“Pais deveriam viver pra sempre”. Li essa frase dia desses em uma rede social. E pensando bem, deveriam mesmo, né?! Mas aí, em uma determinada época da vida, aquele que muitos têm como heroi, o pai, começa a passar mais tempo sentado, assistindo TV ou ouvindo rádio, resmungando baixinho e de vez em quando puxa uns assuntos meio sem pé nem cabeça. E do outro lado, a nossa rainha mãe tem dificuldades de concluir as frases e começa a implicar com a empregada. Minha mãe, por exemplo, cismava que as roupas que eram recolhidas do varal não estavam totalmente secas. Reclamava que sua secretária passava as roupas e guardava no armário úmidas. E não existia quem conseguisse convencê-la do contrário.

Mas o que será que acontece que faz com que pais e mães percam o bom senso das coisas com o tempo?

Pois eu vou te contar um segredo: Nossos pais envelhecem!!!
Aliás, isso não é bem um segredo. Todos nós conhecemos essa realidade e sabemos que esse dia também vai chegar na nossa família. Mas como é difícil de aceitar. E aí, quando todo o processo de envelhecimento começa a acontecer, a gente até entende, mas parece que não estamos e nunca estaremos preparados pra passar por isso. Quando o corpo começa a não obedecer mais às ordens do cérebro e simples movimentos se tornam verdadeiras maratonas. Nos lembramos de como eles eram ativos com as coisas de casa e agora tudo funciona mais lentamente, pela dificuldade normal da própria idade mesmo. E com a fragilidade batendo à porta, qualquer queda pode ser fatal. Os ossos estão fraquinhos e podem quebrar num piscar de olhos. E o que tem de facilidade pra colocar no lugar rapidinho quando se é jovem, tem de dificuldade na velhice, quando a recuperação é bem lenta. E isso os deixa super nervosos. Isso sem falarmos nas doenças que acometem nossos velhinhos e que muitas vezes transformam um simples resfriado em pneumonia. E idoso com pneumonia não é bom sinal…

O que acontece também é que nessa fase eles estão cansados de tanto cuidar dos outros. Querem relaxar e sair desse posto. Querem – e precisam – ser cuidados. Por nós, filhos e filhas, que tanto carinho recebemos quando éramos mais novos. Mas aí é onde começa a batalha. Eles fazem de tudo pra chamar a atenção e alguns até apelam para uma “pequena” chantagem emocional. E nós, que não somos mais crianças e temos nossas vidas com trabalho, família e tudo mais pra cuidar, não temos tanto tempo e não conseguimos parar pelo menos uns 5 minutinhos pra ouvi-los e fazer um carinho no rosto ou até dar um simples abraço. Nem tempo e nem paciência. Porque, por outro lado, como eles têm muita experiência de vida e muito chão caminhado, acham que podem fazer tudo e que não precisam da gente pra nada. E esse é o conflito. Eles deixam de tomar os remédios que precisam, comem escondido tudo que o médico proibiu, fazem todas as peraltices que querem e que têm vontade. Voltam a ser crianças. E quando chamamos atenção por amor e preocupação, brigam com a gente dizendo que são mais velhos e não precisam de ajuda. Mas se não damos atenção, se não ligamos todos os dias ou se não atendemos a uma ligação apenas por estarmos ocupados, já descem o verbo dizendo que não os amamos mais, que não queremos saber deles e que vamos sentir falta quando morrerem. Essa então é clássica! Olha… Complicado…

Mas essa é uma situação que temos que aceitar. Eles envelhecem e precisamos ser tolerantes com todas essas mudanças. Talvez o medo de perdê-los nos afaste pra não sofrermos tanto. Talvez seja o medo de saber que um dia também ficaremos assim. Porque ninguém quer morrer jovem, mas imaginar que ficaremos velhos também e que passaremos por tudo isso, traz uma certa angústia. Mas nada justifica. Eles são nossos pais e precisam de nós. São o nosso alicerce e é pra onde sempre voltamos quando necessitamos. É complicado, mas temos que aceitar. Eles envelhecem e logo vão partir. Por isso vamos cuidar e amar. Vamos deixá-los livres para que envelheçam, mas que sejam felizes no pouco tempo que restar. E que essa seja a última lembrança deles e nossa.