“Eis uma lista de fantasias para Halloween permitidas e não ofensivas: um pirata, uma enfermeira de roupas mínimas, qualquer um dos primeiros 43 presidentes dos Estados Unidos. No topo das lista das fantasias inaceitáveis? Eu.” 

E é assim que a mais nova série da Netflix começa.

“Dear White People” inicia-se em torno de uma festa universitária na qual tem como temática o Black Face – prática teatral em que os atores brancos pintavam seus rostos de preto para interpretar um negro -. Obviamente todos os estudantes negros da universidade de Winchester se sentiram ofendidos por ser uma prática extremamente racista e ultrapassada. Porém, o interessante é que cada um age de um jeito. E é aí que a série entra em ação.

A estereotipação do negro é totalmente quebrada com a mostra de diferentes personagens em diferentes vivências. A personagem principal, Sam, é uma ativista que comanda o programa de rádio “Dear White People”, e alfineta à todas situações racistas que muitas vezes passam em branco no dia a dia e ao mesmo tempo, CoCo, sua ex-melhor amiga, é uma mulher que já passou por muitas fases de baixa autoestima, mas que se torna empoderada e suficientemente necessária para atingir seus objetivos sozinha, acompanhada por um pensamento mais conservador.

A série é realista, com um tom de humor amargo e dedo na ferida. Ela rendeu muitos comentários e até ameaças de repúdio a Netflix. Mas, boicotar a Netflix? O motivo central seria a banalização, ofensa e suposta generalização dos brancos que não são racistas e não se sentem representados pelo show. Portanto, muitas vezes o roteiro propõe essas situações nas quais existe o preconceito sem querer e sem as pessoas perceberem.

Desde uma letra de rap, até um apelido ou uma palavra mal colocada te faz racista. E a série deixa claro que isso não te culpa, mas que te inclui nas estatísticas.

Há dentre essa situação, o Governo do Paraná fez um teste com profissionais de RH para mostrar a existência do racismo institucional na sociedade, aquele que não é declarado e que por causa da cultura e preconceito já incluso no cotidiano desde o começo das vidas, se torna muito presente. E isso afeta não só a vida pessoal, mas principalmente a profissional.

A maioria dos desempregados são negros, da população cárcere e do número de vítimas de assassinato. A série monta um belo contexto a partir dos protestos recentes que ocorreram nos Estados Unidos após a morte de um jovem negro. Black Lives Matter foi um modo de intervenção para que a polícia pare de assassinar jovens afrodescendentes sem ter feito absolutamente nada. Os direitos humanos então sendo esquecidos, e as vidas estão sendo perdidas. Reggie é um dos personagens que passam por esse complexo, e permite que o público identifique e entenda a sensação e a situação de modo subjetivo na pele de um negro, que é vítima deste racismo velado, que além disso, também é tabu.

Assim como 13 Reasons Why, a Netflix propõe um diálogo da série com o espectador da forma de como as coisas acontecem e como é preciso falar sobre aquilo, e principalmente, é necessário. Infelizmente, a série não teve o mesmo sucesso e repercussão porém não deixa de passar uma mensagem importante.

Só quem está na pele todos os dias se identifica com o que acontece em “Dear White People” no meio de uma universidade elitista e majoritariamente branca, na qual ignora totalmente as questões raciais e a vê como vitimização banal, mas que continuam ouvindo os raps que denunciam a morte e a violência contra o negro por parte da polícia e da sociedade norte-americana.

Por Julia Reis


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