curiosidade que a transporta para um mundo ainda mais louco que o da Alice.

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