Crítica: Romeu e Julieta

A história de William Shakespeare, Romeu e Julieta, ganha uma versão musical inédita e invade o palco do Teatro Riachuelo. Com direção de Guilherme Leme Garcia (Um Pai -Puzzle), adaptação e roteiro musical de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche, o espetáculo é composto por incríveis músicas do repertório de Marisa Monte, como “Amor I Love You”, “Não vá embora” e “Um Só”, que ficou conhecida através do projeto Tribalistas.

A mais nova produção da Aventura Entretenimento, em parceria com a Leme Produções Artísticas, ousa mesclando um clássico da literatura estrangeira com músicas atuais, mas é muito feliz em suas escolhas. Arranjos belíssimos que tornam essa fusão algo fluido e encantador. Só perde um pouco a fluidez da mistura em algumas poucas exceções, mas ainda assim, traz um frescor e despertam sensações e emoções maravilhosas no espectador.

De uma poesia gritante, a cenografia assinada por Daniela Thomas e o desenho de luz de Monique Gardenberg e Adriana Ortiz, causam aquele efeito “own” que toda boa história de amor bem contada costuma causar, mas também impulsionam os momentos de tensão que o espetáculo trágico pede. Um cenário que se movimenta com auxílio dos próprios atores e se transform modificando a cena, gerando e mantendo curiosidade na plateia que se mantém atenta do início ao fim.

O figurino de João Pimenta e o visagismo de Fernando Torquatto são um espetáculo quase à parte pela riqueza de detalhes e dos materiais utilizados. Destacamos os penteados com dread locks e black power que são lindíssimos e complementam esteticamente a cena, além de trazer um ar mega atual e de representatividade para a montagem.

Divulgação

Por falar em representatividade, não poderíamos deixar de falar na escolha do elenco, que mistura maravilhosamente atores negros e brancos e, diferente do que se costuma ver em outras peças, os negros não foram colocados em papéis de subserviência. Ao contrário disso, a direção e o trabalho dos talentosos atores, consegue mostrar toda potencia e força dos personagens ali representados sem que o tom de pele seja uma questão. Uma Julieta negra? Porque não? É algo extremamente necessário para quebra de paradigmas artísticos e estigmas sociais. Mais uma vez a arte consegue se mostrar primeiro e cumpre seu papel quebrando tabus e preconceitos, que já não deveriam mais existir, porém insistem em se manter vivos ainda hoje na arte e na vida.

Ainda sobre o elenco, destacamos aqui o trabalho da atriz Barbara Sut (Rio Mais Brasil – O Nosso Musical, O Mambembe), que dá vida a Julieta, e nos brinda com uma potência vocal absurda e, em muitas canções, se aproxima do timbre de voz da própria Marisa Monte. Apesar de algumas partituras corporais nas mãos propostas acabarem se repetindo em demasia e acabarem se tornando cansativas, a sintonia com o ator Thiago Machado (Cazuza, Rent, Rocky Horror show, Cantando na Chuva) que interpreta o Romeu, funciona e consegue cativar o público. Ícaro Silva ((Rock in Rio – O Musical, Simonal, Elis, a Musical) esta, mais uma vez, em uma performance excelente, propondo um Mercuccio lânguido e irritante, mas, ao mesmo tempo, que causa empatia e alívios cômicos ao logo de sua trajetória. O rapaz juntamente com Claudio Galvan (Família Addams, Garota de Ipanema – O Amor É Bossa), o Ftei, e Stella Maria Rodrigues (Cristal Bacharat, Cazuza, Emilinha), a Ama, conseguem brincar com a dramaturgia de Shakespeare e torná-la mais natural e dinâmica aproximando o texto rebuscado do espectador.

Outro ponto alto da encenação são as lutas  com espadas reais que geram fascínio e a tensão necessárias tanto no espectador quanto nos atores. É quase uma dança orquestrada por Renato Rocha que prende a atenção e que potencializa o conflito que esta sendo mostrado e falado.

O espetáculo segue em cartaz no teatro até dia 27 de Maio e você não pode perder!

Confira nossa agenda aqui.

Crítica: Romeu e Julieta
8.5Pontuação geral
Votação do leitor 7 Votos
7.0