Ivan Lins emociona o público e reafirma sua grandeza na MPB
Na noite de 11 de abril, o Qualistage recebeu Ivan Lins em clima de celebração pelos seus 80 anos e por uma trajetória que já atravessa mais de meio século de música, marcada também pelo amplo reconhecimento internacional de sua obra. Longe de se apoiar apenas nos sucessos que o consagraram, o artista conduziu um espetáculo generoso, equilibrando clássicos que o público canta de cor com escolhas menos óbvias, revelando camadas mais íntimas de um repertório vasto e sofisticado. A sensação era de que, embora a ocasião fosse comemorativa, quem saía presenteado era a plateia, envolvida por um roteiro afetivo e cuidadosamente desenhado.
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Antes mesmo de subir ao palco, o espetáculo já se abria como um mergulho em sua própria história: no telão, uma sequência de imagens revisitava sua infância, avançava pela juventude e chegava aos primeiros passos na carreira, enquanto uma narração em off do próprio Ivan Lins conduzia o público por essas lembranças em tom íntimo e confessional. O prólogo audiovisual não apenas contextualizava a dimensão do artista celebrado, mas também instaurava uma atmosfera de expectativa e conexão, como se cada espectador fosse convidado a percorrer esse caminho antes de testemunhar, ao vivo, o resultado de toda essa trajetória.
Organizado em blocos temáticos, o repertório privilegia sequências de três canções apresentadas sem interrupções, o que confere fluidez e unidade à narrativa do show. Logo no primeiro desses momentos, surgem Abre Alas e Daquilo que Eu Sei, estabelecendo de imediato uma conexão afetiva com o público e sinalizando o equilíbrio entre emoção, memória e refinamento que guia toda a apresentação.
No palco, Ivan Lins mantém um traço que já se tornou marca registrada: canta sempre em pé, ao piano, conduzindo o espetáculo com elegância e domínio. Ao seu lado, uma banda de alto nível sustenta cada nuance do repertório, com Fernando Monteiro na guitarra e violão, Marco Brito nos teclados, Nema Antunes no baixo, Felipe Moura no trompete, Marcelo Martins no sax e flauta, e Téo Lima na bateria. O conjunto constrói uma base sonora precisa e sofisticada, capaz de sustentar tanto os momentos mais intimistas quanto os arranjos mais expansivos.
Na primeira interação com a plateia, Ivan Lins reflete sobre a chegada aos 80 anos e reconhece na música e na família os pilares de sua trajetória. Em tom sereno, reafirma também um compromisso permanente com a beleza e revela que escolheu celebrar essa data cantando o amor. A fala desemboca em “O Amor é Meu País”, “Iluminados” e “Ai, Ai, Ai, Ai, Ai”, ampliando a atmosfera afetiva proposta.
O clima se transforma quando o artista aborda os momentos em que o amor não encontra seu caminho. A reflexão abre espaço para um bloco que mergulha nas dores e recomeços, com “Saindo de Mim” e “Começar de Novo”, em uma sequência que encontra na melodia uma forma de elaborar a desilusão.
Em outro momento, destaca o amor pela composição e reverencia os parceiros que marcaram sua trajetória criativa. O comentário prepara o terreno para um bloco dedicado ao samba, reunindo Madalena, “A Gente Merece Ser Feliz” e “Sou Eu”, em que o balanço e a leveza ganham primeiro plano.
Ao tratar da influência da música interiorana brasileira em sua obra, Ivan Lins conduz o público a um momento de maior introspecção. “Estrela Guia”, dedicada a Milton Nascimento, se soma a “Guarde nos Olhos” e “Bandeira do Divino“, formando um dos trechos mais delicados do espetáculo.
A energia cresce novamente com “Vieste” e “Vitoriosa”, recebidas com entusiasmo por uma plateia que acompanha cada verso, reforçando o vínculo entre artista e público.
Na continuidade do roteiro, Ivan Lins comenta a situação geopolítica atual do mundo e a incorpora ao espetáculo de forma direta. A inédita “Meninos de Gaza” se conecta a “Nos Dias de Hoje”, propondo um diálogo entre o repertório e o tempo presente.
Em seguida, “Lembra de Mim” ganha interpretação sensível e serve de ponto de partida para um comentário sobre o papel das trilhas de novela na difusão da MPB. A relação se completa com Lua Soberana, evidenciando o alcance dessas canções.
Já nos momentos finais, “Antes Que Seja Tarde” transforma a plateia em coro, em um dos instantes mais participativos da noite. O artista se retira sob aplausos, mas o encontro ainda não terminou.
No bis, Ivan Lins retorna para interpretar “Desesperar Jamais” e “Novo Tempo”. Só então vem a despedida definitiva, encerrando um espetáculo que atravessa gerações e reafirma sua posição como um dos grandes compositores da música popular brasileira.
Imagem Destacada: Divulgação/Qualistage
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