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CríticaFilmes

Crítica: A Torre Negra

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
21 de agosto de 2017 3 Mins Read

440695.jpg r 1280 720 f jpg q xHollywood espreita Stephen King como um urubu na carniça. A fábrica de escrever livros que o autor se tornou o faz ser um dos que mais disponibilizam obras para adaptações cinematográficas. Sejam séries ou filmes, por muitas vezes nos deparamos com “baseado na obra de Stephen King” nos créditos. Usar livros do mestre do terror como base para roteiros é uma boa ideia, levando em consideração a quantidade de dólares que ele faz em vendas (que são gerados pelo abastecimento aos seus milhões de fãs espalhados pelo mundo). No entanto, às vezes, o tiro sai pela culatra. Isso por causa de produções que não conseguem traduzir o estilo do escritor para as telas ou que o altera de diferentes formas. O exemplo mais recente na TV foi a limitada e já cancelada “Under The Dome”. No cinema um que, surpreendentemente, não obteve a chancela de King foi o clássico “O Iluminado”, mesmo sendo uma obra prima da sétima arte e pertencente ao mítico cineasta Stanley Kubrick (aqui há algumas questões de discordâncias pessoais entre os dois que não cabem descrever neste texto).

A tentativa em 2017 de fazer dinheiro nas costas do pobre escriba do Maine é “A Torre Negra”. Mas, sinto dizer que não será dessa vez (mais uma vez) que veremos um grande filme vindo de um de seus escritos. O longa dirigido por Nikolaj Arcel (“O Amante da Rainha”) não é, de maneira alguma, deplorável, mas passa longe de ser algo relevante para a cultura POP ou mesmo de transpor a inventividade de King. Digo isso de forma geral, baseando-se em outros livros dele e em adaptações antes feitas, já que não li a série “A Torre Negra”. A história é tão genérica e breve em sua execução que poderia ter sido baseada em qualquer outro livro, menos em um de King.

Na trama há um feiticeiro poderoso chamado de Homem de Preto (Matthew McConaughey, canastrão) que viaja entre dimensões atrás de crianças com o poder de destruir a torre negra. Essa torre é o pilar que mantém todo o universo seguro contra os demônios do outro lado, ou seja, além do universo conhecido. O pistoleiro Roland Deschain (Idris Elba), é o último de sua classe e o único que pode tentar combater o feiticeiro. Ao encontrar a tal criança aqui na terra, a luta entre o bem e o mal tem início.

Literalmente há uma torre que é o alicerce para uma barreira invisível que separa nós e todas as outras dimensões do inferno. Junto a isso temos pistoleiros, feiticeiros e crianças com poderes telecinéticos. Todos esses elementos juntos em uma história só poderiam ter saído da mente de King. Bastava pegá-los e construir um filme a sua volta, mas os roteiristas preferiram ir pelo caminho mais fácil e que, na concepção deles, seria de melhor compreensão para o público em geral. Claramente as novas regras sagradas do cinema comercial e desenvolvidas pela Marvel foram seguidas aqui: o filme precisa ser menos sombrio e não mostrar violência ou questões psicológicas que não sejam resolvidas no intervalo entre dois cortes, além de vez ou outra fazer uma piadinha para descontrair. Então, ao espectador mais acostumado, fica claro que não haverá consequências realmente sérias para todos os personagens, e mesmo aquelas que são, possuem um verniz superficial que se sustentam por alguns minutos apenas. Tudo ficará bem com um bom abraço e um cachorro quente.

Tecnicamente o filme entrega o que já é habitual e obrigatório na Hollywood moderna: efeitos especiais competentes e cenas de ação barulhentas e bem coreografadas, apesar de serem clichês. O design de algumas criaturas e principalmente da torre negra são o que se destacam esteticamente, trazendo inspiração em suas concepções. Fotograficamente fica difícil analisar um filme desses, já que nunca sabemos o que foi realmente filmado ou o que é fundo verde, no entanto, julgando-se as cenas passadas na terra e apenas com atores, nada foge ao comum. A montagem é falha em alguns momentos ao conferir transições muito rápidas entre uma cena e outra e por não seguir o fluxo adequado da mise-en-scène. Em síntese, “A Torre Negra” é para aqueles que nunca botaram os olhos em nada do que Stephen King escreveu e que gostam de cenas de ação e momentos dignos de filmes de super-heróis.

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CinemaLivroRio de JaneiroSão PauloStephen King

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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