A Fênix Filmes lança, no próximo dia 29/12, a continuação 2 e 3 da trilogia “As Mil e Uma Noites”. O filme é um drama Português realizado por Miguel Gomes (“A Cara que Mereces”-2004, “Aquele Querido Mês de Agosto” -2008, “Tabu”-2012). O filme é estruturado em três partes: (volume 1: O Inquieto, volume 2: O Desolado e volume 3: O Encantado. Os três foram exibidos pela primeira vez no Brasil, na  39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e na Itinerante do evento no Rio de Janeiro.

No primeiro filme, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde está inserido, Portugal (um país europeu em crise). Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardemente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Ela precisará de ânimo coragem para não aborrecer o Rei com as tristes histórias desse país. Com o passar das noites, a inquietude dá lugar à desolação e a desolação ao encantamento. Por isso, Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes. Começa assim: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que num triste país entre os países…”.

No segundo, Xerazade narra como a desolação invadiu os homens: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que uma juíza aflita chorará em lugar de ditar a sua sentença, numa noite de três luares. Um assassino em fuga vagueará pelas terras do interior durante mais de quarenta dias e teletransportar-se-á para fugir à Guarda, sonhando com putas e perdizes. Lembrando-se de uma oliveira milenar, uma vaca ferida dirá o que tiver a dizer e que é bem triste. Moradores de um prédio dos subúrbios salvarão papagaios e mijarão em elevadores, rodeados por mortos e fantasmas; mas também por um cão que… ”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se. — “Diabo de histórias! É certo que continuando assim minha filha acabará degolada” — pensa o Grão-Vizir, pai de Xerazade, no seu palácio em Bagdad.
 No terceiro filme, Xerazade duvida que ainda consiga contar histórias que agradem ao Rei, dado que o que tem para contar pesa três mil toneladas. Por isso, foge do palácio e percorre o Reino em busca de prazer e encantamento. O seu pai, o Grão-Vizir, marca encontro com ela na roda gigante, e Xerazade retoma a narração: “Oh venturoso Rei, fui sabedora que em antigos bairros de lata de Lisboa, existia uma comunidade de homens enfeitiçados que, com rigor e paixão, se dedicava a ensinar pássaros a cantar… ”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

Por Bruna Tinoco