Sim, já comemoramos as boas notícias da Netflix, que tem anunciado uma quantidade significativa de animes, incluindo um tal de “Knights of the Zodiac”. Familiar? Não foi alfabetizado em inglês? Melhor: “Os Cavaleiros do Zodíaco”. Tendo feito parte da juventude de muitos brasileiros e brasileiras, lá em meados dos anos 90, as aventuras de “Seiya-e-os-outros” (ah… essa frase!), mostrou o potencial das séries japonesas de animação, fazendo com que as emissoras de TV trouxessem outros grandes títulos, como “Dragon Ball” e “Yu Yu Hakusho”.

“Saint Seiya”, no original, conquistou fãs e, mesmo após inúmeros hiatos em sua veiculação, cativa até hoje. Lá  na década de 80, quando o mangá surgiu, ele teve sua adaptação para anime produzida pela Toei Animation, dividindo sua história em três grandes sagas: Santuário, Asgard (saga filler – que não “existiu” no mangá original) e Poseidon. No entanto, o ápice da história dos mangás, que seria a Saga de Hades, que retrata a batalha de Atena e seus cavaleiros (ou pelo menos os que sobraram vivos, até aquele ponto da série) contra o Deus do Submundo.

Reza a lenda que o criador de “Cavaleiros”, o japonês Masami Kurumada, teve problemas com a Toei na época, embora o próprio negue, e então o cosmo do anime permaneceria com seu cosmo devidamente apagado de 1989 até 2002. Em outras palavras: quando o anime conquistou o Brasil, já estava com sua produção devidamente enviada para outra dimensão. E quem entender a referência, dá “joinha”.

Para o anime voltar, foi necessário que um fã, o desenhista francês Jérôme Alquié, produzisse dois vídeos – trailers baseados em dois momentos do arco Hades no mangá – que seriam vistos num evento em 2001, por Shingo Araki, da equipe de produção do anime pela Toei. A recepção do público seria tão positiva, que em 2002, viria o primeiro OVA – Original Video Animation, lançado diretamente em mídia doméstica, sem exibição prévia em TV ou cinema. A saga de Hades seria então completamente veiculada neste formato, sendo dividida em três partes: Santurário, Inferno e Elísios, cada qual com uma quantidade variável de episódios.

Nos anos seguintes, surgiriam outros mangás do cada vez mais denso universo de “Saint Seiya”: o “Episódio G”, centrado no passado dos Cavaleiros de Ouro, com traços completamente diferentes, “The Lost Canvas”, contando a batalha contra Hades do passado, e “Next Dimension”, que viria a ser considerada a continuação direta do anime e mangá clássicos.

À esquerda, uma das capas do mangá Next Dimension e à direita, de “The Lost Canvas”. Ambas são publicadas aqui no Brasil pela Editora JBC.

A próxima dimensão – e uma continuação, pelo amor da deusa Atena!

“Next Dimension” inicia imediatamente após o fim da saga de Hades, mostrando o que acontece a seguir com “Seiya-e-os-outros”. O Cavaleiro de Pégaso se encontra mortalmente ferido após a batalha contra Hades, e Saori decide voltar no tempo, aparentemente para salvá-lo. Para não dar muitos spoilers, caso alguém não saiba ainda, o que podemos dizer, no melhor clima Sessão da Tarde, é que Atena e os demais cavaleiros de bronze “vão se meter em altas confusões” assim. Só que sem o Seiya para dar seus famosos gritos de “Saoriii!”

O mais interessante nesta saga é vermos a Atena, Shun, Hyoga e Ikki no passado, confrontando os antigos cavaleiros de ouro, enquanto no presente, o então indefeso Seiya é caçado por outros deuses – onde já é sugerido quais deuses podem ser os próximos adversários.

Enquanto “Next Dimension”, não apresenta nenhum sinal de que será devidamente adaptado para anime, houve em 2004 um longa-metragem intitulado “Prólogo do Céu” – que seria a primeira parte de uma trilogia para a próxima grande batalha – a esperada Saga de Zeus. Depois de ver os cavaleiros de bronze derrotarem Poseidon e Hades, mal poderíamos esperar para ver os cavaleiros de bronze (apanhando muito e) derrotando Zeus e, quem sabe, todos os deuses do Olimpo!

No entanto, o longa havia sido feito em meio a uma série de problemas, resultando numa produção com um sentimento de feito às pressas, e o sentimento de não sabermos o que era buraco no roteiro ou gancho para uma continuação. Desde então, nunca mais ouviríamos falar da tal trilogia, nos restando apenas o mangá Next Dimension, para mostrar o que vinha a seguir.

O problema é a frequência de sua publicação. Desenhado e roteirizado pelo próprio Kurumada (ao contrário de “Episódio G”, onde ele apenas roteirizou e de “Lost Canvas”, que ele apenas supervisionou), “ND” alterna entre capítulos lançados semanalmente e intervalos entre suas “temporadas”, que vêm chegando até quase um ano. Não tem cosmo que dê conta. Nem é preciso dizer o quanto é cansativo esperar tantos meses por poucas páginas, enquanto a história (que está interessante, aliás) se arrasta mais que Seiya lutando contra Saga de Gêmeos. Mais que os cinco minutos de Freeza, se vocês permitem referências aos coleguinhas de “Dragon Ball Z”.

À esquerda, o anime “Saint Seiya Ômega”, e à direita, “Soul of Gold” (divulgação)

Nos últimos anos, tivemos novos spin-offs, para curar nossos corações. Dentre eles, destacam-se os animes “Saint Seiya Omega”, uma (no mínimo) curiosa nova visão para o universo dos Cavaleiros do Zodíaco, com foco num público jovem, “Alma de Ouro”, uma história completamente inédita, estrelada pelos Cavaleiros de Ouro, na mesma Asgard onde “Seiya-e-os-outros” lutaram uma vez. Também temos os mangás “Next Dimension Gaiden” “Episódio G: Assassino”.

“The Lost Canvas” chegou a ganhar duas temporadas em anime, até que foi cancelado (para o desgosto de muitos fãs), agora aguardamos ansiosamente pela adaptação do mangá “Saintia Shô”, sobre o qual já falamos em outra ocasião.

Há também um live-action a caminho, e só esperamos que este acerte mais com a história do que o filme em CG, “Lenda do Santuário”, que levou muito fã para se decepcionar dentro dos cinemas em 2014.

E é aí que se torna importante vermos o reboot, anunciado pelo Netflix. Ao contrário de “Dragon Ball”, os Cavaleiros do Zodíaco nunca ficaram conhecidos nos EUA – e o título em inglês pode ser uma sugestão de que este reboot vai mirar também no país do tio Sam. Se nossos guerreiros favoritos nos ensinaram a sonhar (ou pelo menos ao apanhar muito, mas levantar e virar o jogo), podemos imaginar: e se “Knights of the Zodiac” faz um bom sucesso, e aí temos as sagas seguintes adaptadas? Até Hades. E quem sabe, finalmente “Next Dimension” e a saga de Zeus!

No entanto, teremos que segurar nosso cosmo por um tempo. De acordo com o site CavZodíaco, a estreia da nova série será em 2018, com doze episódios de meia hora cada. Quem diria que vida de um guerreiro de Atena é esperar tanto, não? Se ao menos fosse Cronos…