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Prata da Casa: Cinema Nacional vs. Os brasileiros.

Não é possível mensurar quantas vezes em minha vida eu ouvi alguém dizer: “Não gosto de filmes brasileiros porque não possuem história” ou “Filmes brasileiros só mostram sexo, violência e pobreza”. Evidentemente esse tipo de opinião parte de uma visão deturpada baseada no que já foi o cinema de nosso país em um passado recente, e também da exibição de alguns filmes de gosto duvidoso que pipocam nas telas da TV. Então, mesmo que os tais filmes de sexo e violência ou aqueles tidos como “sem história” sejam de boa qualidade artística, são logo jogados no mesmo balaio dos outros.

Provavelmente isso se explique pelo fato do público geral, que vai aos cinemas aos fins de semana, estar acostumado com o tipo de cinema vindo dos EUA, aquele enlatado e embalado para a exportação. Esse público não possui cultura cinematográfica suficiente para identificar que a narrativa de um filme é construída a partir de um fio de história (ou mesmo parte da total falta dela). Também que, às vezes, o sexo e a violência são necessários para expor facetas de personagens que estão inseridos na mensagem pretendida pelo cineasta.

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Por outro lado, e não menos infeliz, é o sistema injusto que é oferecido aos artistas tupiniquins no que diz respeito à produção, distribuição e exibição dos seus filmes. Nossa forma de produção é baseada principalmente por meio de editais, então, muitas vezes, o cineasta recebe o dinheiro público para filmar sua história, mas não o suficiente para finalizá-lo e lançá-lo em um circuito amplo o bastante para popularizar sua obra. A exibição também é prejudicada pela falta de salas disponíveis, já que o Brasil não possui, proporcionalmente ao seu tamanho, uma quantidade grande o bastante para abrigar nossos filmes, junto à alta demanda de filmes estrangeiros. Filmes estrangeiros esses que possuem preferência dos exibidores, por serem preferidos daquele público que não quer ver filmes sem história. Por isso, se é para lançar uma obra brasileira nos cinemas, que seja a de apelo popular, que tem em seu elenco figuras conhecidas das novelas, deixando de lado aqueles dos editais.

O ideal, tanto para cinéfilos, produtores e exibidores, é quando surge um fenômeno como “Tropa de Elite”, que consegue sucesso de bilheteria, aliado a excelentes críticas e reconhecimento internacional. O sucesso do filme de José Padilha é justificável, pois ele teve o talento para unir elementos do cinema de ação dos EUA, com uma história que atinge todos os brasileiros conscientes das situações do país.

O cinema brasileiro possui grande prestigio no exterior (mais lá do que aqui), angariando inúmeros prêmios e elogios. Desde o conhecido “Central do Brasil”, o já citado “Tropa de Elite”, o concorrente ao Oscar “Cidade de Deus”, até “O Som ao Redor” e “Aquarius”. Os mais prestigiados recentemente são “Antes o tempo não acabava” de Fábio Baldo e Sérgio Andrade, produzido em 2016, que foi selecionado e ovacionado no festival de cinema em Berlim, e o único representante em uma competição por prêmios no festival de Cannes neste ano “Gabriel e a Montanha” de Fellipe Barbosa, selecionado para a Semana da Crítica, onde ganhou o prêmio de Revelação.

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Os dois últimos filmes não seguem temas populares e provavelmente não serão reconhecidos pelo grande público, ficando limitados a festivais e exibição em poucos cinemas. Para reforçar a afirmação, eis a trama de “Antes o Tempo não Acabava”: Anderson é um jovem indígena em conflito com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. As tradições mantidas por seu povo parecem anacrônicas em relação à vida contemporânea que leva. Em busca de autoafirmação, Anderson abandona a comunidade para viver sozinho no centro da cidade, onde experimenta novos sentimentos, inclusive a homossexualidade aflorada. Como dá para perceber pela sinopse, não é um filme que fará milhões em bilheteria e que atrairá a atenção fora da microcosmo dos “entendidos em cinema”.

Com tudo isso, grande parte da produção nacional fica fora dos olhos do grande público, que, por questões educacionais e culturais que não cabem discutir aqui, talvez nem entendesse as propostas desses filmes. Enquanto a minoria, aquela popular, faz sucesso de bilheteria. Não é minha intenção julgar a qualidade de uma obra pelo fato dela ser popular. O que busco expor é a falta de um panorama geral de nosso cinema; o cinema multifacetado, que conseguiu ser respeitado no mundo todo por causa de sua qualidade artística.

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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