Crítica – Alice Através do Espelho

Sobre o tempo e as coisas da vida
13217361_10201854882209230_7243597529608186399_o“Alice Através do Espelho” veio em um excelente momento. Em tempos de luta pelo empoderamento feminino, ganhando cada vez mais força na internet e no mundo, é impossível não se alegrar ao ver logo na cena de abertura a heroína Alice, agora Capitã do navio “Wonder” – herança de seu pai – surgindo destemida, apresentando a coragem que fora despertada no primeiro filme e salvando a sua tripulação de ser bombardeada por outros navios enquanto evitava que o próprio se partisse nas rochas. Tudo isso, em meio a uma forte tempestade.

Ainda falando sobre a luta feminina, o roteiro foi muito inteligente ao aproveitar a ideia da creepypasta na dose certa, inserindo a internação de Alice em um hospício, com motivo diferente: a protagonista é internada sob acusação de estar extremamente agitada e criando fantasias, recebendo assim o diagnóstico de histeria feminina, um dos tormentos pelos quais as mulheres passaram no século XIX. Alice tornou uma mulher a frente do seu tempo e foi diagnosticada com essa “doença” ao querer fazer suas próprias escolhas sem se importar com o que achavam ser ou não apropriado para uma dama.

O crescimento da personagem do primeiro para o segundo filme é notável e continua a acontecer no decorrer da sequência. A atriz Mia Wasikowska contribui para isso, com um excelente desempenho, mostrando que foi a escolha certa para o papel.

Outro ponto para o roteiro está no fato de que Linda Wooverton demonstrou uma sensibilidade incrível ao retratar o tempo e tudo o que ele representa. Além de mostrar o passado explicando a origem dos acontecimentos sem estragar a história ou a essência dos personagens, o condutor dessa trama (não só do filme, mas de toda a história de Alice) inunda nossas mentes com inúmeras reflexões, não deixando de nos arrancar gargalhadas com uma personalidade única. Por ser o tempo personificado, rendeu ótimas piadas sobre as frases populares que se referem a ele e, apesar de antigas, eram inevitáveis. Impossível não rir nesse momento, até porque o tempo é Sacha Baron Cohen. Apenas.

O figurino é um espetáculo a parte. Colleen Atwood acerta mais uma vez em tudo, mas os destaques aqui vão para Alice, que agora se veste de acordo com o seu novo modo de vida, uma mulher de negócios que viaja pelo mundo no comando de um navio, e o Chapeleiro, que no início aparece com roupas completamente sóbrias, tanto na cor quanto na modelagem, em um momento de depressão aliando a maquiagem, que apresenta um cabelo que vai ficando branco e um rosto mais sombrio à medida que a tristeza aumenta, somados à atuação inigualável de Johnny Depp.

Falando em atuação, o elenco demonstra um entrosamento que conduz o público em uma divertida viagem, como a majestosa Helena Bonhan Carter e a maravilhosa Anne Hathaway, além dos demais que entraram para acrescentar a história. Sem falar nos incríveis mestres que emprestaram suas vozes, como Toby Jones, Timothy Spall e o saudoso e inesquecível Alan Rickman, representando a voz da sábia lagarta Absolem.

Apesar de Tim Burton não estar na direção, a sua estética se mantém e continuamos a ver sua maneira única de representar o lúdico. As cores são maravilhosas e a experiência é sensacional em 3D. Tudo no filme prende a atenção do início a final. Ele diverte e ensina ao mesmo tempo, vale a pena ir aos cinemas para assistir.

Crítica - Alice Através do Espelho
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