Em filme divertido e colorido, herói criado como brinquedo pela Mattel retorna em superprodução da Amazon MGM
O herói He-Man e a marca “Mestres do Universo” retornam às telas de cinema produzido pelo estúdio Amazon MGM e distribuição da Sony Pictures para abocanhar sua fatia de nostalgia e entretenimento junto aos fãs que acompanharam as animações ao longo das décadas e também aqueles que guardam na memória uma versão bastante diferente da franquia, apresentada no longínquo ano de 1987 pelo saudoso estúdio Cannon.
E não se pode dizer que seja uma tarefa fácil, haja vista os números de bilheteria da primeira semana de estreia, abaixo das expectativas do estúdio.
No entanto, bilheteria e expectativa não são sinônimos de qualidade.
Chega aos cinemas uma obra divertida, que não tem receio de ser colorida e de se jogar na galhofa. Muita galhofa.
A trama faz uma curiosa aproximação com o mundo corporativo.
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Vejam só: o príncipe Adam, cujo alter ego é o poderoso He-Man, é um analista de Recursos Humanos em um emprego no qual se destaca justamente pela empatia, embora não demonstre grande interesse pela carreira, pois é obcecado em achar a espada de Grayskull e retornar ao seu lar no Planeta Etérnia e tem que lidar com sua chefe, uma pessoa dissimulada (e bastante engraçada).
O filme também não foge das tradicionais histórias de origem dos heróis predestinados ao triunfo, não importa o quanto sejam subestimados por amigos, inimigos e até pelo próprio pai.
Nesse aspecto, o ator britânico Nicholas Galitzine entrega uma atuação carismática e segura.
O protagonista convence em todos os momentos da jornada, fazendo o público comprar os absurdos de sua aventura desde a Terra até o retorno à sua querida Etérnia, devastada pelo impagável Esqueleto de Jared Leto.
Conhecido por seu método de atuação, Leto parece mais à vontade aqui do que em trabalhos recentes, mesmo com o filme exagerando na manipulação digital de sua voz.
E é isso.
Com coadjuvantes apenas funcionais, Idris Elba faz um Mentor bastante simplificado, enquanto a representante brasileira no elenco, Camila Mendes, interpreta Teela, amiga de infância de Adam e companheira de aventuras.

Ambos trazem o conforto dos personagens conhecidos pelos fãs das animações, mas em registros muito mais cômicos e distintos daqueles vistos nos desenhos.
Essa é justamente a grande esperteza de He-Man, como vou chamar o filme daqui para frente, mas também parece ser seu principal ponto fraco.
A produção é pueril demais para parte do público mais jovem e, ao mesmo tempo, não reproduz exatamente o tom das animações que marcaram gerações.
Há mensagens positivas sobre empatia, trabalho em equipe, superação e redenção, como convém a qualquer blockbuster baseado em uma marca dos anos 1980 e também há muito coração, cortesia do diretor Travis Knigt do excelente “Kubo e as Cordas Mágicas” e do muito divertido “Bumblebee” — um dos melhores filmes relativo a franquia cinematográfica Transformers.
Porém, nem todos estão dispostos a se desapegar da nostalgia quando o filme decide deturpar elementos conhecidos de maneira, por vezes, bastante inteligente, inclusive com críticas a nerds, herdeiros e renegados.
Destaque também para a trilha sonora, assinada pelo veterano Brian May, da banda Queen.
O filme inclusive faz uma ótima piada envolvendo uma das músicas compostas pelo grupo para “Highlander, O Guerreiro Imortal”, produção que será a próxima adaptação do estúdio e ganhará um reboot estrelado por Henry Cavill, o ex-Superman.
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A produção não se furta a apresentar um mundo vibrante e visualmente chamativo, embora se limite a cerca de três cenários principais durante toda a trama, provavelmente por razões orçamentárias.
O CGI não é sempre eficiente, mas alguns dos aliados e inimigos do herói apresentam designs interessantes.
Além disso, é um verdadeiro alívio ver saturação e contraste em uma superprodução, considerando que a maioria dos blockbusters atuais aposta em paletas acinzentadas.
Agora, vamos aos spoilers

Após (claro), a vitória dos heróis sobre os vilões, o filme apresenta três cenas pós-créditos.
A primeira traz o saudoso aprendiz de bruxo Gorpo que, como não poderia deixar de ser, encerra sua participação com uma lição de moral relacionada aos acontecimentos da trama. Quem sabe ele não retorne em uma continuação?
A segunda apresenta uma grande revelação: She-Ra, a Princesa do Poder e irmã de He-Man, está perdida em uma dimensão desconhecida, enquanto a rainha e Mentor demonstram esperança em encontrá-la, assim como aconteceu anteriormente com Adam.
A terceira e última cena mostra Maligna, interpretada com fina ironia por Alison Brie, recolhendo o que restou do crânio de Esqueleto após a surra aplicada por He-Man e a destruição do cajado do vilão.
Tudo indica que o objetivo é realizar um encantamento capaz de revivê-lo.
Por fim, ouvimos sua inconfundível gargalhada pronunciando, em tom de desafio e desdém, o nome do herói.
Imagem Destacada: Divulgação/Sony Pictures



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