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Crítica

Crítica: Resgate

Imagem: Divulgação/Netflix

Imagem: Divulgação/Netflix

Saídos diretamente das últimas produções do universo Marvel, Chris Hemsworth (Papel principal e produção), Sam Hargraves (direção), Joe Russo (roteiro e produção) e Anthony Russo (produção) se juntaram para fazer “Resgate”, um filme de ação acelerado, para a Netflix. Baseado na  graphic novel Ciudad” dos próprios irmãos Russo, a história é sobre Tyler Rake (Hemsworth), um mercenário atormentado que precisa resgatar o filho de um traficante indiano, sequestrado por outro traficante de Bangladesh. Para o feito, Rake terá que enfrentar policiais e soldados corruptos em uma superpopulosa cidade. Mesmo com o apoio de outros mercenários e da responsável pelo comando da operação, Nik Khan (Golshifteh Farahani), a missão é extremamente perigosa, principalmente na hora de fugir da cidade.

É nesta fuga e não no resgate que as quase duas horas de duração do longa são gastas, deixando que Hargraves brinque um pouco na direção para criar uma miscelânea de tiros, explosões e mortes. O diretor, inclusive, põe em prática o estilo de lutas seco e violento aprendido com David Leitch, com o qual trabalhou como dublê no filme “Atômica” de 2017, e até mostra conhecer o cinema internacional ao praticamente emular cenas de “Cidade de Deus”, se aproveitando dos garotos pobres de Bangladesh – que se tornam criminosos nas favelas esquecidas pelo poder público. Portanto, o icônico take de Fernando Meireles, que coloca uma linha de crianças maltrapilhas apontando suas armas para a câmera, aparece durante o segundo ato. Analisando cruamente, são cenas bem executadas, mas, por outro lado, causam aquela sensação de déjà-vu um pouco desagradável.

No entanto, não é só de referências que vive o cineasta estreante em longas-metragens, ele também faz aquilo que todo cinéfilo gosta de ver em um filme: um plano-sequência bem ensaiado. Está certo que se trata de um plano-sequência falso – os olhos mais treinados perceberão onde os cortes foram inseridos – porém, sua execução é tão apurada que é impressionante ver a câmera seguir ininterruptamente os personagens quando esses começam a sequência em uma perseguição de carros que continua com eles a pé em uma batalha nas ruas e em prédios residenciais, e acaba em outra perseguição de carros. São um pouco mais de dez minutos em que a câmera entra e saí de veículos (ou corre do lado desses) sobe e desce escadas, e pula de prédios sem a sensação de cortes.

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Ironicamente, é pelo fato de ser tecnicamente perfeito que esse plano-sequência evidencia que “Resgate” foi feito por pessoas bem preparadas para desenhar e coordenar a ação e a aventura, e não por especialistas em desenvolvimento dramático, porque não conseguem tirar dele algo impactante ao espectador no sentido emocional, limitando-se ao gozo visual. Por isso que é na figura de Chris Hemsworth que está depositada a tentativa de humanizar um pouco a trama, mesmo que seu personagem seja um assassino que trabalha por dinheiro. Afinal, ele interpreta um homem que perdeu o filho e que agora precisa salvar o filho de outro, lembrando ao espectador que aquilo não é apenas um filme de ação sem propósito. É como se o roteirista gritasse: meu texto é, acima de tudo, sobre paternidade! Infelizmente, o amado astro e as intensões superficiais do roteiro são insuficientes frente ao fascínio pirotécnico demonstrado pelos realizadores.

Vídeo e Imagens: Divulgação/Netflix

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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