14 de dezembro de 2019

Sim, já comemoramos as boas notícias da Netflix, que tem anunciado uma quantidade significativa de animes, incluindo um tal de “Knights of the Zodiac”. Familiar? Não foi alfabetizado em inglês? Melhor: “Os Cavaleiros do Zodíaco”. Tendo feito parte da juventude de muitos brasileiros e brasileiras, lá em meados dos anos 90, as aventuras de “Seiya-e-os-outros” (ah… essa frase!), mostrou o potencial das séries japonesas de animação, fazendo com que as emissoras de TV trouxessem outros grandes títulos, como “Dragon Ball” e “Yu Yu Hakusho”.

“Saint Seiya”, no original, conquistou fãs e, mesmo após inúmeros hiatos em sua veiculação, cativa até hoje. Lá  na década de 80, quando o mangá surgiu, ele teve sua adaptação para anime produzida pela Toei Animation, dividindo sua história em três grandes sagas: Santuário, Asgard (saga filler – que não “existiu” no mangá original) e Poseidon. No entanto, o ápice da história dos mangás, que seria a Saga de Hades, que retrata a batalha de Atena e seus cavaleiros (ou pelo menos os que sobraram vivos, até aquele ponto da série) contra o Deus do Submundo.

Reza a lenda que o criador de “Cavaleiros”, o japonês Masami Kurumada, teve problemas com a Toei na época, embora o próprio negue, e então o cosmo do anime permaneceria com seu cosmo devidamente apagado de 1989 até 2002. Em outras palavras: quando o anime conquistou o Brasil, já estava com sua produção devidamente enviada para outra dimensão. E quem entender a referência, dá “joinha”.

Para o anime voltar, foi necessário que um fã, o desenhista francês Jérôme Alquié, produzisse dois vídeos – trailers baseados em dois momentos do arco Hades no mangá – que seriam vistos num evento em 2001, por Shingo Araki, da equipe de produção do anime pela Toei. A recepção do público seria tão positiva, que em 2002, viria o primeiro OVA – Original Video Animation, lançado diretamente em mídia doméstica, sem exibição prévia em TV ou cinema. A saga de Hades seria então completamente veiculada neste formato, sendo dividida em três partes: Santurário, Inferno e Elísios, cada qual com uma quantidade variável de episódios.

Nos anos seguintes, surgiriam outros mangás do cada vez mais denso universo de “Saint Seiya”: o “Episódio G”, centrado no passado dos Cavaleiros de Ouro, com traços completamente diferentes, “The Lost Canvas”, contando a batalha contra Hades do passado, e “Next Dimension”, que viria a ser considerada a continuação direta do anime e mangá clássicos.

À esquerda, uma das capas do mangá Next Dimension e à direita, de “The Lost Canvas”. Ambas são publicadas aqui no Brasil pela Editora JBC.

A próxima dimensão – e uma continuação, pelo amor da deusa Atena!

“Next Dimension” inicia imediatamente após o fim da saga de Hades, mostrando o que acontece a seguir com “Seiya-e-os-outros”. O Cavaleiro de Pégaso se encontra mortalmente ferido após a batalha contra Hades, e Saori decide voltar no tempo, aparentemente para salvá-lo. Para não dar muitos spoilers, caso alguém não saiba ainda, o que podemos dizer, no melhor clima Sessão da Tarde, é que Atena e os demais cavaleiros de bronze “vão se meter em altas confusões” assim. Só que sem o Seiya para dar seus famosos gritos de “Saoriii!”

O mais interessante nesta saga é vermos a Atena, Shun, Hyoga e Ikki no passado, confrontando os antigos cavaleiros de ouro, enquanto no presente, o então indefeso Seiya é caçado por outros deuses – onde já é sugerido quais deuses podem ser os próximos adversários.

Enquanto “Next Dimension”, não apresenta nenhum sinal de que será devidamente adaptado para anime, houve em 2004 um longa-metragem intitulado “Prólogo do Céu” – que seria a primeira parte de uma trilogia para a próxima grande batalha – a esperada Saga de Zeus. Depois de ver os cavaleiros de bronze derrotarem Poseidon e Hades, mal poderíamos esperar para ver os cavaleiros de bronze (apanhando muito e) derrotando Zeus e, quem sabe, todos os deuses do Olimpo!

