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Literatura

Mulheres na Poesia

Sim, nós fazemos poesia de qualidade!

É difícil acreditar que em pleno 2017 ainda hajam diferenças discrepantes de oportunidades entre homens e mulheres. Existem estatísticas a esse respeito em vários sentidos, e um deles é o número de mulheres publicadas, que é muito inferior ao sexo oposto, sempre ficando em últimos lugares nos rankings de comparação. Essa diferenciação não se dá pela falta de qualidade nas escritas e sim por uma cultura arcaica patriarcal que ainda insiste em vigorar nos dias atuais. Diferenças à parte, hoje gostaria de destacar algumas dessas poetisas que, apesar de tudo, resistem firmemente e seguem fazendo sua arte com maestria, seja se auto publicando, utilizando as redes sociais como ferramenta para alcançar maior visibilidade profissional e/ou seja buscando e encontrando editoras, e por ai vai.

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Das consagradas e mais conhecidas como “Cecília Meireles”, “Hilda Hilst”, “Pagu”, “Olga Savary”, “Adélia Prado”, “Tatiana Belinky”, “Alice Ruiz”, “Ana Cristina Cesar”, “Cora Coralina”, “Leila Miccolis”, “Orides Fontela”, “Elisa Lucinda” às notáveis que talvez você nunca tenha ouvido falar como “Elizandra Souza”, Conceição Evaristo, “Francisca Júlia”, “Gilka Machado”, “Auta de Sousa”, “Narcisa Amália”, “Carolina Maria de Jesus”, “Agatha Duarte”, “Stela do Patrocínio”, “Alzira Rufino” e tantas outras… Tantas que ousaram poetizar mesmo em tempos em que não podiam nem mesmo estudar.

O intuito aqui é expandir o leque de opções literárias para você que ama poesia e boa escrita, que curte ler, e até mesmo, para você que ainda não encontrou uma leitura que lhe prendesse de fato a atenção. E não se enganem imaginando que, por serem mulheres, a escrita se limita somente a esse público ou a uma única temática. Elas escrevem e transbordam amor e reflexão a respeito dessas e de tantas coisas quanto nossas mentes podem alcançar e por isso são tão preciosas para nossa vida e literatura. Deixo-vos com um pouco da alma de algumas das nossas poetisas brasileiras para que lhe instiguem a procurar suas obras e também lhe façam querer, quem sabe, descobrir mais sobre o que esta sendo poetizado por ai. Boa leitura!!!

  • Cora Coralina

“Escrever é uma recriação da vida, e, recriando a vida, eu me comunico. Não invento, não sou uma criadora, sou uma recriadora da vida. Esta é a marca mais viva do meu espírito junto à minha capacidade de dizer uma mentira.” 

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  • Elizandra Souza – “Em Legítima Defesa” 

“Estou avisando, vai mudar o placar…
Já estou vendo nos varais os testículos dos homens que não sabem se comportar
Lembra da cabeleireira que mataram outro dia,
… E as pilhas de denúncias não atendidas?
Que a notícia virou novela e impunidade
É mulher morta nos quatro cantos da cidade…
(…)” 

  • Viviane Mosé – “Receita para lavar palavra suja”

“Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza.
Por exemplo a palavra vida.

Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso,
o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
(…)” 

  • Agatha Duarte

” (…) Moça,
Coloca o batom vermelho
Pinta as unhas de azul
Dança blues
até o amanhecer
Ria alto até a barriga doer
Ouça o conselho dos outros
Mas nunca deixa de escutar você (…)” 

  • Cecília Meireles

“… Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda…” 

“existe quando canta
por isso canta
pra existir
e morre
quando cala
[cada vez mais difícil
ressuscitar]” 

  • Alzira Rufino

“Sou negra ponto final
Devolvo-me a identidade
Rasgo a minha certidão
Sou negra
Sem reticências
Sem vírgulas
Sem ausências
Sou negra balacobaco
Sou negra noite cansaço
Sou negra
Ponto final.” 

“Maria não amava João.
Apenas idolatrava seus pés
escuros.
Quando João morreu,
assassinado pela PM,
Maria guardou todos os seus sapatos.” 

“Eu não queria me formar
Não queria nascer
Não queria formar forma humana
Carne humana e matéria humana
Não queria saber de viver
Não queria saber da vida
Eu não tive querer
Nem vontade para essas coisas
E até hoje eu não tenho querer
nem vontade para essas coisas” 

  • Adriana Dehoul

“E de repente bate uma vontade de voar
Simplesmente jogar seu corpo no ar
E se deixar levar
Ir além das nuvens
Onde não consigo enxergar
Ir
Fluir
Fugir
Seguir
Apenas e tão somente
Se permitir”

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Written By

Adriana Dehoul é maquiadora, atriz e produtora desde que resolveu seguir seus sonhos na carreira artística. Sem perder a meninisse para as durezas da vida, ela gosta de subir em arvores e viajar ouvindo o canto dos pássaros e as ondas do mar. Deseja compartilhar poesias nesse mundo de inquietações que transborda amor apesar de tudo.

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