Crítica: Mulher Maravilha

Antes de começar, vamos deixar claro que “Mulher Maravilha” não é um filme feminista ou machista, ou qualquer rótulo que queiram dar no caminho. A produção é, sim, um orgulho para nós mulheres pela sua representatividade e por, enfim, termos uma heroína com “A” maiúsculo nas telonas como protagonista de peso.

Depois de um certo tempo sem atingir o sucesso esperado, finalmente a DC Comics nos traz algo que pode ser a sua reviravolta. Com Gal Gadot, interpretando Mulher Maravilha, o filme inicia como uma breve continuidade de “Batman Vs Superman”, justificando sua aparição no mesmo. Em um momento marcado por uma foto, Diana, como é conhecida desde pequena, se remete a uma lembrança de como tudo começou. Ela, que era princesa das Amazonas, foi treinada por sua tia, Antiope (Robin Wright), para ser imbatível. Porém, sua mãe não concordava com isso, pois seu objetivo era criá-la e protegê-la em uma ilha escondida, chamada Temiscira, de um grande inimigo, o Deus da Guerra, Ares. Só que, Diana foi crescendo e aflorando, dia após dia, suas habilidades e assim, surpreendentemente, sua força abriu caminho para o mundo “real” e para a descoberta de seu verdadeiro destino.

Dirigido por Patty Jenkins, o filme traz um ar novo as produções sombrias da DC. Um pouco mais colorido e com um humor natural, a diretora investe naquilo que a Marvel já faz há um tempo, só que com um toque mais leve, conseguindo colocar a produção no meio termo entre o humor inteligente e a ação divertida. Além disso, o abuso do slow-motion nos permite ver a força daquela mulher realizada a cada golpe e, também, nos lembra das antigas HQs. Nesse caso, há quem vá curtir bastante mas, como nem tudo são flores, talvez seja um ponto que possa vir a incomodar o espectador.

Falando em ação, movimentos de câmera e lutas bem coreografadas, temos aí uma trilha sonora, de Rupert Gregson-Williams, que complementa todos os quesitos citados. As cenas mais importantes da Mulher Maravilha ganham um grande destaque quando a música “Wonder Woman’s Wrath” toca, e chega a arrepiar os pelinhos do corpo.

Entrando no roteiro, falando de DC, sempre temos algo mais denso, com um apelo mais significativo não tão voltado só para a diversão. E “Wonder Woman” não foge à risca. Allan Heinberg, roteirista, mostra sua força nos diálogos muito bem pontuados. E realiza uma linda criação da transformação desde a inocência de Diana até se tornar a grande Mulher Maravilha, sem citar, nem uma vez, seu nome como heroína. Talvez ele possa vir a pecar no final com o uso de algumas frases um tanto clichês, mas que até fazem sentido dentro do contexto da narrativa.

O elenco, como não esperávamos, dá um banho de carisma. Impossível não se encantar com o sorriso de Gal Gadot e sua cativante interpretação por vezes “inocente” e outras nem tanto assim. Já imaginou aquele mulherão com jeitinho de criança?! A atriz israelense não poderia ter sido melhor escolhida. O papel encaixa perfeitamente no fisique e sua atuação nos convence com o crescimento da protagonista a cada instante que passa até atingir o ápice da história. Chris Pine, como Steve Trevor, mostra para o que veio e completa Gadot em todos os sentidos. Ewen Bremner, Saïd Taghmaoui e Eugene Brave Rock formam a trupe para “salvar” o mundo da guerra junto a Gal e Chris. Os três estão muito bem, mas nenhum deles ganha muito destaque na trama. Já David Thewlis, aparece em momentos específicos e possui uma transformação inimaginável, o que, particularmente, não foi de muito bom gosto, ou talvez até, não muito bem pensada para o próprio ator. Fora isso, ele tem uma ótima atuação, mas infelizmente essa mudança acaba quebrando um pouco da “magia” da história nos deixando levemente decepcionados.

Mas no final de tudo, “Mulher Maravilha” é Gal Gadot a todo momento na tela. Com efeito, sem efeito, essa mulher veio para mostrar quem é a heroína de verdade trazendo mensagens implícitas e explícitas para qualquer bom entendedor. O filme é interessante, interativo, levanta questões atuais em uma outra época e que ainda vivenciamos, divertido na medida certa com início, meio e fim bem fundamentado. Ela veio para ficar e conquistar nossos coraçõezinhos! Para quem curtir o filme, saiba que ela ainda volta esse ano no primeiro “Liga da Justiça” que chega aos cinemas em novembro.

Crítica: Mulher Maravilha
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