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Crítica

Crítica: Thor – Ragnarok

Mjölnir é destruído, Thor é jogado em um planeta desconhecido e Hela, a deusa da morte, passa a governar Asgard, tornando Ragnarok inevitável. Esses são os elementos que poderiam compor uma história trágica, mas “Thor: Ragnarok” vai por outro caminho e abraça o pastelão com todas as forças. O filme é mais um exemplar da interminável saga da Marvel nos cinemas e usa como referência “Guardiões da Galáxia”, esquecendo quase por completo os dois primeiros filmes do Deus do Trovão (há apenas uma fala que lembra uma personagem dos filmes passados).

A ligação com Guardiões é justificável, já que, pelo que se sabe até o momento, provavelmente será Thor o elo entre Groot e companhia com os Vingadores. Por isso, o design de produção foi desenvolvido com ambientes espaciais sucateados e com cores vivas em objetos enferrujados. O colorido das cenas também confere ao filme um ar de quadrinhos dos anos 1980. O longa dirigido pelo, até agora desconhecido, Taika Watiti é barroco e cafona na medida certa, para agradar os fãs do passado e também os novos espectadores, evidentemente.

Mesmo a forma de interpretação de Chris Hemsworth e Tom Hiddleston foi alterada. Os personagens ficaram menos sisudos e passaram a fazer piadas em qualquer situação, mesmo nas mais sérias. Hulk também é uma peça de comédia em algumas sequências de ação com Thor. O verdão desenvolveu uma certa inteligência e agora consegue dialogar ao invés de apenas esmagar. Inclusive, a luta entre Hulk e Thor, tão alardeada pelos trailers,  pode deixar algumas pessoas decepcionadas, pela forma breve e insossa com que é executada. Cate Blanchett entrega o que se espera de uma atriz de seu calibre, mesmo que seja apenas para fazer caras e bocas em meio à maquiagem e efeitos visuais. Há uma ótima participação de Matt Damon, que é provavelmente umas das melhores cenas cômicas do filme.

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Thor segue uma jornada de transformação, ou mesmo de aceitação. Nunca antes ele ficou sem seu poderoso martelo e agora precisa descobrir outras formas de derrotar uma adversária mais forte. O arco do personagem é trabalhado na sua busca e em questões familiares. A vilã Hela é sua irmã, seu irmão Loki nunca é totalmente confiável e Odin está desaparecido, por isso, há aqui uma certa construção de senso de responsabilidade, de tirá-lo de sua zona de conforto e fazer surgir daí o verdadeiro Deus governante que Asgart precisa. Nas mãos de Kenneth Branagh (que dirigiu o primeiro Thor) com certeza algo de peso Shakespeariano tomaria forma, mas com Taika Watiti a veia pop é o que interessa. Por isso, temos muitas referências aos “Vingadores”, a “Star Wars” e uma trilha sonora que quase estoura os tímpanos (Immigrant Song é tocada duas vezes).

O fato é que o desiquilíbrio de produção dos dois filmes antecessores não é visto aqui. Tudo que é arquitetado pelo roteiro e pela direção segue de forma orgânica até o final e é agradável de ver. Os espectadores percebem logo de início que o que será apresentado não precisa ser levado a sério de fato. Basta sentarmos na poltrona para presenciarmos batalhas com efeitos visuais dignas da qualidade recorrente da Marvel, o carisma de nossos atores preferidos e rir com as piadas que pipocam na tela a cada frame. Talvez essa tão falada fórmula de fazer filmes que o estúdio possui seja alterada após o término dessa fase, mas no momento não é aconselhável mudar o time que está em primeiro lugar no campeonato ou, aqui nesse caso, em primeiro lugar nas bilheterias.

Obs: Há duas cenas adicionais: uma após os créditos principais, que possui alguma importância para a mitologia criada, e outra após todos os créditos, que não tem importância e é até mesmo sem graça. Por isso, se estiver com pressa de sair do cinema, não precisa ficar para essa última, não fará falta.

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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