Black Pantera faz da música uma plataforma de ativismo e resistência negra
Desde os primeiros acordes da guitarra de Sister Rosetta Tharpe, o rock é, na sua mais pura essência, uma música de resistência com profundas raízes negras, ainda que a indústria tenha se esforçado ao longo dos anos para apagar esse legado. Formado em abril de 2014 na cidade de Uberaba (MG), o trio Black Pantera desponta no Rock in Rio 2026 como uma das mais importantes vozes da resistência, unindo ativismo ao peso do crossover thrash e hardcore. Conheça um pouco da trajetória dos irmãos Charles Gama (guitarra, vocal e letras) e Chaene da Gama (baixo) e do baterista Rodrigo “Pancho” Augusto:
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Project Black Pantera: power trio de Uberaba é a mistura perfeita entre diversidade de sons e peso
O início, “Project Black Pantera” e “Agressão”
Idealizada por Charles, a banda só se concretizou mesmo quando Chaene e Rodrigo ouviram as primeiras composições do guitarrista. Com um som agressivo que mescla thrash metal, hardcore punk e crossover thrash, eles lançaram o álbum de estreia autointitulado, “Project Black Pantera“, em outubro de 2015. Rapidamente eles extrapolaram as fronteiras do underground, chamando a atenção da edição francesa do renomado festival Afropunk, o maior especializado em cultura negra do mundo.
Em 2018, veio o segundo disco de estúdio, “Agressão“, consolidando o formato de power trio com baixo. Agora o que era um projeto vira uma banda. No álbum destacam-se bateria e guitarra em perfeito equilíbrio em faixas cheias de velocidade como “Prefácio” e “Taca o Foda-se“, que deslanchou a carreira no cenário do rock nacional. Ainda em 2018, lançam a música “Punk Rock Nigga Roll“, e assinam com a gravadora Deckdisc em 2019.
Em 2020, o chocante assassinato do cidadão negro George Floyd nos Estados Unidos sensibilizou o mundo. Assim como diversos artistas ao redor do planeta, Charles Gama escancara a brutalidade da abordagem policial na composição do hino de protesto “I Can’t Breathe“, acompanhado de um vídeo onde o gesto da violência está literalmente no centro da narrativa. No mesmo ano, o grupo lançou o aclamado EP audiovisual “Capítulo Negro“, trazendo releituras pesadas dos artistas Jorge Aragão, O Rappa e Elza Soares, além de participar de grandes eventos online voltados à igualdade racial durante a pandemia de COVID-19.
A Ascensão do Black Pantera e a estreia no Rock in Rio
O verdadeiro divisor de águas veio em 2022 com o álbum “Ascensão“. O trabalho foi considerado um dos discos mais poderosos do ano, misturando influências de bandas como System of a Down e clássicos do hardcore brasileiro. Nele, o trio abordou de forma incisiva temas urgentes como o descaso ambiental na faixa “Dia do Fogo” (com Rodrigo Lima, do Dead Fish), o negacionismo pandêmico em “Anti Vida“, a homofobia na parceria “Estandarte” (com o trio paranaense Tuyo) e o racismo estrutural em “Fogo Nos Racistas” e “Padrão é o Caralho“, que estão entre as mais celebradas em shows ao vivo.
O imenso sucesso do álbum levou a banda ao Palco Sunset do Rock in Rio 2022 (ao lado da banda Devotos) e ao Lollapalooza 2023. No fim de 2023, o reafirma seu discurso com o poderoso EP “Griô“, trabalho de cinco faixas inteiramente em inglês em meio a uma série de shows pelo exterior.
Em 2024, a banda incorpora ainda mais a ancestralidade com novos elementos sonoros com o lançamento do disco “Perpétuo“. Inspirado em uma viagem do trio ao Chile, o álbum incorporou elementos afrolatinos, como instrumentos de percussão e ritmos tribais. Além disso, o disco tem a belíssima balada “Tradução“, uma síntese da luta das mães negras diante de dificuldades sociais como racismo estrutural e o machismo. A maturidade do álbum teve o devido reconhecimento com o prêmio Música do Ano para “Tradução” pela APCA, enquanto a banda venceu o Prêmio da Música Brasileira de 2025 na prestigiada categoria Artista de Rock.
Como chega o Black Pantera no Rock in Rio 2026
O trio de Uberaba retorna ao Rock in Rio na esteira do lançamento recente de seu quinto disco de estúdio, “Continental“, de agosto desse ano. O álbum mantém o thrash/hardcore furioso com composições afiadas e cheias de sarcasmo, e que também trazem referências complexas, como o pensamento do geógrafo Milton Santos, a literatura de Eduardo Galeano, e ainda pitadas do universo da cultura pop e animes. A banda sobe ao Palco Sunset no dia 5 de setembro, convidando a banda Nervosa.
Em pouco mais de uma década de estrada, o Black Pantera provou que a música pesada pode ser a mais potente ferramenta de resistência, orgulho e união do povo negro.
Imagem Destacada: Reprodução/Instagram (Gerada por IA)


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