Conheça um pouco da trajetória de Lizzie Borden, que é tema da mais nova temporada da antologia “Monstro” da Netflix
No último dia 17 de setembro, estreou mais uma temporada da série antológica de crimes reais da Netflix “Monstro: A História de Lizzie Borden“. A série conta a história da jovem aristocrata americana acusada de assassinar o pai e madrasta com golpes de machado, no dia 4 de agosto de 1892. Mesmo inocentada pela justiça alguns meses após o crime, a vida de Lizzie ganhou status de lenda urbana, principalmente pelas diversas criações da cultura pop em referência a seus supostos crimes.
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Lizzie Borden: repressão e feminismo na série da Netflix
Nascida em 19 de julho de 1860, Lizzie Andrew Borden ganhou notoriedade após ser acusada de assassinar o pai Andrew Borden e a madrasta Abby Durfee Gray com um machado. Após ficar nove meses presa, foi inocentada em 20 de junho de 1893. O caso jamais foi solucionado, o que favoreceu especulações e teorias populares tanto sobre os assassinatos quanto sobre as possíveis motivações de Lizzie.
Com um elenco de peso, a série de Ryan Murphy e Ian Brennan “Monstro: A História de Lizzie Borden“, seguiu o caminho a partir de uma atmosfera de opressão familiar sobre Lizzie (Ella Beatty), que sofria ataques constantes da madrasta (Rebecca Hall) e o desprezo do pai (Charlie Hunnam) e da irmã Emma (Billie Lourd). A vida da aristocrata mudaria com a chegada da nova empregada Bridget/Maggie (Vicky Krieps), que aos poucos passa de conselheira e confidente a amante da jovem.

A série tem uma direção de arte luxuosa, excelentes atuações e um bom desenvolvimento da psicologia da personagem principal até o quarto episódio, quando começa a se perder. Ao olharmos as críticas no site Rotten Tomatoes, é quase unânime que a série é cheia de boas intenções mal executadas no roteiro. A forma como o feminismo é abordado faz parecer que crimes podem ser justificáveis. Outro ponto bastante criticado, é que a série priorizou contar a história mais pelo caminho das teorias e lendas urbanas que foram criadas na cultura popular do que pelos fatos documentados.
Como foi o crime real, o julgamento e o relacionamento de Lizzie com Bridget

Em 4 de agosto de 1892, a cidade de Fall River, em Massachusetts, tornou-se palco de um dos crimes mais chocantes da história americana: Andrew Borden e sua esposa Abby foram brutalmente mortos a golpes de machado dentro de casa. Abby sofreu entre 18 e 19 golpes, enquanto Andrew foi atingido de 10 a 11 vezes.As suspeitas recaíram imediatamente sobre a filha mais nova de Andrew, Lizzie Borden, de 32 anos, impulsionadas por depoimentos contraditórios, suspeitas de envenenamento prévio e intensos atritos familiares motivados por disputas financeiras.
Presa e submetida a um julgamento em 1893, Lizzie foi absolvida por um júri inteiramente masculino, uma vez que apenas homens eram autorizados a participar. O veredito veio pela ausência de evidências físicas diretas e ao fato de a arma do crime nunca ter sido confirmada. Apesar do veredito, nenhum outro suspeito foi condenado e ela viveu sob forte ostracismo e estigma social até sua morte, em 1927.
Na série, a chegada da empregada Bridget Sullivan muda a vida de Lizzie, inicialmente com uma amizade e depois com um relacionamento amoroso. No entanto, não há qualquer evidência material de um relacionamento entre elas, essa teoria surgiu a partir de especulações em função de Lizzie não ter se casado. Já Bridget se casou com um homem, e levou uma vida discreta até seu falecimento em 1948.
Lizze na cultura popular: cantigas, filmes, séries e livros

Sem uma solução definitiva, a história de Lizzie Borden ultrapassou o true crime e transformou a personagem em um verdadeiro mito do folclore e das lendas urbanas, imortalizada em uma macabra cantiga infantil de pular corda que dizia “Lizzie pegou um machado/deu quarenta pancadas na mãe/quando viu seu estrago/deu quarenta e uma no pai“. Para o universo da ficção, do terror e do suspense, sua figura tornou-se uma fonte inesgotável de inspiração, gerando obras literárias como “Maplecroft”, de Cherie Priest, e “Lizzie” de Evan Hunter (também conhecido como Ed McBain), que inclusive foi quem sugeriu o relacionamento entre Bridget e Lizzie.
Antes da série da Netflix, a história recebeu diversas adaptações marcantes no cinema e na televisão. Destacam-se o clássico telefilme de 1975 “A Lenda de Lizzie Borden” estrelado por Elizabeth Montgomery, a produção de 2014 “A Arma de Lizzie Borden” protagonizada por Christina Ricci, e o filme “Lizzie” de 2018, com Chloë Sevigny e Kristen Stewart.
Imagem Destacada: Divulgação/Netflix


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