Ontem, eu recebi uma correspondência do trabalho informando que eu estou, oficialmente, aposentado. Eu não tinha percebido que atingira a idade limite, no meu caso, 56 anos. Eu achava que isso só aconteceria aos 60. Coincidentemente, eu já havia pensado no assunto da semana: falar sobre a terceira idade, afinal, ela está chegando.

Eu não me preocupo com a idade, e sempre procuro viver o presente, da forma mais intensa possível. Evito carregar o passado nas costas e o tê-lo apenas como referencia para decisões futuras e também do dia a dia. O futuro é tratado, por mim, de forma  preventiva. Aliás, eu penso que o futuro nunca vai chegar, ele, na verdade é só uma maneira de antevermos o que vai acontecer, de planejar o amanhã, quando o hoje chegar. E o passado? O passado foi ontem. O dia da viver é hoje. Hoje é o dia de viver a vida.

No começo da minha carreira eu via os que estavam perto da aposentadoria e alguns eram exemplo do que eu não queria ser. Eram desprezados pelos superiores e de seus pares e serviam de chacota para os mais novos. Sempre acreditei que é melhor aprender com o erro dos outros do que com os nossos. O tempo foi passando e eu, cada vez mais, me sentindo em casa, fui construindo uma vida de respeito e consideração dos meus companheiros(pares, superiores e subordinados). Penso também que a vida é vista de dentro pra fora. Daí  podemos entender quando vimos pessoas de mais idade, cheias de energia, e com atitudes joviais. Chega uma hora na vida das pessoas que o corpo não obedece mais a mente. Nesse caso é necessário pensar no futuro para que o nosso hoje possa durar mais tempo e possamos ter mais prazer em falar do nosso passado, acumulando um bom material para contar histórias, quando elas forem o nosso único legado.

Eu observo, nas ruas, as pessoas que já atingiram a terceira idade. Me chama a atenção aquelas que, pelo fato de terem chegado aos 60, 65 anos, precisarem exigir serem respeitados e, para isso, tenham que invocar a lei. Antigamente, bastava apenas uma boa educação, então, papel da família. Não haveria qualquer necessidade dos assentos amarelos nos meios de transporte se todos aprendessem, desde de pequenos, a respeitar os mais velhos. Na minha escalada em minha profissão, sempre procurei respeitar os postos acima para que quando eu chegasse lá, eu viesse a ser respeitados pelos mais novos.

Tenho ouvido muitas reclamações de pessoas da terceira idade, cobrando o respeito dos mais novos. Antes, vale lembrar que a juventude não é sinônimo de força, nem a velhice é sinônimo de experiência. A força precisa ser usada com a inteligência, enquanto que a maturidade é fruto de muita vivência. Nenhum passado é suficiente tenebroso a ponto de impedir um presente de felicidade. Não é necessário esperar o futuro para sermos felizes. Pesa sobre todos que cada geração é responsável pela formação da geração seguinte. Se não somos respeitados pela nova geração é, provavelmente porque não ensinamos a respeitar ou, pior, não demos o exemplo, respeitando os mais velhos. Talvez este texto esteja repleto do verbo respeitar, mas, não repare, pois o que está faltando entre as gerações é nada mais nada menos do que respeito.

Por Ivo Crifar