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Crítica

Crítica (2): O Dia Depois

As novas possibilidade do cinema sul-coreano

Assistir filmes vindos de continentes que normalmente não aparecem nos circuitos comerciais, pode se tornar uma experiência cinematográfica bem mais interessante quando é proposto visualizar o que cada um tem a apresentar, de acordo com sua determinada cultura e a influência que gera em torno desta indústria.

O diretor e roteirista Hong Sang-soo vem construindo sua trajetória sob olhares atentos de um público voltado para esta arte e, que diante da oportunidade de conhecer novas obras antes inacessíveis, hoje encontra na grande diversidade de sala alternativas pelo país a chance de estar diante daquilo que é tendência do outro lado do Mundo.

Em sua segunda produção lançada apenas neste ano – a primeira sendo “Na Praia à Noite Sozinha”, na qual também já escrevemos uma crítica, Hong não arrisca tanto no modo como filmar uma história voltado para a funcionalidade das relações humanas, mas permite que a narrativa seja montada com mais liberdade para a construção da trama. “O Dia Depois” consome mais daquilo que a técnica de fazer filmes propõe, desde uma linearidade de roteiro mais alternativa, não se importando tanto em situar o espectador do espaço-tempo daquilo que os personagens estão vivendo. Naturalmente, transformando-se em uma obra orgânica e que evoluindo de maneira que é possível perceber a intenção de que aquela história contada terá um desfecho.

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Trazendo boa parte da mesma equipe que participou em sua última produção, Hong volta também com uma das mais percebidas atrizes sul coreanas do momento, Kim Min-hee. Agora, ela divide a tela com Kown Hae-hyo, que interpreta Kim Bongwan, dono de uma editora de livros, na qual Areum Song (Kim Min-hee) acabou de ser contratada. Bongwan é casado, mas mantém um relacionamento extraconjugal com uma antiga funcionário da sua própria editora. Ao mesmo tempo em que Areum chega para começar a trabalhar, a esposa de Bongwan descobre a traição do marido.

Areum é uma mulher otimista, e faz das suas perspectivas e crenças o motivador para enfrentar e discutir sobre a situação a qual ela foi colocada. Embora tudo a sua volta parece não estar certo, a relação com com seu chefe e as duas outras mulheres serve apenas como empecilho para que continue trabalhando. Ao contrário, Bongwan transmite uma essência egoísta e também desastrada em não manter a confidencialidade necessária.

Os planos longos característicos de Hong estão lá, dando ênfase para o que é dito e pela interação dos personagens como o local. Assim como a fotografia ambulante de Kim Hyung-ko, com sua câmera que parece ter vida dentro da tela, usando do também característico zoom em meio às ações, o que ainda não é muito comum. Mas que desta vez possui mais fluidez, principalmente quando diante de diálogos que levam alguns bons minutos. O que se diferencia aqui é o preto e o branco do filme, pois a percepção estética que construímos ao longo dos anos assistindo filmes, sempre que se depara com este conceito atualmente, chama a atenção pelo simples fato de escolher subtrair a cor da sua história. Não que isso tire a sua importância, visto que a própria técnica de filmar e principalmente em criar um filme neste conceito e adaptá-lo para conceber um produto coerente com sua proposta.

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De fato, o cinema sul-coreano possui o seu espaço na indústria, seja ela alternativa ou não. Muito daquilo que conhecemos sobre a cultura asiática vai da literatura e da própria cultura pop em si, mas a arte de fazer filmes também está dentro do pacote de métodos capazes de dar visibilidade para uma enorme fonte de conteúdo capaz de fazer parte dos mais diversos nichos da produção audiovisual do Mundo.


Por Guilherme Santos

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