Segura coração porque ele está de volta! Depois de mais de um ano, o presidente que mais esperamos e queremos ver o rosto está pertinho. Sim, nessa semana o serviço de streaming Netflix (na terça-feira, dia 30) disponibilizou todos os episódios da (tão aguardada) quinta temporada de “House of Cards”. Prepare-se “binge-watching” de plantão, o programa do final de semana é assistir a temporada em “uma sentada só”.

A data de lançamento foi um pouco incomum, já que costuma ocorrer no final do mês de Fevereiro, além do fato da Netflix disponibilizar o conteúdo às sextas-feiras. Dois fatores que fazem despertar ainda mais atenção para a estreia da série.

Relembrando um pouco, o anúncio sobre a data de estreia aconteceu em Janeiro, tempinho antes de Donald Trump assumir o cargo de novo presidente dos EUA. E passando para comentar sobre a atualidade, o próprio seriado fez brincadeiras sobre a crise política no Brasil. Na página oficial no Facebook, o ator Michael Kelly, que interpreta o personagem Doug Stamner, diz em um vídeo: “Povo brasileiro, isso não é uma competição.” E ainda brinca no final falando que a inspiração pode vir de qualquer lugar, para ficarmos atentos.

A primeira temporada da série foi lançada em 2013, e atualmente já é um dos maiores sucessos da Netflix, junto a “Narcos”, “O Demolidor” e “Orange is the new black”. Vale ressaltar que ela é uma das poucas transmitidas em resolução 4K, pelo serviço de streaming, sucedida por “Breaking Bad” e “Orange is the new black”.

A narrativa do drama político é centrada em Frank Underwood (Kevin Spacey), um ambicioso político que busca um alto cargo público na capital do país, Washington D.C. O espectador acompanha todas as artimanhas e formas do personagem alcançar o poder, ao longo das temporadas. A história é uma adaptação do romance de Michael Dodds, que possui o mesmo nome, e da minissérie britânica criada por Andrew Davies.

Está interessante em como a quinta temporada expressa e reforça o interesse dos espectadores pelo interior da Casa Branca. Todo esse cenário tão íntimo, em que a família do presidente mora durante seu mandato, será muito explorado. Já o roteiro, traz uma tentativa de levar como exemplos figuras políticas reais, e até superá-las. A própria atriz Robin Wright, que interpreta Claire Underwood, declarou em uma entrevista: “Trump roubou todas as nossas ideias para a sexta temporada.”

Nessa temporada, o casal forja e se depara precisando enfrentar questões contemporâneas nos Estados Unidos. Alguns deles são o confronto da Casa Branca com a imprensa (muito próximo a realidade do presidente Trump), a intervenção do Estado na vida íntima dos cidadãos para combater o terrorismo e a intromissão externa nos embates eleitorais. É interessante perceber como o terrorismo e o sentimento de medo sobre ele é inserido, em meio a toda incerteza sobre o futuro do país deixado em aberto no final da quarta temporada.

É importante destacar que um “inimigo” de House of Cards é o mundo real. Os recentes acontecimentos do cenário politico fizeram o seriado aparentar mais para um documentário dramático palpável. Lembrando que os episódios finais da temporada anterior tiveram como característica o ar de teorias da conspiração. O trabalho dos roteiristas daqui para frente será árduo, para trazerem grande criatividade e montarem situações mais absurdas do que aquilo que já está acontecendo na realidade.

Pelo menos, agora não precisa ficar com o coração apertado, já pode matar a saudade com mais esse presentão que a Netflix nos dá. E para finalizar, um trecho da série:

“O povo americano não sabe o que é melhor para si. Eu sei. O povo é como um neném, Claire. Temos de segurar seus dedos melados e suas boquinhas sujas. Ensinar o certo e o errado. Ensinar o que pensar, como sentir e o que querer. O povo precisa de ajuda para escrever seus sonhos mais loucos. Modelar seus piores temores. Para a sorte das pessoas, eles têm a mim. Têm a você.”


Por Gabi Fischer