Mantendo intensidade narrativa e aprofunda seus personagens, “Impuros” reforça força rara de roteiro e direção ao longo de quase uma década
Seis temporadas se passaram e “Impuros” consegue não apenas manter o nível de quase oito anos atrás, como também superá-lo em diversos momentos.
É muito difícil uma série ultrapassar três ou quatro temporadas mantendo qualidade consistente. Chegar ao topo pode até ser mais fácil, mas se manter nele é o verdadeiro desafio. Impuros prova que, com um roteiro de qualidade e uma direção segura, é possível se consolidar como uma das maiores produções brasileiras por muitos anos.
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O Brasil, há algum tempo, tem dificuldades em manter produções de longa duração. Muitas estreiam, mas poucas conseguem passar de duas temporadas ou dar continuidade às suas histórias. Impuros, que estreou em outubro de 2018, foge completamente dessa regra. A série foi criada e escrita por Alexandre Fraga, que nos deixou no dia 12 de abril, e conta com direção de René Sampaio, Tomás Portella e Tatiana Fragoso.

A união entre roteiro e direção é o grande diferencial da série. Cada episódio é construído de forma envolvente, com ganchos fortes que tornam quase impossível não assistir ao próximo. Nesta 6ª temporada, com 10 episódios, a sensação é de maratona obrigatória, já que cada final deixa o espectador preso à narrativa.
Muitos acreditavam que a quinta temporada seria o encerramento da série, principalmente pela sensação de limite narrativo. No entanto, o gancho final, com a explosão do carro, reacendeu o interesse e elevou a expectativa. A 6ª temporada retorna no mesmo nível, mas ainda mais intensa e brutal.
A construção de Evandro (Raphael Logam) ao longo das temporadas é um dos maiores acertos do roteiro. O personagem foi desenvolvido com profundidade até se tornar um vilão complexo, capaz de ser amado e odiado ao mesmo tempo. Nesta nova temporada, esse conflito se intensifica, fazendo o espectador torcer contra e a favor do personagem simultaneamente.
Geise (Lorena Comparato) também merece destaque. Sua trajetória é uma das mais bem construídas da série. De uma mulher simples da comunidade, trabalhando em uma rádio, ela evolui para uma figura central, com uma transformação marcante que a leva a se tornar uma personagem fria e movida pela vingança. Nesta temporada, sua presença é ainda mais forte e impactante.
Mas a série não se sustenta apenas nesse núcleo. O agente Morello (Rui Ricardo Diaz) continua sendo um dos personagens mais complexos. Marcado pelo alcoolismo e por um passado traumático, ele deixa claro que sua motivação vai além da justiça. Sua obsessão por Evandro se transforma em algo pessoal, o que adiciona ainda mais tensão à narrativa.
Gilmar (Leandro Firmino) retorna ao crime e mantém o papel de alívio cômico, sem perder relevância. Sua presença equilibra o peso dramático da série e, em muitos momentos, rouba a cena.

Outro grande destaque é a direção de fotografia, que transforma o Rio de Janeiro em um cenário vivo e pulsante. A série consegue explorar tanto as comunidades quanto os cartões-postais da cidade com autenticidade. Além disso, ao expandir a narrativa para outros estados e até países, cria contrastes visuais que enriquecem ainda mais a experiência.
Um ponto que pode ser considerado negativo nesta temporada é a menor presença do funk. Diferente das anteriores, onde os bailes e a música dos anos 90 tinham papel importante na ambientação, aqui esse elemento aparece menos, o que pode fazer falta para quem acompanhava esse aspecto cultural da série.
Ainda assim, Impuros entrega, do primeiro ao último episódio, uma história envolvente, intensa e muito bem construída, representando de forma impactante a realidade do Rio de Janeiro.
Se o objetivo de uma série é prender o público e fazer com que ele queira assistir sem parar, Impuros cumpre esse papel com excelência. É também uma prova de que o Brasil ainda tem capacidade de produzir obras de altíssimo nível, com atores extremamente talentosos.
No fim, a sensação é a mesma de todas as temporadas anteriores, você termina querendo mais.
Imagem Destacada: Divulgação/Disney+

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