O anti-herói mais famoso dos quadrinhos acabou de ganhar uma série na Netflix e já é um grande sucesso, mas a maior pergunta é: depois de dois filmes que adaptaram muito mal o personagem, será que a série faz jus ao material fonte?

Já aviso previamente, esta matéria contém leves spoilers, tanto da segunda temporada de “Demolidor” quanto da série do “Justiceiro”.

Origem

O personagem dos quadrinhos surgiu pela primeira vez na revista “Amazing Spider-Man #129″, porém, não foi nessa edição que tivemos sua origem, que foi apresentada posteriormente.

A origem do Justiceiro se dá quando, ao voltar da guerra – originalmente a guerra do Vietnam e mais tarde modificada para a guerra no Iraque, de forma a modernizar o personagem – ele resolve passar o feriado americano do 4 de Julho com a família, fazendo um piquenique em um parque. Porém, neste mesmo dia ocorre um confronto entre máfias rivais e a família de Frank Castle acaba pega no fogo cruzado, nascendo então o Justiceiro, um anti-herói que busca vingança ao matar todo e qualquer bandido que aparecer.

Essa origem foi abordada durante a segunda temporada de “Demolidor“, onde o personagem foi apresentado. Porém, no final da temporada e no início da série do “Justiceiro” descobrimos que na verdade o assassinato da família de Frank faz parte de um cenário maior de corrupção militar e é nesse ponto que começam as principais diferenças com o personagem dos quadrinhos.

Frank Castle, o Justiceiro

Nos quadrinhos temos um Frank Castle extremamente frio e calculista. Desde sua primeira aparição ele é um personagem que atira primeiro e pergunta depois. O tom de suas histórias também é bem sério e repleto de violência, quase sempre contando com o personagem indo atrás de alguma gangue, quadrilha, máfia ou família de criminosos.

Enquanto isso, na série, parece que temos Justiceiro de menos. Devido a introdução de toda uma teoria de conspiração em torno da morte de sua família, o personagem passa a série indo atrás de militares corruptos em vez de bandidos, bem como se torna menos frio que nos quadrinhos. Temos então um personagem muito mais humano, no qual você pode sentir as dores que passam por sua cabeça atormentada, claramente em uma tentativa de pautar a série na realidade.

Micro(chip)

Talvez o personagem mais modificado tenha sido David Lieberman, que nos quadrinhos é chamado de Microchip, e na série optaram por reduzir o nome apenas para Micro. Enquanto nos quadrinhos o personagem é um hacker acima do peso que se vê com problemas ao hackear o mafioso errado, na série temos um personagem muito mais profundo, quase uma referência a Edward Snowden. Aqui, ele trabalhava para a NSA quando acabou esbarrando na informação errada. Ao tentar investigar o caso, ele acaba tendo uma tentativa de assassinato e seu nome difamado como um traidor da nação. Ele então procura Frank Castle para ajudá-lo a consertar tudo, enfrentando os homens que acabaram com suas vidas.

Billy Russo

Por fim, vale citar também o personagem Billy Russo, que na série era colega de Castle no exército e nos dias atuais trabalha em uma firma militar particular. Nos quadrinhos, Billy “O Belo” Russo era um assassino da Maggia, uma das máfias de Nova York da Marvel, que é atirado através de um painel de vidro por Frank. Por conta disso seu rosto, antes considerado muito bonito, é severamente cortado. Após ter seu rosto costurado, ele adota o nome Retalho e se torna um dos maiores vilões do Justiceiro. Aparentemente, o resultado final na série será o mesmo que nos quadrinhos, porém as origens do personagem foram modificadas para se adaptarem ao universo estabelecido para Frank na série.

Veredito

A série do Justiceiro não é uma adaptação perfeita do material fonte. Na verdade, ela foge de algumas características em prol de uma história que começou a ser estabelecida em “Demolidor”. Porém isso não faz com que seja uma série ruim, muito pelo contrário, a série é excelente, mais ainda se compararmos com os dois filmes do Justiceiro que tivemos no passado, que continham histórias extremamente rasas e agradaram pouquíssimos fãs.

Claramente, esta série veio para terminar a trama que começou em “Demolidor” e abrir espaço para, caso seja um sucesso, continuar com uma segunda temporada mais pautada na caçada aos bandidos de Frank Castle.


Por Bruno Dias


Apoia-se

Show Full Content
Previous Crítica: Pai em dose dupla 2
Next Crítica (2): O Dia Depois

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close
Close