O Diabo Veste Prada 2 equilibra nostalgia, crítica contemporânea e evolução de personagens para construir sequência consistente duas décadas depois
Lançar “O Diabo Veste Prada 2” não é uma tarefa fácil. É um feito raro, ainda mais quando o primeiro longa foi um grande sucesso na época e continua relevante até os dias de hoje.
Todo mundo, em algum momento da vida, já teve uma Miranda Priestly (Meryl Streep) como chefe, ou, se não teve, já conviveu com alguém parecido. Não em relação à riqueza, mas ao comportamento, uma pessoa narcisista, que pensa apenas em si mesma e pratica assédio moral com seus funcionários. Por isso, ao longo dos anos, muita gente se identificou com a história.
Se no primeiro filme houve acertos e erros, nesta continuação praticamente não há o que apontar como falha.
Desde o início, “O Diabo Veste Prada 2” acerta no roteiro, trazendo diversas referências ao filme original, facilmente reconhecíveis pelo público. A narrativa se constrói a partir de reencontros, uma proposta que tinha tudo para dar errado, considerando o intervalo de 20 anos, mas que funciona surpreendentemente bem.

Além disso, o filme melhora em um aspecto que era pouco explorado anteriormente: o humor. E isso é mérito da direção de David Frankel, que conduz esse tom com precisão e equilíbrio. Frankel demonstra sensibilidade ao atualizar o tom do filme para os dias atuais, sem perder a essência do original, algo fundamental para que a continuação funcione. O humor ácido se destaca, principalmente ao abordar o choque entre o mundo da moda tradicional e as exigências da modernidade, sendo trabalhado de forma inteligente e eficaz.
A direção também acerta ao equilibrar nostalgia e novidade, trazendo referências ao primeiro filme sem depender exclusivamente delas. Outro ponto forte está na condução do elenco, onde David Frankel consegue extrair o melhor de cada atriz, equilibrando drama e humor com naturalidade. Além disso, o ritmo do filme é muito bem conduzido, mantendo a narrativa dinâmica e envolvente, sem deixar que os momentos mais emocionais quebrem a fluidez da história.
Nos dias atuais, não seria aceitável manter Miranda tratando seus funcionários de forma abusiva, como jogar roupas sobre a mesa e exigir tarefas de maneira autoritária. O filme entende isso e transforma essa questão em parte da narrativa, utilizando o humor para mostrar a personagem tentando se adaptar a uma nova realidade.

Andy Sachs (Anne Hathaway) retorna com uma postura completamente diferente. Agora consolidada como jornalista, ela seguiu seus sonhos e demonstra mais maturidade, segurança e inteligência. “O Diabo Veste Prada 2” também valoriza ainda mais o talento dramático de Anne Hathaway, que entrega uma atuação natural, sem exageros, e ainda mais consistente do que no primeiro filme.
Emily Charlton (Emily Blunt) também ganha mais espaço. A atriz é melhor explorada nesta continuação, mostrando ainda mais domínio de sua personagem, uma profissional apaixonada por moda, exigente e extremamente competente. Sua presença é mais relevante aqui do que no filme original, e Emily Blunt entrega uma performance excelente.
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A direção de arte é outro grande destaque. Os detalhes são extremamente bem trabalhados, principalmente nos cenários ligados aos desfiles de moda e nas locações internacionais, com destaque para a Itália.
O figurino de “O Diabo Veste Prada 2” continua sendo um espetáculo à parte. Mais uma vez, o filme entrega um nível de luxo impecável, encantando especialmente os amantes da moda, que encontram aqui um verdadeiro desfile visual.
Além disso, a trilha sonora eleva ainda mais a experiência. As músicas são bem encaixadas ao longo do filme e contribuem para a ambientação das cenas. A participação de Lady Gaga adiciona um diferencial marcante, elevando o longa a outro patamar.
No fim, “O Diabo Veste Prada 2” entrega humor, emoção e, principalmente, um sentimento de conforto para os fãs que aguardaram 20 anos por essa continuação, deixando a clara sensação de que valeu a pena esperar.

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