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O protagonismo feminino nas séries de tv

Na última quinta feira, a atriz Viola Davis ganhou uma estrela na calçada da fama. Viola é conhecida por protagonizar a série americana “How To Get Away With Murder” e carregar o peso de uma produção Shondaland nas costas. É por isso que trago para você hoje, algo que precisamos conversar urgentemente sobre: o protagonismo da mulher nas séries de tv.

É verdade que a mulher demorou muito para conquistar seu papel no meio audiovisual, quanto mais a mulher negra. Eu poderia falar especificadamente do protagonismo da mulher negra, mas sou branca e não vou me apropriar de um discurso onde não tenho propriedade para falar sobre.

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Recentemente a atriz Emmy Rossum, protagonista de Shameless, exigiu um salário igual ao de seu colega de trabalho, Willian H. Macy. O público não reagiu muito bem, colocando Emmy como “prepotente” e considerando a atriz culpada pela ausência de informação sobre a renovação do seriado. A crucial diferença entre os dois é a idade de contribuição no meio audiovisual. Emmy é mais nova que Willian e, por isso, recebe um salário menor, apesar que, de acordo com os fãs, seja quem mantém a série no ar, merecendo, assim, por seu trabalho na série, ganhar igual ao seu colega de elenco.

How To Get Away With Murder

Viola Davis é a protagonista e isso nós já sabemos. Mas, e as outras três mulheres da série? Falo de Karla Souza, Aja Naomi King e Liza Weil, que interpretam Laurel, Michaela e Bonnie respectivamente.

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Bonnie (Lisa Weil), personagem que teve uma infância marcada por abusos sexuais e físicos, costuma “salvar” Annalise (Viola Davis) na maioria das vezes, sendo sua melhor amiga e confidente. Ainda assim, Bonnie é menosprezada por quase todos os outros personagens, muitas vezes sendo vista apenas como um “capacho” da principal. Laurel (Karla Souza), passou de uma menina insegura e introvertida para uma mulher forte na terceira temporada, marcada por uma família machista que não a vê capaz de tomar suas próprias decisões. Michaela (Aja Naomi King) foi quem teve mais destaque na terceira temporada, onde se provou ser a mais inteligente dos Keating-5 e talvez, quem sabe, a próxima Annalise Keating.

The Walking Dead

No cenário anarquista de The Walking Dead, as mulheres precisam ser ainda mais fortes, pois até mesmo no mundo pós apocalíptico, os homens ainda dominam. Apesar de ter grandes mulheres no elenco, por muitas vezes a série faz com que as mesmas dependam de homens emocionalmente, como a personagem Carol (Melissa McBride) que vivia em um relacionamento abusivo e após a morte da filha, deixou de ser uma personagem frígida e se tornou uma das bad-ass da série.

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Mesmo sendo uma mulher muito forte, ainda surgem especulações de que Carol deveria ter um relacionamento e, na tentativa de emplacar um na sexta/sétima temporada, a personagem se apagou.

A mesma coisa serve para Michonne (Danai Gurira). Na sétima temporada, a personagem começou a se relacionar com Rick Grimes (Andrew Lincoln), o protagonista da série. Esse relacionamento não foi bem aceito pelo público e seguiu uma linha diferente dos HQs, onde Rick se envolve com a personagem da atriz Laurie Holden, Andrea, que não está mais na série.

E como The Walking Dead tem um elenco enorme, temos mais mulheres essenciais na série, como Maggie (Lauren Cohan), Sasha (Sonequa Martin-Green), Rosita (Christian Serratos), Tara (Allana Masterson) e a mais nova, Enid (Katelyn Nacon). Vale lembrar que nessa sétima temporada, a especulação do fandom é ter Maggie como líder de Hiltop e ver seu amadurecimento agora que a personagem não tem mais nada a perder e não temos certeza sobre o seu futuro.

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Quantico

A série ainda é pouco conhecida, apesar de ser transmitida simultaneamente na AXN e ter sua primeira temporada disponível na Netflix. Quantico conta a história de Alex Parrish (Priyanka Chopra), policial acusada injustamente por um atentado terrorista, considerado “o segundo onze de setembro” nos Estados Unidos.

