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CríticaFilmes

Crítica: Upgrade

Avatar de Oswaldo Marchi
Oswaldo Marchi
23 de agosto de 2018 3 Mins Read

Upgrade posterUm gênero cinematográfico que parecia já estar esgotado em 2018 é a ficção científica, principalmente por causa de uma grande quantidade de produções medíocres lançadas direto para serviços de streaming. A Blumhouse, produtora famosa por seus filmes de terror, decidiu responder a isso com “Upgrade”, um longa com temática e visual familiares, mas que impressiona por sua técnica e roteiro.

Dirigido e escrito por Leigh Whannel – conhecido pelos os fãs de terror como o roteirista da série “Sobrenatural” e dos primeiros “Jogos Mortais” –, o longa é sobre Grey Trace (Logan Marshall-Green), um homem antiquado que vive com sua esposa Asha (Melanie Vallejo) em um mundo que está descobrindo novas tecnologias. Uma noite, ao retornar para casa, o casal é atacado por um grupo de mercenários que assassinam a mulher e deixam o protagonista tetraplégico. Eron Keen (Harrison Gilbertson), o chefe de uma empresa de inovações científicas, convence Grey a testar STEM, um chip experimental que lhe dá de volta o controle de seu corpo, e, após o implante,  o convence a buscar vingança dos assassinos que mataram sua esposa.

Partindo dessa premissa, o roteiro de Whannel mistura ficção científica com body horror, investigação e ação, contando a história com um ritmo ágil e um humor negro pontual. Porém, um dos maiores acertos do script é a construção de um bom personagem principal e de um mundo crível, que é uma transição entre a coloquialidade do presente e a grandiosidade dos sci-fi, sem cair em crítica social rasteira. Isso não significa que ela não esteja presente, já que a comparação nada sutil de “viciados em Realidade Virtual” com usuários de drogas chega a ser canastrona e um pouco desnecessária, mas que se prova útil antes do rolar dos créditos.

Os próprios elementos científicos não são exibidos gratuitamente, sem impacto na trama – como o filme da Netflix “Mudo” faz -, mas sim incorporados na investigação de Grey. Sua presença no universo também é consolidada por um design de produção certeiro que representa bem o estado experimental e transitório da tecnologia. Desse modo, o carro automático da esposa do protagonista se destaca em meio a uma rua de automóveis comuns, assim como uma “mesa-computador” se torna um elemento estranho  em uma casa cheia de eletrodomésticos antiquados.

Esses designs são traduzidos para a tela através de uma mistura ótima de efeitos digitais com efeitos práticos, esses últimos que se destacam na maquiagem de implantes cibernéticos e nas cenas grotescas de assassinato. O visual do filme também é elevado pela fotografia vibrante de Stefan Duscio, a montagem ágil de Andy Canny e a direção precisa de Leigh Whannel, que é um destaque a parte.Upgrade 01

Durante as várias etapas da história, a câmera sempre acompanha a mobilidade do protagonista, portanto, quando o mesmo está confinado a uma cadeira de rodas os enquadramentos são distantes e estáticos, porém, após Grey fazer o implante, eles ficam fixos em suas costas – onde o chip foi posto – e imitam os seus movimentos. Isso é particularmente notável nas sequências de ação, quando STEM assume o comando do corpo e passa a se mover em velocidades extremas, com coreografias impressionantes, parecidas com algo visto em “De Volta Ao Jogo”.

Quem também impressiona é Logan Marshall-Green na sua interpretação do personagem principal, tanto pelo equilíbrio de tragédia e humor que consegue dar a Grey – o que é muito bem-vindo após produções como “TAU” e “Anon”, em que todos parecem entediados – quanto pela sua presença corporal. Após receber o chip que o cura, todos os seus movimentos se tornam robóticos e em cenas nas quais o computador assume, é possível ver seu corpo realizando uma ação enquanto seu rosto demonstra uma emoção completamente diferente.

“Upgrade” é uma agradável surpresa após a onda de mediocridade que assolou o gênero de ficção científica em 2018. Não é uma produção perfeita, já que seu roteiro tem reviravoltas bem óbvias e diálogos expositivos, mas a sua técnica e o seu conceito são bons e originais o suficiente para colocá-lo em um nível acima dos demais.

Reader Rating6 Votes
9.2
8

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Tags:

Ficção Científica

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Avatar de Oswaldo Marchi
Me siga Escrito por

Oswaldo Marchi

Publicitário formado no Rio de Janeiro, tem mais hobbies e ideias do que consegue administrar. Apaixonado por cinema e música, com um foco em filmes de terror trash e bandas de heavy metal obscuras. Atualmente também fala das trasheiras que assiste em seu canal do Youtube, "Trasheira Violenta".

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One Comment

  1. Avatar de Luquinhas Luquinhas disse:
    25 de setembro de 2018 às 13:46

    Seu canal no Youtube “Trasheira Violenta” é muito bom!

    Responder

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