Tecnologia da NVIDIA já foi colocada por modders em “Cyberpunk 2077”, “GTA V” e “Skyrim”, alterando gráficos e até rostos, mas com quedas severas de desempenho
O DLSS 5 ainda nem chegou oficialmente aos jogadores, mas uma versão preliminar da tecnologia já escapou para a comunidade de PC. O vazamento permitiu que modders extraíssem os arquivos e levassem o novo sistema de renderização neural da NVIDIA para diferentes jogos, revelando antecipadamente tanto o potencial visual da novidade quanto algumas de suas limitações.
A versão que circula atualmente teria sido encontrada em uma edição de acesso antecipado de “NBA 2K27”. A partir daí, integrantes da comunidade de modding conseguiram isolar uma biblioteca relacionada ao chamado Neural Rendering e começaram a experimentar a tecnologia em outros títulos.
O resultado é bastante diferente do que os jogadores estão acostumados a esperar de uma atualização tradicional do DLSS. Em vez de apenas reconstruir uma imagem renderizada em resolução inferior, a nova abordagem utiliza inteligência artificial para interferir de maneira muito mais profunda na aparência da cena, trabalhando com elementos como iluminação, materiais, sombras e detalhes visuais.
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Modders colocam DLSS 5 à prova
Os testes rapidamente deixaram de ficar restritos a um único jogo. A tecnologia experimental foi adaptada para títulos como “Cyberpunk 2077”, “Grand Theft Auto V”, “The Elder Scrolls V: Skyrim” e “Control”, permitindo comparar como o sistema se comporta em diferentes motores gráficos e estilos artísticos.
Em determinadas situações, a diferença visual é expressiva. Texturas, iluminação e alguns elementos da imagem podem ganhar uma aparência mais detalhada, enquanto áreas que normalmente exigiriam técnicas tradicionais de renderização passam a receber tratamento adicional por meio do modelo neural.
O problema aparece quando a inteligência artificial tenta interpretar elementos que não foram preparados especificamente para esse tipo de processamento. Rostos e características de personagens, principalmente, podem sofrer alterações bastante perceptíveis, criando resultados que alguns jogadores consideraram artificiais ou até estranhos.
Foi justamente esse comportamento que provocou parte da reação negativa da comunidade. Em vez de simplesmente melhorar a imagem original, o sistema experimental pode acabar modificando características que fazem parte da identidade visual de um personagem.
O desempenho é o grande obstáculo

A qualidade visual, entretanto, tem um preço alto na versão vazada. Como se trata de uma implementação preliminar e não de uma versão oficialmente otimizada para os jogos testados, o impacto sobre o desempenho pode ser enorme.
Testes realizados com placas RTX 30 mostram que a tecnologia consegue ser executada em hardware mais antigo por meio de modificações, mas com quedas severas na taxa de quadros. Em “GTA V”, uma RTX 3080 Ti chegou a apresentar desempenho na faixa de 20 a 30 FPS, enquanto “Cyberpunk 2077” teria caído para apenas 7 FPS na mesma placa em determinadas configurações.
Há casos em que os usuários conseguem recuperar parte da fluidez reduzindo resolução e qualidade gráfica, mas isso cria uma situação curiosa: para utilizar um recurso criado justamente para melhorar a imagem, é necessário abrir mão de outros elementos visuais ou aceitar uma latência maior.
A situação também ajuda a explicar por que a NVIDIA direciona a nova geração de sua tecnologia para as GPUs mais recentes. O DLSS 5 foi projetado em torno de recursos de aceleração de inteligência artificial presentes na arquitetura Blackwell, enquanto placas anteriores não contam com o mesmo suporte nativo para determinadas operações.
RTX 40 também entra na brincadeira
Apesar das limitações, a comunidade conseguiu avançar ainda mais. Modders encontraram maneiras de adaptar componentes do DLSS 5 para placas RTX 40, originalmente incompatíveis com algumas das instruções utilizadas pela versão vazada.
O processo envolve alterações nos arquivos e correções para permitir que o código seja executado em hardware baseado na arquitetura Ada Lovelace. Com isso, modelos como a RTX 4080 e a RTX 4090 também passaram a participar dos experimentos.
Isso não significa, porém, que essas placas tenham recebido suporte oficial. A versão disponível atualmente continua sendo experimental, não representa a implementação final da NVIDIA e pode apresentar problemas de compatibilidade, artefatos e consumo elevado de recursos.
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Por que os resultados dividem os jogadores?

A principal discussão em torno do DLSS 5 vai além de FPS e resolução. A tecnologia levanta uma questão sobre até onde a inteligência artificial deve interferir na imagem de um jogo.
A proposta da NVIDIA é utilizar renderização neural para aproximar os gráficos de um resultado mais fotorrealista. O problema é que realismo nem sempre significa fidelidade à direção artística escolhida pelos desenvolvedores.
Nos testes atuais, essa diferença fica especialmente evidente nos personagens. Um rosto pode parecer mais detalhado em determinado cenário, mas também pode adquirir características que não estavam presentes no modelo original. Sem uma implementação específica para cada jogo, o resultado pode parecer mais uma reconstrução feita por IA do que uma simples melhoria gráfica.
Por outro lado, alguns experimentos mostram que a tecnologia pode produzir ganhos interessantes em elementos como vegetação, iluminação e materiais. Isso indica que parte da rejeição atual pode estar relacionada ao fato de os testes utilizarem uma versão vazada e não otimizada, aplicada em jogos que não foram preparados para o sistema.
O que esperar da versão oficial
É importante separar os experimentos atuais da versão que chegará oficialmente aos jogadores. O arquivo vazado não representa necessariamente o resultado final do DLSS 5, e a tecnologia ainda precisa ser integrada aos jogos pelos próprios desenvolvedores.
A NVIDIA já apresentou o DLSS 5 como uma evolução voltada à renderização neural e ao aumento do realismo em tempo real, com a promessa de preservar a intenção artística dos criadores. A versão que circula entre os modders, entretanto, está sendo utilizada fora desse cenário de integração planejada.
Por enquanto, o vazamento funciona quase como uma demonstração não oficial do que a próxima geração da tecnologia pode fazer. Os testes mostram que o salto visual pode ser significativo, mas também deixam claro que colocar inteligência artificial diretamente no processo de construção da imagem traz novos desafios.
O DLSS 5, portanto, chega ao mercado com uma expectativa diferente das gerações anteriores: não se trata apenas de descobrir quantos quadros por segundo a tecnologia consegue entregar, mas também de observar até onde a NVIDIA conseguirá melhorar os gráficos sem alterar a identidade visual dos próprios jogos.
Imagem Destacada: Divulgação/NVIDIA


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