“Na bruma leve das paixões que vem de dentro”, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença fizeram um show com a turnê “O Grande Encontro – 20 anos”, na noite da última terça-feira (14) no Vivo Rio. A casa de shows estava lotada e os ingressos esgotados. O horário de início era às 22h e teve um atraso de quarenta minutos, mas que não fez nenhuma diferença nos primeiros minutos em que “Anunciação” começou a entoar no local. As cortinas se abriram para mostrar o trio, que após sair de uma capela, levou o público ao êxtase durante duas horas.

O Grande Encontro“, inicialmente, e como contado no show por Elba, era um projeto de Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Ela e Alceu assistiram ao show e sugeriram um quarteto. Feito, surgiu o projeto em 1996 e o lançamento do primeiro disco. Como lembrou a cantora carinhosamente, há 20 anos o grupo fez o show do Grande Encontro no Canecão, casa de show em Botafogo que está fechada desde 2010, mas parece que será reaberta em fevereiro de 2018, com um projeto de alguns alunos da UFRJ. Logo após o primeiro lançamento, saíram mais dois discos, mas sem a participação de Alceu Valença e o quarto, atual, que não conta com Zé Ramalho.

O trio, com uma sintonia já conhecida há décadas pelo público, cantou clássicos como “Me Dá Um Beijo”, “Caravana” e “Sabiá”, acompanhados pelos presentes em todas as canções. Elba e Alceu saíram e Geraldo conduziu o show cantando seus grandes sucessos, como “Sétimo Céu”, “Dona da Minha Cabeça” e “Dia Branco”, essa última cantada metade pelo cantor e metade pelo público, de maneira emocionante. O cenário também contribuiu para tornar todos os momentos mágicos, com certeza os belíssimos pingos de luz que simulavam estrelas não foram despercebidos.

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Elba retornou para cantar “Bicho de Sete Cabeças”, onde ela e Geraldo contaram como se conheceram, e dividiram com o público momentos especiais que viveram juntos ao longo desses anos de amizade. Logo depois, cantaram “Quando Fevereiro Chegar” e Geraldo saiu, para Elba começar a conduzir. A cantora começou o seu momento solo cantando, com uma interpretação belíssima, “Ai Que Saudade D’Ocê”, um clássico. Depois de contar com muito orgulho suas histórias de vida e seu contato com grandes poetas da música brasileira, Elba homenageou Zé Ramalho, cantando e tocando “Chão de Giz”. E as homenagens não pararam por aí, a atriz também prestigiou Gonzaguinha, cantando “Sangrando” e Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Dominguinhos em um mash-up de “Na Base da Chinela”, “Qui Nem Jiló” e “Eu Só Quero Um Xodó”.

Após o momento de Elba, era a vez de Alceu cantar seus grandes sucessos. Os dois cantaram juntos “Ciranda da Rosa Vermelha” e “Flor de Tangerina”, e o cantor levou o público à cantar a plenos pulmões, “Na Melodia de Pisa na Fulô”, “La Belle De Jour”, “Girassol”, “Como Dois Animais”, “Coração Bobo” e “Morena Tropicana”. Alceu, como sempre, colocou o astral mais para cima do que já estava, dançando e brincando no palco.

Geraldo e Elba retornaram para que o trio cantasse mais algumas canções juntos, como “Táxi Lunar” e também promovendo um frevo entre os presentes, com “Banho de Chuva”. Teve direito a Elba dançando frevo com um guarda-chuva entregue por um fã e muita dança dentro e fora do palco. Nada mais justo do que se despedir cantando o clássico “Frevo Mulher”, esperado ansiosamente pelos fãs.

“O Grande Encontro” promoveu uma noite mágica e emocionante, com um encontro de almas entre os presentes. Um show que não tinha quem estivesse parado, com sono ou entediado, foi de dançar e pular do começo ao fim, de sair suado e sem ar, e de ter a certeza de ter sido preenchido pela maravilhosa energia que saiu de dentro de Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. Fica o nosso muito, muito obrigada, pela noite.

A gravação do show para o DVD está disponível no canal oficial do “O Grande Encontro” no YouTube. Confira:


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Júlia Cruz

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

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