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Crítica

Crítica: Thelma

“Thelma” é um filme quase que completo, mesclando romance, drama e muito suspense. A produção é escrita e dirigida por Joachim Trier (“Mais Fortes que Bombas” e “Oslo”) e está representando seu país, a Noruega, por uma vaga no “Oscar 2018” como melhor filme estrangeiro, e não é à toa!

A trama conta a história de uma jovem moça que vai estudar em outra cidade longe de seus pais e começa a descobrir sobre o mundo e a vida ao seu redor, já que, proveniente de uma família cristã, é privada de atividades comuns a jovens de sua idade, como frequentar bares, festas e distante do consumo de álcool, fumo, drogas e até mesmo de sua sexualidade.

Ao perceber o mundo à sua volta com suas diferenças e diversidade, começa a reconhecer-se como parte dele e tentar descobrir sua personalidade e quem é neste mundo, mesmo com a freqüente insistência de seus pais em monitorá-la em todos os seus passos fora de sua cidade.

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Assim, temos um filme que fala sobre sexualidade, homossexualidade, personalidade, autoconhecimento, doenças psíquicas, religião, sobrenaturalismo, liberdade e independência, tudo isto mesclado com um toque feminista.

Parece confuso ao pensar em reunir todas estas coisas em um lugar só, mas Trier soube enlaçar muito bem a trama de forma envolvente e com um ar de mistério e tons leves de terror que prendem a atenção do expectador em cada cena, mesmo essas contendo poucos diálogos e repleto de simbologias. Aliás, item esse que merece ser ressaltado:

Desde a primeira cena, já percebemos a simbologia do pai ao levar a filha em uma caçada, o cervo que foge ao perceber sua presença; o peixe preso ao rio congelado; os corvos que aparecem em várias tomadas, representando o “dom sobrenatural”; a cobra, representando o pecado do ponto de vista religioso; e as cores, claro, sempre presentes de forma a mostrar o sentimento vivido por cada personagem.

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Quanto aos personagens e cenário, se resumem ao ambiente familiar e escolar de Thelma, mas nem por isso demonstrando pobreza na obra, muito pelo contrário, este toque minimalista parece ser proposital para ressaltar o que mais importa no desenrolar da história: a personalidade da jovem, que aos poucos vai sendo revelada para o público e para ela mesma que não tinha este conhecimento de seu verdadeiro eu.

Por falar nisto, a interpretação de Eili Harboe (“A Onda”) como Thelma, não deixa dúvidas quanto ao seu talento ao representar cenas fortes, envolvendo temáticas tão polêmicas como a questão do sobrenatural e da homossexualidade, em contrapartida com a religião e a repressão do eu presentes na personagem.

A fotografia mostrando belas paisagens da cidade de Oslo e a trilha sonora surpreendem e são de grande valia para dar o ar de suspense à trama, usando de efeitos visuais impactantes e sons marcantes, deixando quem o assiste quase inerte e parte da história, características essas que permitem ao espectador permanecer na cadeira esperando pela próxima cena sem medo de decepcionar-se.

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Pode parecer confuso para quem não tiver muita paciência de encarar as quase duas horas de produção, porém é um filme que vale a pena assistir até o fim, já que traz nele reflexões sobre a vida, a importância de um verdadeiro autoconhecimento, questiona a forma como a religião e comportamentos tidos como “certos” são impostos e prejudiciais se não considerado o livre arbítrio e o direito de escolha de cada indivíduo.

O filme estará nas telonas no cinema a partir do dia 30 de novembro para apreciação do público, assim sendo, se você gosta de um suspense envolvente, não deixe de conferir essa super e perturbadora produção Norueguesa.

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Ela é jornalista, mãe, esposa e muito feliz, ama ler, escrever e aprender cada vez mais, além de ser apaixonada pela Língua Portuguesa. Já fez e faz de tudo um pouco nesta vida, por isso mesmo, ela diz: "tamuaí" pra tudo!

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