Em entrevistas, elenco e diretor discutem os conflitos familiares, morais e sociais apresentados pelo longa, que chegou aos cinemas brasileiros
Até onde uma família seria capaz de ir para proteger um filho depois de descobrir que ele participou de um crime? Essa é a pergunta que conduz “Precisamos Falar”, filme brasileiro que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (24) e transforma uma tragédia em ponto de partida para discutir responsabilidade, privilégios, justiça e os limites da proteção familiar.
Dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, o longa adapta o livro “O Jantar”, de Herman Koch. A história acompanha dois casais que descobrem que seus filhos adolescentes estão envolvidos na morte de uma mulher em situação de rua. As imagens do crime ganham repercussão, enquanto os pais precisam decidir como reagir ao saberem quem foram os responsáveis.
No elenco estão Marjorie Estiano, Alexandre Nero, Emílio de Mello, Hermila Guedes, Thiago Voltolini, Cauê Campos, Guilherme Cabral e Julia Svacinna.
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Uma pergunta sem resposta simples
Para Pedro Waddington, colocar o público diante desse dilema é uma das propostas centrais da produção. O diretor explica que a adaptação também procurou inserir os próprios jovens na discussão, fazendo com que diferentes perspectivas sobre o acontecimento entrem em conflito.
“O quanto isso balança os personagens e talvez os espectadores também é o X da questão”, afirmou.
Segundo Waddington, a história coloca em xeque os princípios de cada personagem e permite que o espectador desenvolva sua própria resposta ao longo do filme.
Alexandre Nero, que interpreta Paulo, também partiu dessa situação extrema para construir o personagem. Para o ator, o trabalho exigiu imaginar como alguém reagiria diante de um conflito entre princípios éticos e o instinto de proteger o próprio filho.
“A gente tenta imaginar o que seria nós naquela situação”, explicou Nero, destacando o conflito entre a lei e a proteção familiar.
Política e família se encontram na mesma discussão
Emílio de Mello interpreta Celso, candidato a governador que aparece liderando as pesquisas quando a família é atingida pelo caso. Para o ator, o principal desafio estava em construir o personagem como pai sem ignorar as responsabilidades relacionadas à sua posição pública.
“Ele precisa pensar nisso, nessa postura de homem público, pensando na sociedade, ao mesmo tempo pensar na sua família”, explicou.
Para Emílio, é justamente desse conflito que surge uma das questões mais difíceis apresentadas pelo longa: proteger o filho ou fazer com que ele responda pelos próprios atos.
A discussão também atravessa Valéria, personagem de Julia Svacinna. Irmã de um dos jovens e prima do outro, ela acaba inicialmente afastada das decisões porque os adultos tentam poupá-la. Mesmo assim, permanece observando e compreendendo o que acontece ao seu redor.
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Michel precisava ser mais do que um vilão
Um dos trabalhos mais delicados ficou com Thiago Voltolini, intérprete de Michel. Segundo o ator, uma das primeiras orientações recebidas durante a preparação foi de que o personagem precisaria provocar rejeição.
Seu objetivo, porém, foi evitar transformá-lo em uma figura simplesmente construída como vilão.
“Meu medo era justamente fazer um vilão, fazer um do mal. Ele não é do mal, ele é um menino que existe”, explicou Thiago.
O ator buscou humanidade para o personagem sem diminuir a gravidade de suas ações.
A construção da família também passou diretamente pela convivência com Marjorie Estiano e Alexandre Nero. Thiago conta que observava os processos dos dois atores durante a preparação e utilizava essa troca para desenvolver as cenas.
“Ali não era Marjorie, o Nero e eu. Era uma família. Isso foi essencial”, afirmou.
Para Marjorie Estiano, o diálogo ocupa uma posição fundamental na proposta do longa. A atriz destacou que a história provoca discussões sobre desigualdade social, instituições e as dificuldades de ouvir perspectivas diferentes.
“Eu acho que é isso que o filme propõe. Ele propõe a necessidade, a urgência do diálogo”, explicou.
Com 1h41 de duração e classificação indicativa de 16 anos, “Precisamos Falar” está em cartaz nos cinemas brasileiros desde 24 de setembro.
Imagem Destacada: Reprodução/Globo Filmes


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