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CríticaFilmes

Crítica: Teerã -Cidade do Amor

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
13 de novembro de 2019 2 Mins Read

Teerã Cidade do Amor 4Quando se fala em filmes iranianos, todo cinéfilo se enche de empolgação, afinal, o país é conhecido por sua excelência cinematográfica. Os filmes densos, que discutem temas caros para a cultura e para a sociedade são o grosso de sua produção. Claro que a visão mundial sobre o cinema do Irã é baseada nas obras exportadas por eles através dos festivais. Uma outra parte delas, no entanto, se mantém desconhecida. Por Isso, “Teerã: Cidade do Amor”, uma história com toques românticos, surpreende, já que trata de um tema não recorrente nas produções que o ocidente se acostumou a acompanhar.

Na obra dirigida por Ali Jaberansari, há um personal trainer que descobre sua homossexualidade, uma mulher obesa que trabalha em uma clínica de estética e procura um amante através da lista dos belos clientes do local, e um cantor de funerais passando pelo fim de um relacionamento. Todos eles são solitários em busca de um amor, mas são frustrados por certos padrões da sociedade ou mesmo pelo acaso da vida. Um dos padrões é o de beleza, que é determinante para que uma pessoa seja feliz no amor em uma sociedade refém da “perfeição” das celebridades. Alguém acima do peso não faz parte dessa sociedade idealizada, infelizmente.

O preconceito a um estilo de vida ou profissão – como o homem que canta em funerais e não tem uma personalidade simpática – e a uma opção sexual homossexual, são os outros obstáculos aos personagens que o roteiro do próprio Jaberansari, escrito junto com Maryam Najafi, impõe com toques de humor e bastante sensibilidade. Trata-se de um texto simples e direto, assim como a direção, que constrói toda a narrativa em planos mortos, sem nenhum movimento de câmera. Com isso, há a intenção de mostrar a monotonia do dia a dia e a falta de qualquer evento transformador no horizonte.

Teerã Cidade do Amor 5

Falando de vidas comuns, “Teerã: Cidade do Amor” faz rir e emociona em situações reconhecíveis para cada um que estiver sentado na plateia, mesmo que o retrato seja de uma cultura tão afastada e diferente como a iraniana. Independente se há uma forte presença religiosa tradicional controlando as vidas das pessoas no país, elas não deixam de sonhar com relacionamentos característicos e vendidos pelo mundo ocidental, e quando esses relacionamentos não se realizam, o que sobra é a tristeza de viver em um ambiente hostil aos diferentes.  O conformismo impera em mais um ótimo filme vindo da terra de Abbas Kiarostami.

* Este filme foi visto durante a 43ª Mostra de Cinema de São Paulo.


Imagem e vídeo: Divulgação

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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