No entanto, o longa havia sido feito em meio a uma série de problemas, resultando numa produção com um sentimento de feito às pressas, e o sentimento de não sabermos o que era buraco no roteiro ou gancho para uma continuação. Desde então, nunca mais ouviríamos falar da tal trilogia, nos restando apenas o mangá Next Dimension, para mostrar o que vinha a seguir.

O problema é a frequência de sua publicação. Desenhado e roteirizado pelo próprio Kurumada (ao contrário de “Episódio G”, onde ele apenas roteirizou e de “Lost Canvas”, que ele apenas supervisionou), “ND” alterna entre capítulos lançados semanalmente e intervalos entre suas “temporadas”, que vêm chegando até quase um ano. Não tem cosmo que dê conta. Nem é preciso dizer o quanto é cansativo esperar tantos meses por poucas páginas, enquanto a história (que está interessante, aliás) se arrasta mais que Seiya lutando contra Saga de Gêmeos. Mais que os cinco minutos de Freeza, se vocês permitem referências aos coleguinhas de “Dragon Ball Z”.

À esquerda, o anime “Saint Seiya Ômega”, e à direita, “Soul of Gold” (divulgação)

Nos últimos anos, tivemos novos spin-offs, para curar nossos corações. Dentre eles, destacam-se os animes “Saint Seiya Omega”, uma (no mínimo) curiosa nova visão para o universo dos Cavaleiros do Zodíaco, com foco num público jovem, “Alma de Ouro”, uma história completamente inédita, estrelada pelos Cavaleiros de Ouro, na mesma Asgard onde “Seiya-e-os-outros” lutaram uma vez. Também temos os mangás “Next Dimension Gaiden” “Episódio G: Assassino”.

“The Lost Canvas” chegou a ganhar duas temporadas em anime, até que foi cancelado (para o desgosto de muitos fãs), agora aguardamos ansiosamente pela adaptação do mangá “Saintia Shô”, sobre o qual já falamos em outra ocasião.

Há também um live-action a caminho, e só esperamos que este acerte mais com a história do que o filme em CG, “Lenda do Santuário”, que levou muito fã para se decepcionar dentro dos cinemas em 2014.

E é aí que se torna importante vermos o reboot, anunciado pelo Netflix. Ao contrário de “Dragon Ball”, os Cavaleiros do Zodíaco nunca ficaram conhecidos nos EUA – e o título em inglês pode ser uma sugestão de que este reboot vai mirar também no país do tio Sam. Se nossos guerreiros favoritos nos ensinaram a sonhar (ou pelo menos ao apanhar muito, mas levantar e virar o jogo), podemos imaginar: e se “Knights of the Zodiac” faz um bom sucesso, e aí temos as sagas seguintes adaptadas? Até Hades. E quem sabe, finalmente “Next Dimension” e a saga de Zeus!

No entanto, teremos que segurar nosso cosmo por um tempo. De acordo com o site CavZodíaco, a estreia da nova série será em 2018, com doze episódios de meia hora cada. Quem diria que vida de um guerreiro de Atena é esperar tanto, não? Se ao menos fosse Cronos…

Show Full Content

About Author View Posts

Avatar
Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

Previous Editora JBC relança “Guia Completo Fullmetal Alchemist”
Next Teatro Odisséia recebe Ocupação do Coletivo As Minas

15 thoughts on “Entre sucesso e descaso, a saga de “Cavaleiros do Zodíaco” para chegar à Netflix

  1. Eu entendi a referência da outra dimensão o/
    Eu amooo Saint Seiya, mas ainda não vi tudo. Assistia quando eu era pequena e bem aos pedaços, foi justamente esse ano com incentivo de amigos que fazem cosplay que peguei para reasistir tudo, ainda estou chegando na Saga de Hades, da qual só vi antigamente a Santuário. Recentemente assisti o Canvas que pra mim é meu favorito, e realmente, mesmo atrasada no role fiquei bem chateada com o cancelamento, ainda mais que não tenho habito de ler mangá. Por isso não fui atrás do Santia Sho, e Next Dimension, e não faço a minima questao do Omega uahuahua E nem tem o que falar da Lenda, fiz um video de 40 minutos com amigos meus quando saimos do cinema, mas nunca postei kkk Eu realmente não sei o que esperar do Live Action, eu nunca boto fè nesse tipo de adaptação. Quanto ao novo “anime” da Netlix, só sei dizer que ela raramente decepciona, então podemos bota alguma fé. Mas sempre tem quem não vai gostar.

