Crítica: Te Peguei!

Em um passado não tão distante, antes da internet e celulares, a infância possuía outros tipos de entretenimento, e o esconde-esconde e o pega-pega eram os mais populares entre as crianças. Juntar todos do bairro para essas brincadeiras era quase uma tradição. Agora, imagine um grupo de amigos que, mesmo depois de adultos, continuam se divertindo com o pega-pega ou, como conhecido nos EUA, Tag. Claro que é fácil pensar que se trata de uma história inventada para o cinema, mas, “Te Peguei!” é baseado em fatos acontecidos com um grupo de homens que cresceram na mesma cidade e se reencontram durante os meses de maio, no decorrer dos anos.

Com um elenco recheado de comediantes carismáticos, o longa consegue manter o espectador interessado mesmo apoiado em uma premissa tão estapafúrdia. Ed Helms e Jake Johnson são os destaques no humor com suas reconhecidas capacidades de fazer rir com as situações ridículas que se metem, enquanto Jon Hamm faz graça com seu desconforto por causa dessas mesmas situações ridículas e Jeremy Renner se sai bem parodiando os super-heróis que interpretou. Destoando há Hannibal Buress com suas tiradas e falas sem graça na maioria das vezes, Isla Fisher que não possui um propósito na trama e Annabelle Wallis que é apenas uma espectadora chocada com tudo que vê.

No entanto, o que mais impressiona é o quão longe o diretor Jeff Tomsic foi para fazer com que seu filme parecesse um grande pega-pega filmado. A sua montagem é digna de um filme de ação, com cortes rápidos e movimentos de câmera ágeis (em um momento há até aquela câmera que fica presa no corpo do ator em contra plongée, usada frequentemente em perseguições). As cenas com o personagem de Renner são as mais bem executadas, pois se aproveita dos atributos físicos do ator em sequências de perseguição e luta. Mas, alguém pode se perguntar: porque diabos um filme de comédia sobre uma brincadeira de criança tem cenas de perseguição e luta? Bom, basta dizer que o já citado personagem de Renner é o grande campeão de Tag, nunca sendo pego por seus amigos. Isso porque possui varias habilidades que o transformam em uma espécie de agente secreto, daqueles que conseguem escapar de qualquer emboscada. Como o único que ainda não foi pego, ele se torna alvo obsessivo dos outros, que bolam planos mirabolantes para batê-lo e causam estragos em igrejas, hospitais e afins.

Logicamente que o roteiro não se esgota em mostrar apenas as numerosas tentativas de captura do grande campeão, e embute em todos esses momentos uma bonita menção ao sentimento de amizade entre aqueles homens. O fato de se encontrarem todos os anos, mesmo que, às vezes, de forma inesperada, mostra como um realmente gosta da companhia do outro, independente dos caminhos que suas vidas seguiram. Da brincadeira, surgiu um jogo elaborado, mas, é quando estão juntos, principalmente em uma sequencia no terceiro ato, que fica claro as suas reais intenções de não deixarem o passado para trás. Isso é comprovado pelo “quartel general” do grupo, que continua sendo no porão da casa da mãe de um deles. É certo que a identificação com esses personagens será imediata por parte dos espectadores, já que muitos tiveram seus grupinhos favoritos no passado e por vezes se perguntam como seria um reencontro para reviver as velhas brincadeiras. A ligação com o passado é constante em nossas vidas e boa parte dessas memórias é de quando estamos juntos com as pessoas que mais gostamos. Nossos amigos, mesmo aqueles que são melhores do que nós em quase tudo ou os que roubam a garota de nossos sonhos, merecem ser lembrados para sempre.

 

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