Dirigido por Tuca Siqueira, o documentário observa uma cidade pernambucana ligada à Argentina pelo nome, pelo futebol e pela imaginação popular.
O documentário “Buenos Aires“, dirigido por Tuca Siqueira, leva o espectador até a Zona da Mata pernambucana para observar uma cidade que carrega o mesmo nome da capital argentina e constrói, à sua maneira, uma identidade atravessada pelo futebol, pela cultura popular e pelo cotidiano do interior.
Durante cerca de 70 minutos, o filme acompanha moradores da cidade enquanto a Copa do Mundo de 2022 movimenta ruas, conversas e sentimentos. Parte dessa narrativa passa pela figura de uma professora de espanhol, que funciona como elo entre Pernambuco e Argentina, aproximando duas realidades completamente diferentes, mas conectadas pelo imaginário popular.
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O que funciona no olhar de Tuca Siqueira
O principal acerto de Tuca Siqueira está no olhar. A diretora evita transformar os personagens em figuras caricatas e prefere observá-los com calma, respeitando seus silêncios, rotinas e maneiras de existir. Há humanidade nas pequenas conversas, nos gestos e também nas pausas. O documentário entende que pertencimento não nasce apenas da história oficial, mas da forma como as pessoas escolhem enxergar o próprio lugar.
Visualmente, Buenos Aires também encontra força. A fotografia valoriza o interior pernambucano sem recorrer a retratos fáceis de pobreza ou sofrimento. Em especial, as cenas envolvendo o Maracatu Estrela Dourada dão ao longa um respiro poético que aproxima tradição, memória e identidade cultural.

Onde Buenos Aires evita mergulhos mais profundos
Ainda assim, o filme enfrenta dificuldades quando tenta expandir sua proposta inicial. Há uma sensação constante de que a narrativa ronda temas interessantes sem realmente aprofundá-los. Questões históricas, sociais e até políticas aparecem de forma muito breve, enquanto algumas sequências acabam se repetindo emocionalmente sem acrescentar novas camadas ao documentário.
O futebol, elemento central da obra, também perde força em determinados momentos, pois o assunto sustenta bem o início do longa, mas passa a circular pelas mesmas ideias conforme a narrativa avança. Falta ao roteiro transformar essa relação entre a cidade e a Argentina em algo mais complexo do que apenas admiração ou identificação simbólica.
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Vale a pena assistir Buenos Aires?
Mesmo assim, “Buenos Aires” encontra valor na simplicidade. O documentário de Tuca Siqueira funciona melhor quando abandona a necessidade de explicar tudo e apenas observa pessoas tentando atribuir significado ao lugar onde vivem. É justamente nessa delicadeza que o filme encontra seus momentos mais sinceros.
Imagem Destacada: Divulgação/Garimpo Filmes/Arthouse Distribuidora






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