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CríticaFilmes

Crítica: Cinco Graças

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
9 de janeiro de 2016 3 Mins Read
A Libertária Juventude

o50v9Iry2wUNqpvLpZiLzBmbQsiExibido no Festival do Rio no ano passado, vencedor do prêmio Descoberta Européia – Prêmio Fassbinder no Festival de Cinema Europeu, Prémio Lux do Parlamento Europeu e indicado ao Prêmio Globo de Ouro na categoria Filme Estrangeiro, o longa “Cinco Graças” estreia nos cinemas nacionais do dia 21 de janeiro e é o filme indicado pela França para a disputa do Oscar.

Narrado pela irmã mais nova, o filme conta a história de 5 meninas que são criadas pela avó e o tio em um vilarejo do norte da Turquia. No ultimo dia de aula e início do verão Lale e suas 4 irmãs brincam de forma descontraída com os meninos da escola em uma praia, mas a brincadeira se torna um escândalo aos olhos dos conservadores moradores da vila e acarretam várias consequências para elas. Aos poucos a casa se torna praticamente uma prisão e ao invés de aproveitarem os dias livres passam a ficar em casa aprendendo diversas atividades domesticas para serem boas esposas a seus futuros e arranjados maridos. As cinco não deixam de desejar a liberdade, e tentam a sua maneira resistir aos limites que lhes são impostos pela família.

Falado completamente em turco, o roteiro escrito por Alice Winocour e Deniz Gamze Ergüven, que estreia como diretora no longa, não possui diretamente um ápice dramático, mas se mantém constante de forma que não perca a mão. Impregnado de, para nós ocidentais, machismo de forma leve e um humor ocasionalmente divertido, o texto apresenta não só parte da cultura quase perdida e ainda imposta no país, como traz para nós uma sadia discussão de como podemos criar nosso filhos nos dias de hoje e ainda manter a identidade sócio-cultural do país.

Ideologicamente é possível perceber que talvez essa seja uma versão agradável de “As Virgens Suicidas”, o primeiro filme de Sofia Coppola lançado em 1999, sem aquela nostalgia e vontade de cortar os pulos em casa e, sem os suicídios em massa das meninas. Para o bem, o que particularmente achamos, ou para o mal, essa comparação vai de alguma forma rodar a cabeça de alguns expectadores que assistirem a ambos os títulos.

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A estreante Deniz foi perspicaz em sua direção e se preocupou em encontrar a beleza da juventude e a ideológica aventura da descoberta pessoal de cada uma delas. Mesmo que a menor, Lale (Güneş Şensoy), tenha uma importância maior por narrar a historia, foi possível ver e reconhecer as outras irmãs. Não existe uma inovação cinematográfica ou planos incríveis, existe a beleza da presença, do anseio e da realidade ali existente divinamente captada pela diretora.

No elenco não existe um destaque, pois os atores com diferentes idades conseguem manter o mesmo nível de interpretação para desenvolvê-lo na narrativa cinematográfica. Lógico que cada um dos personagens potencializará uma reação particular em cada expectador, podendo ir da dó ao nojo.

Pode até soar repetitivo, mas “Cinco Graças” é literalmente uma graça à vida. Nele podemos nos enxergar, assim como conseguimos ver amigos, parentes e outras pessoas que nos circulam. Algo de extraordinário que somos capazes de tirar dali, é a percepção sensorial e criativa que dominamos, se quisermos, através da simplicidade das coisas, das atitudes. Uma cultura é apresenta, questões são levantadas e o longa é uma inebriante história sobre ser o que quer, mesmo sem saber o que de fato um dia pode se tornar. Aplausos pelo vigor da incelik (delicadeza, em turco).

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9.6
8.5

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CinemaFestival do RioFestival do Rio 2016

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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