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Podia render mais, porém…

Após quatro anos, a sequência do fraquíssimo “Branca de Neve e O Caçador (2012)” chega aos cinemas no dia 21 de abril. Intitulado como “O Caçador e A Rainha do Gelo”, o filme está sob nova direção e mantém Charlize Theron e Chris Hemsworth no elenco.

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O novo filme serve de uma espécie de “prólogo” e “epílogo” do filme anterior e já esperamos que pare por aí. Na trama A Rainha Ravenna (Charlize Theron) governava com “justiça” (para quem mesmo?) até o dia em que sua bondosa irmã Freya (Emily Blunt) deu à luz uma menina destinada a retirá-la do posto de mais bela do reino. Irada, ela usa de sua magia para matar a criança, mergulhando sua irmã em uma profunda depressão e despertando seus sombrios poderes. Freya constrói um reino gelado e sequestra crianças para se tornarem seus soldados “caçadores”. Anos mais tarde, ao saber da morte de Ravenna, Freya decide ir em busca de seu espelho mágico. Só que Ravenna ressuscita e caberá à Rainha do Gelo e aos rebeldes Erik (Chris Hemsworth) e Sara (Jessica Chastain) lutarem, mais uma vez, contra os poderes malignos da vilã.

Novidades? Nenhuma além da troca dos diretores e dos roteiristas. Cedric Nicolas-Troyan, conhecido por seus trabalhos em Efeitos Visuais, estreia como diretor em um longa-metragem com, relativamente, o pé direito. Além de ser um blockbuster americano, ele soube conduzir as sequências do fraco roteiro de Craig Mazin e Evan Spiliotopoulos. Preferiu não abusar das cenas de ação e focar no desenvolvimento narrativo das imagens que, mesmo não tendo nada de novo, consegue apresentar um resultado final razoável.

Numa mistura de milhões de filmes épicos e mitológicos, o roteiro da dupla, Craig e Evan, baseado nos personagens “criados” por Evan Daugherty, tem diálogos pra lá de triviais, com poucas contextualizações interessantes e quase nulo os desenvolvimentos dramáticos, afinal o personagem principal é um dos piores atores de Hollywood e não consegue demonstrar muitas emoções com sua pretty face.

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Falando nele, Chris Hemsworth mais uma vez prova que beleza não põe mesa e tem, como esperado, uma péssima atuação. Não convencendo quando está com raiva, nem triste, nem sendo romântico, nem nada. Com um dos piores sotaques, o Caçador serve apenas de composição para as outras estrelas e para sorrir, que isso ele sabe fazer bem. Sua parceira amorosa, vivida por Jessica Chastain, chega para embalar a nova trama, mas não rende muito. Mesmo sendo uma boa atriz, a personagem Sara navega por águas calmas sem nenhuma notoriedade.

A Emily Blunt tenta e está até bem na sofrida e fria Freya, porém, Charlize Theron, com aproximadamente 20 minutos de aparição em todo filme, chama a atenção e destrói a presença de qualquer “astro” que fique ao seu lado. O filme anterior era para ser da Kristen Stewart, mas Charlize o roubou para si, assim como faz nessa sequência, tornando-o notável apenas pela sua presença como a Rainha Má, Ravenna.

Outros bons pontos para o filme são os efeitos visuais, que peca em alguns momentos, mas que acabam passando por apresentar outros efeitos excelentes; a caracterização de maneira geral, com ótimas maquiagens e os figurinos extremamente detalhados de fazer o queixo cair de tão deslumbrantes; e a música Castle, interpretado pela cantora Halsey, tocada durante os ótimos créditos finais.

A sequência não chega à dizer o porquê veio, mas ainda assim entretém, caso você queira. O enlatado, “O Caçador e A Rainha do Gelo”, pode agradar muita gente pois, ainda que seja fraco, ele consegue ser melhor que o primeiro. O que não seria difícil.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.