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CríticaFilmes

Crítica: Skate Kitchen

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
6 de novembro de 2018 2 Mins Read

Skate Kitchen 1A prática do skate, bem como outros esportes radicais, é comumente ligada ao gênero masculino. Essa é uma visão que é tida e estimulada desde a infância, quando rosa é associado às meninas e o azul aos meninos, bem como os presentes dados nessa fase da vida. Meninos, por exemplo, costumam receber bolas de futebol, enquanto meninas tendem a ficar com bonecas, o que gera uma visão introjetada desde muito cedo nos indivíduos sobre quais devem ou não ser suas preferências. De um modo ou de outro, essa é uma concepção que tem sido questionada cada vez mais na contemporaneidade, mostrando o quão tênue e complexa é a definição pelo que se conhece como gênero.

“Skate Kitchen”, filme exibido na mais recente edição do Festival do Rio, dialoga o tempo todo tais discussões, mas vai ainda além disso. O foco da narrativa é em Camille (Rachelle Vinberg), adolescente cujo hobby favorito é andar de skate, mas que recebe olhares tortos por isso e procura, assim, seu lugar no mundo. É conhecendo um grupo de meninas de Nova York que há uma grande mudança em sua vida, já que é a partir desse episódio que ela se relacionará com pessoas novas, conhecerá lugares novos e também passa a ter nova visão acerca daquilo que já existia em sua vida anteriormente. É nesse sentido que a categoria de coming of age faz sentido para Skate Kitchen, na medida em que a grande questão para o filme é o amadurecimento de sua protagonista.

Skate Kitchen 6

Há, dentro desse aspecto, uma ou outra falha por não conhecermos tão bem assim a personagem principal. Pouco se sabe sobre seu passado e pouco é explorado de sua relação com sua mãe, no entanto, a linha minimalista pela qual o filme segue suaviza esses pequenos problemas. A beleza está, no longa, nos pequenos detalhes, que aparecem na forma com a qual a trilha sonora muda ao Camille adentrar por Nova York pela primeira vez, por exemplo,  dentro de uma cena até então silenciosa. Aspectos da direção que se mostram também relevantes, nesse sentido, aparecem logo na cena de abertura. Vemos vários skatistas praticando em um local próprio para o esporte, mas não é possível identificar o gênero de quem é mostrado, visto que a câmera se mantém focada da cintura para a baixo dos jovens.

Assim, Skate Kitchen é atual em seu discurso e discussões, do mesmo modo que não chega a ser excessivamente complexo e nem prolixo no que se propõe. É a partir de algo simples que o filme alcança maiores alçadas, maiores destinos, sem perder o pé no chão e sua característica minimalista.

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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