Crítica: Um homem fiel

Mais do que um simples galã, Louis Garrel é um homem do cinema. Puxou do pai, o conceituado Philippe Garrel, o estilo intimista de fazer filmes, mais focado nos relacionamentos do cotidiano. Louis agora apresenta “Um homem fiel”, um romance com pitadas de suspense que envolve o seu personagem Abel em um triangulo amoroso com Marianne (Laetitia Casta) e Eve (Lily‑Rose Depp), e que tem como espectador, além da plateia do cinema, o filho de Marianne, Joseph (Joseph Engel).  O filme inicia-se com Marianne terminando o relacionamento com Abel ao dizer que está grávida de um amante e pretende seguir a vida com ele. O amante em questão é Paul, amigo em comum dos dois.

A partir do término, Abel segue a vida lutando para esquecer do seu grande amor ao se relacionar com outras mulheres. Nunca consegue, já que continua mantendo-a em sua cabeça e, consequentemente, em seus sentimentos. Com a morte repentina de Paul, Abel se reaproxima de Marianne e começa um novo romance com a viúva. Se muda para o apartamento onde antes havia sido expulso e tenta se aproximar de Joseph, apesar do garoto demostrar que não gosta do novo homem da casa. A dinâmica é completa com a inclusão da bela Eve, irmã do falecido. A jovem possui um amor platônico por Abel e o quer de qualquer jeito, nem que tenha que ir, em suas palavras, à guerra.Construído com um leve tom cômico, pelo fato de Abel ser um bobalhão facilmente manipulado pelas duas mulheres e pelo garoto, o roteiro escrito pelo próprio Garrel e pelo mestre Jean-Claude Carrière possui alguns elementos de mistério: será que Paul foi assassinado pela esposa, como suspeita Joseph? O mesmo Joseph não gostava do pai e tinha com ele inúmeras brigas, podendo ter participado do crime. Ao compartilhar sua suspeita, pode estar apenas tentando confundir Abel, dizendo que a mãe é uma assassina que mata por envenenamento, e assim causar a separação do casal. O garoto parece ter intenções macabras ao revelar que pensa em matar Abel. Eve é outra que se mostra fora de controle com sua obsessão por um homem que nunca conheceu profundamente. Os pensamentos dos três adultos são expostos de forma aleatória em voice over durante a projeção, mas não entregam muito sobre as suas reais intenções.

Essas questões são subjugadas pelo romance e não ganham atenção da trama, ficando apenas na cabeça do espectador com mais imaginação. O que interessa são as diferentes formas de relacionamento e os caminhos que cada um toma. Em certo momento parece que se trata de uma história sem propósito, já que o suposto protagonista não evolui em seu arco. Ele se mantém estático, com cara de surpresa ao ver tudo que acontece a sua frente. Realmente é dominado por outra força, e essa parece ser de fato a protagonista: Marianne, aquela que o tem literalmente aos seus pés em uma cena no final do terceiro ato. Família é o que a interessa e isso ela consegue substituindo o falecido marido. Breve, tem apenas 1h15, por vezes aparenta ser vazio, mas direto. Assim é “Um homem fiel”.

Obs: Filme visto durante o Festival Varilux de Cinema Francês.


Imagens e Vídeo: Divulgação/ Supo Mungam Films

Crítica: Um homem fiel
6Pontuação geral
Votação do leitor 0 Votos
0.0