    Bites!
    Tary Belmont

    1. Olha, tenho que te dizer, Tary, pra ler o Lost Canvas eu tive que me esforçar, mas valeu a pena porque a história é simplesmente sensacional. E triste…

      Muito grato em ler comentário de alguém que conheceu de verdade o anime e virtualmente compartilhar ansiedade pelas produções novas!

      Abraços!

  2. Não é o meu anime favorito mas foi muito bom conhecer a história dele, tenho uma lembrança de alguns episódios que eu assiti quando era criança! É incrível como ele carrega tantas referências e fico feliz pela Netflix vá retomar a produção, ela não costuma falhar e tem uma mão boa para produções!
    Parabéns pelo post e pelo trabalho!

    1. Exatamente isso que faz a entrada na Netflix tão importante: eles raramente erram!
      Vendo o anime hoje, acho que ele meio que “envelheceu” mal em suas primeiras temporadas, então esse reboot é justo, talvez até para o tornar mais interessante para você e outras pessoas que conheceram mas não acompanharam, anos atrás.

  3. *joinha na referência, haha
    Cavaleiros do Zodíaco sempre esteve presente na minha vida, desde adolescente até hoje, li, assisti, re-assisti e não me canso de elevar meu cosmo até o 7º sentido (e sofrer vendo os cavaleiros apanharem tanto). Minha saga favorita é a de Hades, Inferno, mas confesso que meu coração foi tomado pela Lost Canvas… eu realmente chorei, no anime, e no cancelamento da animação. Realmente acho importantíssimo esse reboot para que a saga alcance caminhos o qual não tinha chegado e alcance mais pessoas. <3
    tua postagem está incrível, parabéns 🙂

    1. Eu sou viúvo do Lost Canvas pra sempre. Eu fiz uma forcinha e li o mangá principal todo, e vou te dizer: a história fica mais triste ainda… Será que julgaram ela sombria demais pra continuar? (Aí saiu aquele “abençoado” Saint Seiya Ômega…)

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Vân!

  4. Olá!
    Eu nunca assisti mais do que alguns episódios de Cavaleiros do Zodíaco, mas sempre tive vontade, já estão até na minha lista do netflix! Gostei de saber mais sobre as origens do anime do mangá e achei super curioso que o anime não tenha sido famoso nos EUA, pois pensei que tivesse sido um sucesso internacional e etc, afinal, todo mundo que eu conheço já teve algum contato. Espero gostar muito do reboot que será feito pela netflix, pois garantia de coisa boa o sistema de stream já oferece, né?

    Abraços,
    http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/

  5. Muito bom o post, meus sinceros parabéns!
    Cavaleiros fez parte da minha infância mas não foi algo que eu trouxe para a minha vida adulta (como naruto, por exemplo) por isso não me recordo exatamente da história, eu só me recordo que eu amava assistir.
    Fiquei curiosa com essa história, estou pensando seriamente em assistir tudo desde o início para matar a saudade e dessa vez prestar atenção na história pra valer.

    1. Eu super entendo não ter sido carregado adiante em sua vida, Tatiana, porque, como disse em resposta a um dos comentários anteriores, a série meio que envelheceu mal, ao menos em alguns episódios de sua primeira temporada. De repente o reboot é tudo que precisamos pra reacender esse gosto novamente!

      Abração!

    1. Tem essa série nova na Netflix e muita coisa ainda sendo produzida, relacionadas a Cavaleiros do Zodíaco! Quem sabe uma dessas novas não caem no seu gosto?

      Obg por comentar e abrçs!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close

NEXT STORY

Close

Crítica (5): Rogue One – Uma história Star Wars

22 de dezembro de 2016
Close