13 de dezembro de 2019

Uma das melhores animações japonesas de 2016

No início você pensa que é um “Se eu fosse você” japonês, mas então melhora, melhora e melhora. “Your name” mostra como uma história comum pode se desenvolver a extremos belos e profundos. O filme é dirigido, roteirizado e baseado no romance de Makoto Shinkai.

A história narra a vida de uma menina e um menino estranhos um ao outro que tem sua relação cruzada de forma inexplicável.

O começo nos mostra uma história comum aos brasileiros e também a outros tantos filmes norte-americanos: homem e mulher trocam de corpo. No entanto, isso é apenas uma isca para a leveza de um entretenimento. Quando menos se percebe, depois de uma justa medida introdutória, o verdadeiro enredo se apresenta e não é possível imaginar que tal filme estava contido dentro daquele. Tudo isso para depois tal profundeza aumentar, aumentar e aumentar.

A direção e a fotografia se focam, como muitas vezes nas melhores animações japonesas, no belo, com gráficos incríveis, mas também com a profundeza de um olhar. Devido às razões cósmicas da história, um olhar desolador é sempre posto oportunamente, mostrando tanto a pequenez do ser humano, mas também sua invisível e enorme conexão com o próprio universo.

“Your name” é uma história sobre o nosso mundo, porém é também sobre as mais simples relações que nós temos e como, de certa forma, estas são profundas sem sequer nos conhecermos. O padrão de uma moral de história seria: se colocar no lugar do outro. Mas toda a estética e história vão além de tal superfície. “Como ter empatia? Como ter compaixão? Como amar no mundo de hoje?”, parece ser uma  das questões levantadas.

O filme, apesar da qualidade e dos prêmios que recebeu, provavelmente não sairá para os cinemas brasileiros. Vale também dizer: apesar da ótima atuação/dublagem japonesa e a contínua ótima produção de bons roteiros para a tevê e cinema. Mas é oportuno sempre “desocidentalizar” nossa cultura também e mostrar que do outro lado do mundo se está produzindo coisas sérias, profundas e, ainda assim – o que pode soar contraditório a alguns- em animação.

Por Paulo Abe

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