Quantico tem um protagonismo feminino muito bom e conta com um elenco secundário de mulheres muito fortes e inteligentes, como Shelby Wyatt (Johanna Brady), as gêmeas Nimah e Raina (Yasmine Al Massri), Miranda Shaw (Aunjanue Ellis) e Iris (Li Jun Li), que entrou na segunda temporada. O melhor de Quantico é que não sabemos quem é bom e quem é ruim, o que só torna a série mais interessante.

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Agents of S.H.I.E.L.D

A série da Marvel traz o grupo liderado por Phil Coulson (Clark Gregg) após a iniciativa Vingadores em Nova York. E, nesse grupo, temos três mulheres de peso: Daisy (Chloe Bennett), Melinda May (Ming-Na-Wen) e Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge).

Daisy é a inumana apelidada de Tremors, uma hacker com poderes sônicos que está sempre em dúvida se pertence à S.H.I.E.L.D ou não. May é o braço direito de Coulson, uma agente extremamente hábil que protagoniza altas cenas de ação e Simmons é uma cientista e médica. Na primeira temporada, Simmons era emocionalmente dependente de seu parceiro Fitz (Ian De Caestecker), mas ao longo das temporadas se provou inteligente e esperta, ao contrário da maneira que era apresentada.

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Orphan Black

Já imaginou protagonizar uma série fazendo 11 personagens diferentes? Esse é o papel de Tatiana Maslany na série de ficção científica e sucesso mundial Orphan Black. Os clones são uma criação do Projeto Leda e juntas precisam lutar contra essa organização que deseja “patenteá-las”.

Uma das grandes discussões acerca de Orphan Black foi a demora do reconhecimento do trabalho de Maslany em relação ao Emmy, que só veio após quatro temporadas. Muito se questionou, afinal são 11 personagens com sotaques, jeitos e personalidades diferentes e que precisam se relacionar entre si.

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Assim, em 2016, com uma forte campanha na internet, Tatiana ganhou o prêmio, desbancando nomes como Viola Davis e Robin Wright, de House of Cards.

Jessica Jones

A heroína é protagonista desse seriado empoderador, com a incrível Krysten Ritter (sim, você lembra dela de Breaking Bad).

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Jessica Jones possui uma personalidade difícil, marcada pelos abusos de seu inimigo, o vilão Kilgrave (David Tennant), um controlador de mentes. O seriado aborda questões machistas como a cultura do estupro, relacionamentos abusivos endeusados como românticos e abusos psicológicos e físicos. Jessica é um ícone de luta e empoderamento.

Orange Is The New Black

Saindo um pouco das séries de dramas, vamos falar das detentas de Orange Is The New Black, uma série com um elenco majoritariamente feminino que conta a história de várias presas e seus grupos. Temos brancas, negras, latinas, religiosas, enfim, várias mulheres fortes que por algum motivo estão presas e tentam viver seus dias na prisão.

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Com o final da quarta temporada, a questão acerca dos abusos penitenciários masculinos em um presídio feminino voltou a tona, gerando muita polêmica na internet. A série constantemente mostra os abusos sexuais e psicológicos que as presas são submetidas, até mesmo entre elas por conta da rivalidade incentivada na série entre os grupos étnicos.

Dica: O livro “Presos que Menstruam” , de Nana Queiroz, conta a realidade do sistema penitenciário brasileiro e vale a leitura.

Outras séries como Scandal, Supergirl, Girls e Insecure também trazem protagonistas fortes e de destaque. Acredito que, nos próximos anos, as mulheres continuem ganhando seu espaço e protagonizando séries, quebrando a visão machista social e seus estereótipos.

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Written By

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

2 Comments

2 Comments

  1. Giovanna de Azevedo

    22 de janeiro de 2017 at 14:03

    Só mulheres maravilhosas

    • Júlia Cruz

      2 de fevereiro de 2017 at 11:28

      Sim! E ainda faltaram algumas… É bom ver que estamos ganhando espaço no mercado de entretenimento sem precisar nos despir.

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