Crítica: Turma da Mônica – Laços

Imagem: Divulgação/Paris FilmesImagem: Divulgação/Paris Filmes

Gerações de crianças tiveram seu primeiro contato com a leitura através de gibis, os quadrinhos ilustrados de histórias fáceis sempre foram uma boa pedida para iniciar o gosto dos pequenos a leitura. Mauricio de Souza, talvez não tivesse noção do quão importante seria sua obra quando desenhou os primeiros traços dos personagens (no início para tirinhas no jornal) que viriam a ser a “Turma da Mônica”. Daniel Rezende, diretor de “Turma da Mônica: Laços” ainda não era se quer nascido nessa época, e, como várias das crianças brasileiras, de certo tinha gibis do quarteto que encantou e continua encantando gerações: Cebolinha, Mônica, Magali e Cascão.

A história escolhida para introduzir a “Turma da Mônica” em versão live action foi um grande acerto. O enredo traz uma aventura que remete a clássicos infantojuvenis oitentistas, e funciona muito bem para desenvolver os personagens. Na história, Floquinho, o cachorro do Cebolinha desaparece e as crianças precisam seguir pistas para encontrá-lo. As pistas as levam para o meio de uma floresta onde precisam se unir para juntos encontrarem Floquinho.

O encanto de ver esses personagens ganhando vida no mundo real, fica ainda maior devido excelentes atuações de  Giulia Benite (Mônica), Kevin Vachiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão). O quarteto possui sintonia em cena, a amizade do grupo soa natural. Além disso, os atores mirins conseguem atingir o tom de personalidade que remete com fidelidade os personagens dos gibis. E duas palavras que podem definir essas crianças são: Fofura e carisma.

A direção de Daniel Rezende (“Bingo: O Rei das Manhas”), se une ao trabalho da caracterização e da direção de arte que, com excelência, recriam os quadrinhos para o mundo real – tanto em questão de ambiente quanto no formato de realizar as ações. Um exemplo claro é a cena de perseguição, quando Cebolinha tenta roubar o Sansão em um de seus vários planos infalíveis, com direito a disfarces e perseguições como já vimos várias nos quadrinhos.

Outra questão muito interessante é como o Roteiro encaixa os vários personagens secundários, mas já conhecidos, dos quadrinhos sem precisar ser expositivo ao extremo, criando toda uma base do universo de Mauricio de Souza, agora nos cinemas.  As referências são bem colocadas no filme, principalmente quando se trata das homenagens ao cartunista, que estão presentes desde desenhos do cebolinha até uma surpresa no filme (Que é claro que não vamos falar, pois seria spoiler).

O lado lúdico da trama fica a cargo de uma das cena mais bem dirigidas do longa, o encontro entre Cebolinha com Louco (Rodrigo Santoro). Rezende usa de uma dinâmica de câmera, que nos faz perder os personagens de vistas e nos insere na loucura do personagem, assim como na confusão de cebolinha, ao mesmo tempo que o diálogo bem desenvolvido e a fotografia dão beleza ao momento.

Falando de fotografia, que belo trabalho é feito aqui! São lindos os planos abertos aproveitando as paisagens de cores vivas da locação, assim como as cenas na floresta com destaque para a que mostra os personagens caminhando em fila em uma tomada contra luz. A boa trilha sonora divide os momentos de aventura, emoção e ternura do filme, impactando principalmente quando quer emocionar.

Acima das expectativa, “Turma da Mônica: Laços” revigora o gênero infantil no cinema nacional por ser uma produção de qualidade, que conversa e consegue cativar todos os públicos – desde os pequenos até seus pais (que provavelmente também foram crianças que leram gibis da turma), fugindo do padrão costumeiro de produções infantis “bobinhas”. Existem sim problemas aqui, mas tão ínfimos que não valem se quer serem levantados, em meio a todos os acertos. Além disso, o longa consegue recriar um universo com amplas possibilidades de exploração, fazendo com que o anúncio de uma possível sequência não seja uma surpresa.


Imagens e vídeo: Divulgação/ParisFilmes

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