7 de dezembro de 2019

A saga de Harry Potter, o menino bruxo que todos conhecemos, já foi indicada 12 vezes nos “Academy Awards” (Oscar) por 6 dos seus 8 filmes. Todavia, nenhuma das indicações rendeu, de fato, uma estatueta. Os fãs da saga juvenil amarguraram a falta de premiação, mas os mais entendidos de cinema concordavam que era normal. O Oscar não é conhecido por premiar filmes muito populares, os típicos blockbusters e muito menos se forem filmes com foco no público juvenil, baseado em uma série de livros bestseller, que agradou muitas crianças pelo mundo tudo.

A verdade é que os filmes e os livros com temática juvenil ainda sofrem muita marginalização no mercado “formal”ou “culto”. Podem ser verdadeiros fenômenos entre a população regular e encantar o coração de todos, mas parece que os críticos do cinema e literatura têm o coração de pedra. No início da saga de livros e, posteriormente, com o início dos filmes sobre os livros, críticos do mundo inteiro levantaram bandeiras sobre como Harry Potter não poderia, nem sequer, ser considerado literatura. Harold Bloom, um professor e crítico literário estadunidense, que era a referência literária na época dos primeiros lançamentos, disse que a série era de “segunda categoria” e que baseava seu enredo em clichês, além de usar uma linguagem pobre. Bloom não foi o único. A maior parte dos críticos literários da época se colocou contra o fenômeno Harry Potter, dizendo que a febre passaria rapidamente ou dizendo que, se ela durasse, nunca seria reconhecida como verdadeira literatura.A difícil jornada para o reconhecimento da crítica especializada continuou até o dia 26 de fevereiro de 2017, quando “Animais Fantásticos e Onde Habitam” foi premiado no Academy Awards na categoria “Melhor Figurino”. Pode parecer um prêmio sem sentido ou pouco importante, mas a verdade é que ele foi a coroa de louros após uma longa maratona e pode ajudar a acabar com o estigma que os produtos feitos para o público juvenil – sejam filmes, livros ou tudo mais – não são verdadeiras obras de arte e não merecem premiações, sendo apenas produtos de “segunda linha”.

Harry Potter, é claro, provou sozinho que é literatura e que é digno de ganhar todo o mundo. Mesmo os que não gostam da história da J.K. Rowling reconhecem sua importância histórica para a literatura juvenil e fantástica, para a formação de novos leitores e para uma revisão do mercado no gênero, que antes mal pensava em publicar livros juvenis que não fossem os “clássicos” (que verdade seja dita, não atraem tanto os jovens assim e podem, inclusive, fechar de vez as portas do universo literário para essa idade, quando forçados goela abaixo). Todavia, uma premiação em um prêmio tão importante – o mais importante do cinema – dá um novo gás para os filmes juvenis e para os livros juvenis. É uma forma de legitimar o que todo mundo já sabia: que esses filmes e livros são muito bons. Ruim é o preconceito da crítica.

Por Clara Savelli

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