Crítica: Vende-se Esta Casa

Desde 2015, quando lançou “Beasts of No Nation”, seu primeiro filme original, a Netflix investe regularmente em longas-metragens. Entre as produções mais populares, figuram as do gênero horror. Nos últimos anos, exemplos como “O Último Capítulo” (I Am the Pretty Thing That Lives in the House, 2016), “Pequeno Demônio” (Little Evil, 2017), “Jogo Perigoso” (Gerald’s Game, 2017) e “A Babá” (The Babysitter, 2017) logo despontaram no catálogo do serviço de streaming. “Vende-se Esta Casa” (The Open House, 2018), estreia da última semana, aproveita-se dessa demanda, mas acaba por oferecer um resultado pouco satisfatório, muito inferior aos demais mencionados.

No início da trama, Brian Wallace (Aaron Abrams) sai para comprar ovos e morre atropelado, deixando muito pouco para sua família. Sua mulher, Naomi (Piercey Dalton), precisa, então, conter os gastos e aceita, após convite da irmã, mudar-se com o filho, Logan (Dylan Minnette), para uma casa à venda, onde se realizam semanalmente visitações – em inglês, “open house”, como no título original. Após perceberem acontecimentos estranhos, como barulhos vindos do porão e objetos fora de lugar, eles começam a suspeitar não estarem mais sozinhos.

A dupla estreante Matt Angel e Suzanne Coote assina tanto o roteiro quanto a direção. Se, na primeira função, falta organização, na segunda, não há clima. A narrativa pobre, repleta de diálogos engessados, soma-se à inabilidade de criar tensão e resulta em situações de comicidade não intencional. As patéticas tentativas de assustar o espectador, principalmente por meio de truques de montagem e som pouco criativos, nunca se conectam à história contada e mais parecem artifícios gratuitos. A genérica trilha musical, em especial, procura incessante e irritantemente induzir sensações em busca de um artificial suspense. Para piorar, a inexpressiva estrela teen Dylan Minnette – da série 13 Reasons Why – pouco contribui para adicionar camadas à sua rasa personagem, e os demais atores tampouco merecem elogios.

Do lado positivo, no entanto, o diretor de fotografia Filip Vandewal aproveita a oportunidade para mostrar suas habilidades. Vista muitas vezes de cima, a casa ganha uma certa imponência sob suas lentes. Enquanto Naomi e Logan começam a perceber que há algo de errado, a câmera perambula, conhece espaços inexplorados, sempre à procura de elementos estranhos. O fotógrafo aproveita-se, ainda, das grandes janelas e cria um competente jogo de luzes, oscilando entre a claridade da iluminação natural e as sombras das áreas mais internas. Apesar de seu trabalho acrescentar uma qualidade visual ao filme, entretanto, infelizmente ele nem sempre se conjuga aos demais departamentos; ao contrário, por vezes dissocia-se na busca desenfreada por destacar-se.

São filmes como “Vende-se Esta Casa”, por fim, que reforçam o preconceito da indústria cinematográfica em torno tanto do gênero terror quanto das produções originais Netflix. O novo lançamento da plataforma de streaming parece, antes de tudo, uma tentativa malograda de aproveitar seu protagonista, em alta após “13 Reasons Why”, em um projeto relativamente barato – o longa-metragem custou aproximadamente 100 mil dólares, segundo o IMDb -, porém sem as necessárias preocupações com a qualidade do conteúdo. O resultado, dessa forma, carece de um tratamento narrativo mais apurado, de uma direção sólida e de atuações consistentes. Deve, portanto, desapontar não só os fãs do horror e os fãs de Dylan Minnette, mas os fãs de cinema como um todo. A eles, o melhor conselho é procurar outra opção para assistir. As mencionadas no primeiro parágrafo, por exemplo, já oferecem alternativas mais interessantes.

*O filme está disponível para streaming e download na Netflix desde a última sexta-feira, 19.

* A Netflix Brasil não divulgou trailer legendado em sua página oficial no YouTube.

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