Superando emergência médica a dias do show, a cantora norte-americana transforma sua estreia no Palco Mundo estética sangrenta e atitude visceral
Poucos dias antes de subir ao Palco Mundo no Rock in Rio 2026, a cantora norte-americana Halsey viveu um momento de intensa apreensão sobre sua participação no festival. O que começou como um resfriado comum evoluiu rapidamente para uma infecção grave na região do rosto, exigindo atendimento hospitalar de emergência e medicação por via intravenosa.
Nas redes sociais, a artista esclareceu aos fãs que possui um histórico médico de osteomielite na face, condição que torna episódios infecciosos imprevisíveis e perigosos. Apesar da gravidade do quadro, Halsey recebeu alta hospitalar a tempo de viajar ao Rio de Janeiro e confirmar seu show no festival. Em sua estreia no prestigiado evento carioca, a cantora superou os desafios de saúde e transformou a ansiedade do público em uma apresentação arrebatadora e potente no domingo, 13 de setembro, derradeiro dia do festival.
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Teatralidade sangrenta e domínio do Palco Mundo
Escalada como a penúltima atração da noite no Palco Mundo — apresentando-se após Ivete Sangalo e Lola Young e antecedendo o duo Twenty One Pilots —, Halsey ocupou o palco durante 75 minutos. Sem demonstrar qualquer sinal de debilidade física por conta dos remédios que ainda tomava, a cantora exibiu controle absoluto e forte presença de cena. Seu figurino mesclava um vestido branco de babados com corselet e botas com aspecto sangrento, alinhados à estética agressiva e teatral do espetáculo.
A estética em cena lembra bastante a de Lady Gaga em seu show da Mayhem Ball, que também se divide em atos. Durante a performance, Halsey utilizou a estrutura cenográfica com vigor: subiu e desceu as escadas que levavam ao seu castelo virtual, rolou pelos degraus, gritou e interagiu com os elementos de fogo no palco. Para selar a dramática encenação visual da noite, a artista encerrou a apresentação trazendo o nariz sangrando como parte da caracterização cênica (outra semelhança com o estilo da Mother Moster).
Atitude punk-rock e a convocação do mosh pit
Distanciando-se do tom pop comercial mais frequente nas rádios, a apresentação no festival foi moldada por guitarras pesadas e uma marcante atitude punk-rock. O ápice dessa entrega roqueira ocorreu durante a execução da faixa “Experiment on Me”, música lançada na trilha sonora do filme “Aves de Rapina”. Composta por Halsey ao lado de Oli Sykes e Jordan Fish, integrantes da banda Bring Me The Horizon, a canção trouxe uma sonoridade extremamente pesada ao Palco Mundo.
Ciente da energia da faixa, a cantora convocou a plateia a formar rodas de mosh pit na pista do festival. Após os pedidos repetidos de Halsey, o público abriu uma grande roda punk, momento em que a artista soltou a voz no refrão com a máxima potência vocal.
A força conceitual de ‘If I Can’t Have Love, I Want Power’
A estrutura do repertório teve como pilar central o álbum conceitual “If I Can’t Have Love, I Want Power” (2021), focado em temas como o patriarcado e a visão feminista. A abertura do show com a música “Nightmare” deu início à narrativa ao abordar mentiras e frustrações em relacionamentos. Na sequência, as faixas “I Am Not a Woman, I’m a God” e “Dog Years” mantiveram o clima de contestação, com a cantora utilizando uma coleira grande presa a uma corrente durante toda a performance desta última. O repertório passeou ainda por diversas fases da discografia da artista, mesclando sucessos antigos e lançamentos recentes de sua carreira.
Conexão com os fãs e a celebração de sucessos
Antes de tocar a faixa “Honey”, Halsey fez uma declaração direta à plateia exaltando o amor pelas mulheres e a liberdade feminina. Em outro momento marcante, durante a música “Without Me” — faixa escrita pela cantora durante uma passagem por São Paulo —, Halsey pediu para que o público acendesse as luzes dos celulares, classificando o espetáculo luminoso resultante como algo inacreditável. O setlist incluiu também faixas icônicas da sua trajetória, como “Colors”, “Castle”, “Gasoline” e a famosa parceria “Closer” com o duo The Chainsmokers.
Consagração final e reinvenção cênica
Halsey encerrou sua performance no festival com a canção “Lonely Is the Muse”, presente no álbum “The Great Impersonator” (2024). Em sua quinta visita ao Brasil, a cantora mostrou capacidade de reinvenção e entrega total com arranjos pesados diante de milhares de fãs. A apresentação não apenas marcou a superação de um momento de saúde delicado, mas também consolidou o show de Halsey como uma das performances mais intensas, cênicas e aclamadas de toda a edição do festival.
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Setlist
Nightmare
- The Mother
- I am not a woman, I’m a god
- Castle
- You should be sad
The Maiden
- Dog Years
- You Asked for This
- Bad at Love
- Experiment on Me
- honey
The Mage
- Colors
- Closer (The Chainsmokers cover)
- Hurricane
- Without Me
They’re Raging at Me
- Lie
- Gasoline
- Lonely is the Muse
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio


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