Na frente da minha casa havia um poste. Que tudo assistia, que tudo ouvia. O poste que eu via da minha janela.

Era um tempo que eu sonhava com um amor que me amava. E o poste permanecia inerte. Enquanto o tempo passava, eu crescia e divagava, pensando no amor que viria.

Mas o que eu não sabia, era como é difícil amar sem ser amado. Porque é preciso amar primeiro. É preciso saber suportar a falta de amor. É preciso saber esperar o amor chegar. É preciso saber encontrar o ser amado, que às vezes é como o poste que eu via da minha janela, na frente da minha casa. Frio e inerte, brinca com os meus sentimentos. Tudo vê, tudo assiste sem se importar se estou triste.

Amor que quer ser amado, que cobra um amor velado, da forma que planejou. Amor cem por cento perfeito, que me quer sem defeito.

Na frente da minha casa ainda há um poste, cheio de memórias, amparo de muitos amores, testemunha de muitas dores, namoros rompidos, cenas sórdidas de amor intenso, cenas românticas de amor imenso. Namorados comprimiam as namoradas. Namoradas deleitavam sobre os namorados. E o poste parecia inclinar-se, a medida que o tempo passava, como o vento move as montanhas de areia nas dunas.

Da minha janela eu vejo o poste no mesmo lugar. Na noite vazia ao luar ao lado do amor eu me sinto só, com saudade de um amor que não pode me amar, que não pode ou não quer me amar

Da janela da minha memória, eu vejo o poste, que tudo ouviu, que tudo assistiu. Mas não guardou as lembranças. É frio e inerte como eu precisava ser, pra não sentir a dor de amar e não ser amado.

Eu queria ser como aquele poste.

Por Ivo Crifar


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