14 de dezembro de 2019

Em meio a todo o burburinho do Oscar, vale sair do mainstream e atualizar a lista de filmes que não estão no circuito da fama. Há bastante tempo “The Sea of Trees” (título original) vinha sendo comentado negativamente, apesar de contar com um time de peso tanto no elenco, como na direção. Afinal, um longa de Gus Van Sant é um convite tentador na maioria das vezes. Além de Sant, memorável por sua obra prima “Gênio Indomável”, o filme traz Matthew McConaughey e Naomi Watts como protagonistas. Até aí parece uma receita de sucesso.

O filme cumpre seu papel: é excessivamente melodramático e triste. É pesado, arrastado, mas, não longo. É um misto de agonia com tristeza. No fim, traz uma mensagem bonita mas que custa muitas lágrimas.

O fracasso fica claro no jeito forçado que o filme impõe suas verdades. Arthur (McConaughey) é um fracassado, mas a história não mostra nada que te convença, nem que te faça duvidar. Seu casamento com Joan (Naomi Watts) é claramente conturbado, mas também não instiga o público em momento algum. Apenas é, porque eles dizem. E brigam. Mas ninguém entende muito bem o porquê. Ela aparece tomando algumas taças de vinho e imediatamente é taxada de alcoólatra. Ele é incapaz de dizer que gostou de um casaco que ganhou de presente da esposa. Nada faz muito sentido, numa história que é contada em tempos diferentes. Repentinamente há uma reviravolta na vida de Joan e, mais uma vez, tudo muda de figura, sem nenhuma apresentação pra quem assiste.

O que é contado no presente, no entanto, parece mais interessante – apesar de qualificadamente irreal – e até prende a atenção. O desenrolar de tudo que acontece, em meio aos flashbacks de Arthur, culmina em uma espécie de lição de vida.

“O Mar de Árvores” foi vaiado em Cannes e nunca chegou ao circuito principal do cinema americano, mas, de certo teria mais prestígio se fosse uma produção cult independente. Apesar de não figurar entre o que é considerado um filme imperdível, Gus Van Sant, mostra uma bela história de saudade. A atuação de Naomi é o destaque do filme, com suas explosões e choros angustiados. A atriz, como sempre, se destaca nas produções dramáticas.

Vale conferir para um domingo chuvoso, com muita pipoca e lenço de papel para conter as lágrimas.


Por Patricia Janiques

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